- Carlos Tunes
- Líder de Gestão de Ativos –Maximo, da IBM para América Latina
Edifícios inteligentes na renovação urbana
Vivemos em uma cultura urbana, em que cada vez mais pessoas vivem em cidades e a estimativa é que, a cada ano, um milhão de pessoas ao redor do globo se mudem para os centros urbanos. Quando falamos sobre redução de emissões de CO2 ou de economia de energia e água, pensamos sempre em transporte público ou em energias renováveis, e muitas vezes nos esquecemos de uma das maiores oportunidades em nossa paisagem urbana: os edifícios que nos rodeiam.
Em menos de 15 anos, os edifícios vão se tornar os maiores consumidores de energia do planeta. Em um típico edifício de escritório, o consumo de energia representa cerca de 30% do total de seus custos operacionais, sendo que até 50% da energia e água são muitas vezes desperdiçadas.
Os edifícios foram construídos e operam baseados na forma como usávamos energia no passado. Reconfigurá-los para atender aos desafios atuais parece assustador. Segundo a IDC Energy Insights, o mercado mundial de Edifícios Inteligentes foi de US$ 3,1 bilhões em 2010 e deve crescer para US$ 10,2 bilhões até 2015. A boa notícia é que grande parte da tecnologia e dos sistemas necessários para transformar os edifícios já existe.
Com o uso de soluções de gerenciamento, que possibilitam uma abordagem analítica, e entendendo como compartilhar informações, podemos obter os insights necessários para criar um edifício inteligente. Com essas soluções, a renovação urbana, por meio de edifícios inteligentes, é um negócio interessante para as organizações. A redução do consumo de energia é apenas um dos ítens que impactam diretamente na redução dos custos operacionais, refletindo diretamente no Return Of Assets (ROA) das organizações.
Mas qual é o principal obstáculo para fazer com que esses projetos aconteçam? Descobrir como gerenciá-los. Porque um edifício inteligente não depende apenas de tecnologia. Depende também de pessoas, de expectativas e da nossa reação a um projeto como esse. Como você organiza equipes de TI e gerentes de instalações? Como você se certifica de que irá obter o melhor proveito das informações que coleta? Qual é o momento certo para fazer um investimento? Como está o nível de atendimento aos clientes? Alguns pontos são importantes para tornar a criação de um edifício inteligente viável:
Compreender o conceito – edifícios inteligentes representam a convergência de tecnologia e o gerenciamento de infraestrutura para edifícios. Significa aplicar soluções de gerenciamento TI para melhorar eficiência e sustentabilidade, e ainda reduzir custos operacionais. Esse conceito contempla o uso de software de gerenciamento e ferramentas analíticas para capacitar gestores a chegarem aos insights necessários para um melhor gerenciamento da infraestrutura.
Identificar quando começar – as empresas não podem se dar ao luxo de esperar por pressões externas, seja do governo, dos funcionários ou de clientes, para começar a reduzir seus custos e emissões de carbono. Hoje, há uma proliferação de sensores inteligentes e sistemas de segurança para refrigeração, iluminação e aquecimento, que permitem desligar luzes ou alterar as temperaturas em horários predefinidos, e a um custo acessível. Mas, já é possível que eles façam muito mais do que isto, como, por exemplo, saber quantas pessoas estão em um prédio à noite para decidir onde desligar as luzes ou localizar um ar-condicionado que esteja com defeito.
As empresas devem colaborar – a melhor maneira de inovar é por meio da colaboração. Isto vale especialmente para os edifícios, que são compostos de sistemas complexos de diferentes fabricantes e que foram instalados há muitos anos. Por isso, a colaboração entre os fabricantes e as pessoas responsáveis pela instalação e gestão desses sistemas é fundamental.
Envolver os funcionários – as pessoas vivem em edifícios e querem fazer a diferença. E elas podem ter ideias interessantes de como aplicar a tecnologia para economizar recursos. Por isso, os funcionários devem ser incluídos no processo de tomada de decisão. É importante ainda se certificar de que o pessoal técnico, responsável por implementar essas mudanças, entenda a sua responsabilidade.
Reduções do uso de energia e de água se tornaram prioridade para as cidades, universidades, empresas, hospitais e fábricas. Fazer um edifício inteligente cria uma maneira inteiramente nova de pensar sobre a renovação urbana. E essa transformação é capaz de criar comunidades mais sustentáveis. Nos próximos 20 anos, o investimento global em infraestrutura urbana deverá chegar a 53 trilhões de dólares e, certamente, parte desse montante será destinada à construção e ao gerenciamento de prédios inteligentes. Em novembro, esse tema será amplamente abordado por prefeitos, gestores públicos e líderes empresarias de toda a América Latina que se reunirão no Rio de Janeiro com o objetivo de discutir e incentivar ações que contribuam para a qualidade de vida dos cidadãos, a sustentabilidade e o desenvolvimento econômico.
Apenas três outras cidades no mundo receberam esse evento no mesmo patamar em que será realizado no Rio. Investimentos desse porte no Brasil demonstram que o País está numa posição diferenciada no cenário mundial, captando as oportunidades de investimentos e negócios que surgem devido à proximidade dos grandes eventos.







