Tirando a “Shadow IT” da sombra
O amadurecimento do software como serviço e as novidades da Internet (Web 2.0) provocam um impacto amargo na informática corporativa. Apesar de todo esforço de padronização e controle, a informática clandestina está de volta com força total. Nossos clientes têm acesso a inúmeras soluções, que dispensam qualquer suporte especializado tanto na instalação como no uso. Até que ponto a shadow IT é uma ameaça?
A shadow IT é aquela feita fora do alcance das áreas centrais. Não se trata de uma descentralização planejada, porém de esforços independentes desrespeitando as regras da empresa. Intencional ou não, ela se manifesta através da compra de pequenos equipamentos, de aplicativos específicos ou, excepcionalmente, de desenvolvimento. Os motivos que levam nossos clientes a tais práticas são inúmeros: da nossa total desatenção à reatividade inadequada. Eles têm as suas razões. Nós, as nossas. Se algum CIO afirmar que na sua empresa não existe shadow IT, pode rir, pois nosso humilde objetivo é mantê-la sob controle.
Nos últimos meses, fora do mundo corporativo, a Internet tem passado pela sua segunda revolução. Surge uma gama de serviços que invade as empresas por todos os lados. No começo, eram utilitários de natureza meramente pessoal. Do uso pessoal para alguma utilidade para os negócios é só um pulo. A única exigência é uma conexão à rede, o resto é fácil. Nada de infra-estrutura, nada de contratos complexos, nada de acordo de nível de serviço. Só alegria!
Neste cenário, parte do nosso esforço recente em torno de governança está perdida. A TI escapa das mãos do CIO. O aparelho de segurança e padronização é inútil, pois a vida acontece do lado de fora. Como sugere a revista Exame, na sua edição de 9/4/08: “Drible no departamento de TI”.
Driblar a TI ou qualquer outra instituição não pode ser uma recomendação séria. Nem por isso, devemos encarar essa onda com pessimismo. A única alternativa é a antecipação, propondo soluções baseadas na Internet em parceria com os clientes. Nós temos que esvaziar a nossa própria TI, pesada e inflexível, em prol de uma virtualização maciça. Temos que usar o software como serviço e bisbilhotar todas as ofertas disponíveis na Web.
Numa organização de informática moderna, livrar-se do hardware, do software e de parte da equipe não significa nada. Afinal, entre os mais nobres papéis temos: a integração da parafernália tecnológica aos negócios da empresa, o conhecimento dos processos, a capacidade de se arbitrar sobre as questões de segurança e privacidade que permeiam a organização, a garantia da coerência das informações e, de alguma forma, o zelo pelo custo total da grande festança promovida pelos usuários com todas as novidades.
Por que brigar contra a corrente? Temos que nos alinhar para oferecer um serviço muito mais qualificado. Em vez de um bando de profissionais tentando fazer, seremos uns poucos aconselhando. Ao invés de aniquilar os promotores da shadow IT, proponho usar a sua vontade de inovar para resolver os problemas em conjunto.
A tendência apresentada nesse artigo não é nova, ela é apenas acelerada a cada salto de funcionalidade e produtividade oferecido pela Internet. Basta consultar os artigos de dez anos atrás, da época da bolha, para perceber que tais conceitos já existiam. Tudo deve necessariamente evoluir junto: A Web, as organizações de TI e a sua governança. Se a organização e os seus pprocessos ficarem parados, a única coisa que vai evoluir é a shadow IT.
Fernando Birman é diretor mundial de CRM e Estratégia de TI do grupo Rhodia, baseado em Lyon (França)








