O homem do ano?
Afinal, quem foi o homem do ano de 2010? Independente da sua lista preferida, três nomes estavam em quase todas elas: Mark Zuckerberg (Facebook), Steve Jobs (Apple) e Julian Assange (Wikileaks). Este admirável trio mostra que 2010 foi mais um ano da tecnologia de informação (TI).
Zuckerberg recebeu o cobiçado título de homem do ano da revista Time e ainda foi brindado pela sétima arte. Intrigas à parte, num dos momentos de “A rede social”, filme de David Fincher, seu personagem assume não fazer ideia de para onde vai o Facebook. Com certeza, não está sozinho.
Os nomes Facebook, Twitter ou Google não existiam quando começamos as nossas carreiras. Esta renovação permanente da TI tem tornado a nossa profissão muito excitante. Inovadores como Zuckerberg potencializam o papel da Internet e, invariavelmente, criam oportunidades para todos nós. O Facebook é hoje um dos principais centros de atração da Web, reunindo meio bilhão de usuários e penetrando cada vez mais no mundo corporativo.
Assange foi a grande revelação deste final de ano. Herói para muitos, anti-herói para outros. O fenômeno Wikileaks afeta a diplomacia, a política e o jornalismo. A busca pela transparência pode virar uma relevante causa universal e atrair uma vasta militância. Vazar documentos é coisa antiga. Entretanto, só a Internet permite que tamanha quantidade de informação escape e seja divulgada em tão pouco tempo.
Nós, executivos da TI, estamos do lado oposto dessa onda, pois somos os guardiões da maior parte do conhecimento das organizações. O fenômeno Wikileaks reforça o velho conselho de que segurança não se constrói apenas com hardware e software, mas com um profundo processo de educação.
Jobs é o veterano dessa seleta trinca. Em quatro décadas de atividade, habituou-se às revoluções dentro da revolução maior proporcionada pela TI. Detentora de um rol inigualável de inovações, em 2010, a Apple fez um novo milagre com o iPad. O que poderia ser um simples gadget virou referência para toda a indústria. De supérfluo a essencial em poucos meses. E, muito em breve, às nossas portas.
Nos meus primeiros artigos para o Computerworld, de 1999 a 2001, escrevi sobre diversas transformações esperadas pelo progresso tecnológico. Por exemplo, o fim da indústria da música baseada nas gravadoras, o fim das publicações em papel e o fim da era do teclado como principal interface. Avanços que se confirmaram em maior ou menor escala. Muitos tentaram, mas foram os produtos da Apple os grandes agregadores de inovações, aqueles que representam uma mudança de patamar na exploração da tecnologia.
Teria Jobs o toque de Midas? Com certeza, ele tem a sensibilidade e a determinação para lançar os produtos e serviços que os consumidores querem no momento certo, usando os melhores recursos tecnológicos do mercado. Não é à toa que a Apple passou de quase falida a uma das empresas mais valiosas do mundo.
Jobs, Assange e Zuckerberg mostram diferentes faces da TI, distintas e complementares. Jobs é o campeão da usabilidade, da ergonomia e do design na produção da informação e no seu acesso. Zuckerberg remodelou a interação entre as pessoas e a forma de se compartilhar a informação. Assange nos desafia a questionar o valor da informação em si e o confronto entre o público e o privado.
Um dia, o computador foi eleito o homem do ano. Anos depois, a Internet foi o homem do ano. Hoje, Jobs, Assange e Zuckerberg mostram uma TI mais dinâmica do que nunca, mudando constantemente o nosso mundo.








