Publicidade

Home > Computação, Corporações, Gestão de TI > Mapa de integração: agilidade para tomada de decisões de TI

Mapa de integração: agilidade para tomada de decisões de TI

Por Kleber Bacili, diretor de Tecnologia da Sensedia

O ambiente de TI das médias e grandes empresas tem se tornado mais complexo. Pacotes adquiridos, normalmente com diversas customizações, sistemas desenvolvidos sob medida nas mais diversas linguagens de programação são o pano de fundo da inflexibilidade de TI. Somem-se a isso todas as integrações ponto-a-ponto desenvolvidas para que os sistemas e processos de negócio sejam minimamente integrados e chegamos ao cenário no qual qualquer mudança pode gerar impactos inesperados.

Assim como os sistemas, as integrações ponto-a-ponto vêm sendo criadas ao longo de anos e, consequentemente, desenvolvidas a partir de uma série de abordagens e tecnologias diferentes. É muito comum haver integrações realizadas por meio de (i) troca de arquivos em formato texto; (ii) conexões diretas via banco de dados utilizando views, DBLinks e procedures; (iii) troca de mensagens através de middleware especialista para mensageria e, mais recentemente, (iv) invocação de componentes remotos e ainda Web Services, dentro de uma concepção SOA.

Para agravar ainda mais o cenário acima, boa parte do conhecimento sobre as integrações existentes está nas pessoas envolvidas em sua criação. Se essas pessoas deixam a empresa, boa parte do conhecimento também é perdido.

Fotografia das integrações

Um mapa de integrações nada mais é do que uma fonte de informação capaz de mostrar uma fotografia da estrutura de integrações de uma empresa. Ele deve apresentar todos os sistemas que expõem ou consomem interfaces e/ou dados originados em outras aplicações / pacotes ou sistemas e também como essas interfaces são realizadas.

Digamos, por exemplo, que a empresa possua duas aplicações de retaguarda, o ERP e outra de CRM. Além disso, muitas vezes essas aplicações são complementadas com pacotes específicos para gestão fiscal e controle de importações. Suponhamos que existam outros quinze grandes sistemas desenvolvidos sob medida como o portal de vendas, o controle logístico, a intranet, além de planilhas de controle e pequenas aplicações departamentais entre outros. É bastante provável que no cenário descrito acima haja mais de 300 integrações ponto-a-ponto.

Os objetivos principais ao criar um mapa de integrações são:

  • Aumentar a agilidade de TI quando mudanças em sistemas existentes são solicitadas pelas áreas de negócio;
  • Permitir a padronização de tecnologias usadas para construir as integrações;
  • Aumentar a reutilização de componentes e serviços de integração;
  • Reter na empresa e, não em pessoas, um conhecimento vital para a continuidade dos negócios e, principalmente,
  • Reduzir a quantidade de problemas, interrupções e inconsistências em aplicações devido a integrações pouco conhecidas.

Um mapa de integrações, mesmo que minucioso, ficará obsoleto em questão de dias se a empresa não possuir formas de controlar a criação e atualização das integrações. Existem ferramentas que podem automatizar a leitura de parte das informações bem como oferecer mecanismos para controle do ciclo de vida das integrações e governança do mapa completo. Mas, invariavelmente, essa prática depende também de disciplina e processos de trabalho bem definidos.

Este ano tivemos a oportunidade de construir um mapa de integração em que o cliente passou a ter uma visão consolidada dos sistemas e conseguiu, inclusive, traçar um plano para modernizar as aplicações e as integrações do legado. Agora, é possível determinar a melhor abordagem para criar outras integrações, fazer uma análise de impacto precisa e identificar duplicidade de integrações.

O conceito é simples; sua execução, nem tanto. Além de muitas vezes demandar  certo esforço de levantamento e a empresa não possuir um local correto para armazenar essas informações, o mapa de integração deve ser um organismo vivo dentro da empresa. Com a abordagem correta, os benefícios destacados podem ser potencializados.

Kleber Bacili é formado pela UNICAMP com MBA em Gestão Empresarial pela FGV. Atua como diretor de Tecnologia da Sensedia e possui mais de 10 anos de atuação em desenvolvimento, arquitetura de software, componentização e reutilização. É também docente em cursos de pós-graduação em SOA e Web Services na Unicamp e IBTA.

  • Leo

    Muito bom o artigo, pretendo fazer um mapa de integração na minha área, mas na pratica tem alguma ferramenta para fazer esse mapeamento, é no office mesmo ? Qual é o passo-a-passo ? Aguardo sugestões.

  • Flávio

    Ótimo artigo, em um mundo corporativo dentro do governo é de fundamental importância mapear sistemas e suas integrações. Manter isso atualizado é realmente um outro desafio. Parabéns pelo esclarecimento.

  • Minha Maior preocupação no exercicio do Mapa de Intregações era demonstrar com clareza onde era possivel visualizar os reais lucros, mais quando a atividade principal da empresa não esta diretamente relacionado a um unico sistema (caso bem descrito no artigo).
    Achei os pontos levantados nos objetivos do artigo bem claros, demosntrando uma abordagem objetiva da importancia de aplicar o exercicio do Mapa de Intregações.

    Parabens...

  • Gian

    Ótimo artigo! Com certeza fazer o mapa de integração dos sistemas é uma ótima prática, e infelizmente a maioria das empresas hoje não tem essa preocupação.

    Muitas acham que isso é apenas mais um documento para "perder tempo", ao invés de enxergar isso como uma ferramenta para análise e tomada de decisões, desde operacionais até gerenciais.

    No caso da área de Suporte, por exemplo, ele pode ser muito bem utilizado como facilitador na resolução de problemas, pois no mundo mais integrado das aplicações descobrir onde está realmente um problema pode levar muito mais tempo do que apenas no "mundinho" de uma aplicação.

blog comments powered by Disqus