Para que serve uma recessão?
Recessão à vista! Estados Unidos, Europa e o resto do mundo antecipam uma provável recessão. Alguns falam de depressão. Pouco importa, pois o fato novo é a interrupção do ciclo de exuberância que alavancou a Tecnologia da Informação durante os últimos anos. A desaceleração econômica é ruim para todo mundo e o seu impacto na informática vai além do tradicional cancelamento ou adiamento de projetos. Neste artigo, discutimos estes e outros efeitos, considerados por muitos como verdadeiras oportunidades.
No processo de evolução das espécies, as drásticas mudanças ambientais contribuíram para acelerar a seleção natural, preservando os indivíduos melhor adaptados a elas. Analogamente, uma grande crise terá impacto relevante nos fornecedores, nas tecnologias e nos produtos de TI que consumimos como clientes (pessoas físicas ou jurídicas). Fornecedores vão à bancarrota, tecnologias e produtos são abandonados.
Com as terríveis restrições orçamentárias que vem por aí, o fator econômico pode se tornar ainda mais crítico em todos os processos decisórios. Hoje, o custo é chave em qualquer decisão e as negociações com fornecedores já são duras. Em tempo de recessão, o aspecto monetário se impõe de forma determinante, mesmo que em detrimento da relação custo-benefício.
Durante o período de seca, os gastos evoluem a conta-gotas. Tudo é questionado: manutenção de equipamentos e sistemas, largura de banda, quantidade de licenças, efetivos, etc. Pode ser um inferno na vida dos responsáveis pela TI, que passam a justificar cada centavo de despesa ou investimento. Na cruel lógica da depressão, a regra é deixar tudo para o amanhã. Pior ainda, é ter que lutar contra a temida redução de efetivos. Neste caso, a resistência vale a pena. Depois da crise, é possível atualizar equipamentos ou restaurar níveis de serviço, mas repor as pessoas que saíram costuma ser muito mais caro.
Uma depressão proporcionará uma nova chance às soluções gratuitas e abertas. Sem alternativas, pequenas e grandes empresas acabam aderindo à onda. Fazendo uma extrapolação, pode ser um grande estímulo à plena virtualização, cenário no qual a TI corporativa é reduzida a uma estrutura minimalista, que gere uns poucos processos e sistemas e disponibiliza os serviços via web.
O único impacto positivo de uma recessão é a pressão para se fazer mais com menos: a exigência de maior produtividade e eficiência do aparelho de TI. Que tal explorar melhor os recursos já instalados? Quanto utilizamos da capacidade do nosso parque? Os recursos físicos e lógicos estão otimizados? Nossos usuários aderem às boas práticas de uso das ferramentas? São aspectos comumente deixados de lado, pois resolvemos os problemas aumentando capacidade e colocando recursos adicionais. Interromper o ciclo alucinante de renovação por algum tempo não é apenas aceitável como bem razoável.
Ciclos recessivos são parte da vida da TI. Ciclos recessivos são parte da vida do CIO. Nunca se sabe quais setores serão atingidos e nem por quanto tempo. Apesar do clima negativo, não podemos nos desesperar. Tal experiência é uma oportunidade única de racionalização, questionamento e redesenho. Passada a crise, teremos uma área de TI muito mais organizada e preparada para retomar o crescimento. E, é claro, não falo apenas da TI, mas de toda a empresa que renascerá das cinzas.









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