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Império do Middleware

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Os dirigentes de TI corporativos dedicam-se cada vez menos aos aspectos técnicos. Os negócios das suas empresas, a governança, os processos e a gestão da inovação são temas preferenciais. Mas nem por isso deve-se dispensar uma mínima noção sobre a retaguarda tecnológica, conhecendo pelo menos os principais componentes da arquitetura de TI: dos servidores ao ERP, passando pelo sistema operacional e banco de dados. Não muito mais que isso. Porém, de uns anos para cá, um outro componente fundamental capta a atenção do CIO: o middleware.

Middleware é o software que garante integração, conectividade e diversos serviços de suporte para os aplicativos de negócio. Hoje em dia, o nome é usado de uma forma genérica para uma série de ferramentas de suporte e gestão do ambiente técnico. Essencial desde o tempo do mainframe, o assunto sempre foi algo restrito ao mundo técnico. A família do middleware tem crescido constantemente, mas sempre invisível para os clientes da TI e também para inúmeros CIOs. Pensando bem, era assim.

A crescente sofisticação da TI e as exigências de integração interna e externa fizeram com que o middleware saísse da retaguarda para ser protagonista. Num passado distante, era apenas um acessório. A partir da era do e-business, ele passa a ser essencial, disputando com os aplicativos de negócio um pouco da atenção do CIO.

Para exemplificar alguns processos em que o middleware é destaque, retomo a integração de aplicações. No ápice dos investimentos em comércio eletrônico, apostamos na adesão aos portais de negócios e marketplaces. Uma vez que nossos ERPs estavam preparados para comprar e vender, quem cuida do resto é o middleware. A mesma coisa acontece no caso brasileiro da Nota Fiscal Eletrônica (e-NF), um outro processo centrado no middleware.

O CIO começou a acordar para o middleware quando percebeu que as aplicações de TI não são silos. O intenso esforço de integração da última década mostrou a criticidade das interfaces e interconexões. Seja por razões técnicas ou funcionais, muitos problemas surgem daí. Em diversas empresas, este meio de campo entre infra-estrutura e aplicações transacionais não tem dono. Em outras, ele tem dois. E vocês sabem o que acontece nesses casos!

Se fizermos um inventário do nosso middleware, perceberemos por que este é um terreno disputado pelos gigantes do software, onde ainda haverá disputa e consolidação. Um dos setores mais sólidos da indústria do software, sem dúvidas. Quase sem perceber, investimos bastante nesses fundamentais elementos da arquitetura técnica.

Tendo em vista a importância do assunto em termos econômicos e funcionais, fica evidente a necessidade de incluí-lo explicitamente na governança da TI, deixando claro as responsabilidades, a propriedade, o tratamento de problemas e assim por diante. O risco de tratá-los apenas como apêndices da arquitetura técnica é o descontrole, o mau aproveitamento dos recursos, a integração insuficiente e a perda de confiabilidade.

Na medida em que nos engajamos com o SOA (arquitetura orientada a serviços), o tema fica ainda mais importante, seja pela adoção de novas ferramentas para suportá-lo ou pela exigência de um domínio técnico ainda mais forte do conjunto de hardware e software da empresa.

O domínio da arquitetura é essencial. A base continua sendo o cliente, aquele que determina os processos de negócio. A partir daí tudo deve ser encaixar na mais completa harmonia e com uma sólida governança: Daquele servidor localizado no fim do mundo ao cockpit do presidente, passando-se pelo precioso middleware.