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Archive for dezembro, 2007

A infra-estrutura do futuro não existe

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Um dos orgulhos do CIO era mostrar o mapa da sua infra-estrutura, indicando todas as unidades da empresa, o datacenter e a malha de telecomunicações que une tudo isso. Era o seu domínio senhorial, uma propriedade privada.

Por razões óbvias, isto perdeu o sentido. A infra-estrutura passou por um forte processo de “desprivatização”. Ainda bem, pois no curto prazo, muitas empresas estarão penduradas apenas na internet.

O CIO moderno não mostra mais mapa. Os seus clientes estão espalhados pelo mundo: em suas casas, nos aeroportos, nos carros e, cada vez menos, nas dependências da empresa. A mobilidade é um dos imperativos que aceleram a transição para a TI do futuro. Uma das razões para a troca dos antigos meios privados pelos meios compartilhados, como a internet por excelência.

Nossos clientes querem se conectar em qualquer lugar, a qualquer hora e com qualquer dispositivo. A convergência dos meios de acesso é um outro fator chave neste processo. As organizações de TI não conseguem acompanhar a evolução do mercado e os desejos dos usuários.

Algumas novidades são irresistíveis: disponibilizamos o Blackberry e eles pedem o iPhone! A sua exigência nos empurra para um ciclo interminável de investimentos, um fardo difícil de ser carregado. Um dia ou outro, temos que abrir mão de alguma coisa e ficar atrasados em relação ao mercado.

Há alguns anos, todos dependiam da empresa como detentora dos meios de acesso, equipamentos e conexões. Hoje, são todos
“commodities” e seus preços estão em queda contínua. É fácil comprar um computador particular melhor do que o padrão da empresa ou ter um acesso doméstico à internet com desempenho superior ao do escritório.

Este contraste evidente entre os mundos doméstico e profissional nos coloca em cheque e é outro fator que impulsiona para uma nova TI. Ele sempre existiu, mas não na mesma proporção. Muitos usuários optam por trabalhar em casa ao invés das instalações oficiais. A velocidade é maior, não há controle nem bloqueios e dispõem de uma infinidade de aplicações.

O acesso remoto era exceção e passará a ser regra. A padronização absoluta do hardware, celulares e computadores, também está condenada. Num futuro próximo, cada um usará o seu próprio equipamento e acessará de forma que quiser!

Nesse quadro, a TI corporativa poderia se comparar a um provedor. Os funcionários sabem como acessá-lo e, uma vez conectados, usam os seus serviços.

O foco do CIO seria a funcionalidade das aplicações e não a parafernália tecnológica que possibilita o seu acesso. Que tal se livrar de toda a rede, de todo o parque de equipamentos e dos serviços agregados? Parece pouco? Isto é uma redução de no mínimo 50% do escopo da TI!

O que falta para se chegar lá? Inúmeras pequenas e médias empresas já trabalham dessa forma. A novidade seria uma adoção do modelo por grandes organizações, a partir de cinco mil usuários, por exemplo. Existem diversas restrições para uma adesão plena e imediata, e por isso viveremos uma longa transição. Aliás, estamos vivendo.

O cerne deste processo é a necessidade de se reconstruir a governança. Novas regras para um novo jogo. A TI concentra seus esforços em assuntos mais próximos dos negócios e se livra totalmente da infra-estrutura. Do quadro atual ao futuro, existe uma infinidade de soluções intermediárias, essencial para que cada um encontre o seu ponto de equilíbrio.

A condução desta mudança depende do CIO, no uso de suas funções mais nobres, fazendo a costura política necessária para a construção de uma nova TI.