Por Diego Ramalho Bortolucci, da BBKO Consulting *
A melhoria continua dos processos precisa ser pensada dia a dia, com uma análise estratégica dos concorrentes e clientes, para saber com antecedência qual a necessidade de quem compra o produto e serviço ofertado. Desta forma, o tempo se torna ouro, espaço físico também, mas como conseguir unificar as melhores práticas, pessoas e garantir um projeto bem-sucedido, sem perdas de tempo com trânsito, aeroporto e distancias?
Que tal procurar uma forma remota de execução do seu projeto? Que tal trazer para si uma equipe de profissionais que atua de acordo com sua necessidade com metodologia, gestão, custo reduzido e qualidade?
Precisamos nos atentar, no entanto, para alguns riscos nessa forma de atuação. O principal deles é que qualquer projeto de TI realizado dentro de casa, mesmo com profissionais terceirizados, tem uma tendência natural de passar por alterações. Isso quer dizer que durante a execução muitas atividades podem vir à tona.
Nada mais fácil do que conversar com os executores e alterar uma tela, relatório, visão. Esse é o chamado gold plating, que muitas metodologias abominam, mas existe e é uma realidade, pois permite a proximidade de analistas de negócio do lado dos usuários finais.
Riscos
Essa facilidade pode ser prejudicial ao projeto. Enquanto pensamos que alguns riscos podem ser eliminados em projetos desenvolvidos dentro de casa, na verdade podemos estar expostos a um grande risco.
A tercerização de aplicações, outsourcing ou MAS, já é uma prática disseminada e muito utilizada no mundo por grandes empresas, podendo o framework de applications ser diferenciado dependendo do fornecedor do serviço. Por isso é importante a análise da necessidade para que o ROI (return of investment) da utilização desse serviço seja rápido.
Mas, para isso, você deve prever que portfólio de serviços precisa para contratar o melhor serviço. Assim, você consegue concentrar e centralizar seu processo de TI no foco de sua companhia, utilizando uma equipe externa, focada e especializada para manter sua infraestrutura tecnológica, com um custo reduzido.
Dentre alguns serviços oferecidos pelas empresas que fornecem o AMS os itens abaixo não podem ficar de fora:
- Processo de transição com gestão de mudanças envolvida, para que toda a aplicação seja transposta para a equipe remota, e, qualquer alteração tenha o repasse de forma natural na empresa.
- AMS(Application Management Service) integrado com o BPO (Business Process Outsourcing), ou seja, a gestão de todo o processo da companhia para a excelência na gestão da aplicação
- Atendimento em diversos níveis, que podem ser divididos da seguinte maneira:
- 1º. Nivel – Equipe que conhece o processo e o sistema que esta suportando, para resolução e catalogação de todos os incidentes. Dessa maneira melhora-se a qualidade de trabalho e a visão do sistema para a satisfação dos usuários, bem como garante-se todo o processo de transição para novos usuários:
- 2º. Nível – Correção de problemas com equipe especializada, com enfoque mais técnico na resolução do problema encontrado. Geralmente nesse nível o acordo de SLA é diferenciado, dependendo dos níveis de pontos críticos levantados.
- 3º. Nível – Aqui estão pequenos projetos de melhorias no sistema e processo. A equipe é especializada no sistema e processo que atua, com níveis altos de senioridade.
- Um sistema que informe os indicadores(KPI) de atendimentos e níveis de serviço é extremamente importante para controlar se a maturidade de seu sistema está em crescimento real ou não.
Hoje a tecnologia para acesso remoto nos permite realizar projetos inteiros, com qualidade, custo menor. Mas a dependência do cliente final e o comprometimento dele para a finalização do projeto é de suma importância. É necessário alinhar a expectativa do cliente, pois ele será responsável pelo processo implementado.
As metodologias usadas em gerenciamento de aplicações devem ser estruturadas com as melhores práticas de mercado para a realização e documentação, criando KPI para indicações de retrabalhos, qualidade e maturidade da aplicação.
Benefícios
Existem diversos benefícios quando o cliente terceiriza a gestão de aplicações em ambiente remoto. Entre eles está o fato de que o prazo e o custo já são definidos, o que garante um planejamento eficaz. Outro beneficio é que, contratando uma gestão da aplicação remota, você garante o trabalho contínuo, equipe focada e gestão, não dependendo de um recurso único de trabalho.
Falando de acesso remoto, dependemos de uma estrutura organizacional firme e funcional mínima conforme descrevo abaixo.
Gerente de AMS: Profissional responsável por gerenciar a equipe, definir SLA, criar processos de controle, definição de KPIs, controlar KPI e efetuar um relacionamento direto com o cliente.
Analistas: Esses profissionais fazem parte do pool de gestão da aplicação, possuem qualificação diferenciada, estão focados no processo e no ecossistema de TI necessitado pelo cliente. São os responsáveis pelo controle dos processos e aplicações.
Equipe de Change Management: Grupo com perfil de liderança e conhecimento técnico que fará a transição entre a equipe local e a equipe remota. Eles devem estar preparados para manter a qualidade e motivação da equipe local e usuários finais.
Camada Especialista: Equipe técnica com conhecimento especifico nas ferramentas mais utilizadas no mercado, capazes de preparar novos técnicos para a manutenção real da aplicação de forma rápida e eficaz no caso de um incidente.
Dentre os benefícios de se utilizar uma equipe de AMS estão a garantia de execução da aplicação, gestão por processos e gestão da demanda por um SGD. Há também a vantagem de ter uma equipe com possibilidade de ampliação ou redução sob demanda, fora da estrutura da sua corporação, o que reduz o custo. Assim, obtém-se profissionais qualificados e experientes em uma estrutura barata por otimização de recursos, garantia de documentação, entre outros.
Como exemplo, suponhamos que você tenha um ecossistema de TI com Banco de Dados relacional, um sistema desenvolvido sob medida, um ERP, alguns sistemas legados, um CPD com 12 servidores em cluster, 5 servidores de virtualização.
Para suportar tal infraestrutura, em ambiente 24×7, neste caso você precisaria ter pelo menos 4 DBAs, 4 desenvolvedores, uma equipe funcional para atender as demandas do ERP, um grupo que conheça os sistemas legados e de integração, operadores de micro e especialistas em rede para suportar de forma coesa e sem interrupções. Em outras palavras, uma grande equipe para atender a TI.
Mas você não irá utilizar 100% de um recurso e terá um ativo trabalhista alto.
Capacitação contínua
De forma remota, esse custo é minimizado mês a mês, pois seus recursos estarão em uma outra estrutura. Eles estarão em capacitação contínua, não trarão ativos trabalhistas e terão atuação permanente, sem interrupções por férias, licenças médicas.
Existem momentos em que precisamos repensar no formato de atuação, pensar com maior estratégia e deixar a equipe focada no negócio da empresa. Deixar o processo de suporte ser tratado como commodities. Seu custo de equipe será reduzido, sua qualidade aumentar e sua equipe ficará flexível para a ampliação ou redução em caso de projetos novos ou demandas urgentes.
* Diego Ramalho Bortolucci é diretor de consultoria das práticas de serviços remotos da BBKO Consulting
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