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Carreira

Um laboratório em ebulição

O pólo de tecnologia de Campinas desperta interesse e investimentos vultosos, principalmente pela indústria de telecomunicações que encontra mão-de-obra local formada com todos os predicados necessários.

06 de agosto de 2001 - 14h26
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Geografia favorável e mão-de-obra local especializada são as duas variáveis que tornam o Pólo de Tecnologia de Campinas – cidade paulista com uma população de 968.172 habitantes, acesso para as principais rodovias do país e um aeroporto de excelente qualidade – um atrativo para a instalação de empresas de TI, especialmente as de telecomunicações.

Segundo Marco Antônio Folegatti, diretor de operações industriais da fábrica da Nortel, o município apresenta toda a infra-estrutura para desenvolver seus experimentos, adicionado ao fato de que três das melhores universidades do país estão nos limites da cidade: Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), PUC-Campinas e Finatel (Fundação Instituto Nacional de Telecomunicações, em Santa Rita do Sapucaí).

“Em contrapartida, a prefeitura do município é uma das que oferece poucos incentivos fiscais para as empresas”, lamenta. Embora a Lucent Technologies esteja instalada no território campineiro, apenas tropicaliza os produtos desenvolvidos pelo Bell Labs – laboratório norte-americano com 16 mil cientistas e cerca de quatro novas descobertas por dia. “Há muito tempo a manufatura local é discutida, mas não há previsão de quando isso possa acontecer”, diz Fernando Marques, diretor de recursos humanos da corporação.

Ele ressalta que a cidade tem todas as condições para que uma filial do laboratório norte-americano seja instalada, já que “Campinas é comparada ao Vale do Silício”. Mesmo assim, cerca de cinco pessoas que moram na região adaptam os produtos vindos de fora.

Rogério Cezar de Cerqueira Leite, fundador do Ciatec (Companhia de Desenvolvimento do Pólo de Alta Tecnologia de Campinas), conta que antes do racionamento de energia recebia uma média de duas ligações ao dia de empresas interessadas nos laboratórios que compreendem os Parques I e II (8 mil metros quadrados), destinados aos setores de informática, microeletrônica, telecomunicações, etc.

“Ainda não podemos avaliar se a crise da energia prejudicará os novos negócios na região. Vamos esperar para saber como o mercado se comportará diante do fato”, analisa Leite, que também luta por melhores incentivos fiscais para ampliar a entrada de outras empresas.

Fórmula ideal

Trocar conhecimento local com o mundo. Essa é a combinação perfeita e o que transforma a cidade de Campinas em um teatro de novos experimentos. Leite afirma que os profissionais locais não são suficientes para atender a demanda e as empresas de TI contratam outros de universidades gabaritadas como USP (Universidade de São Paulo); ITA (Instituto de Tecnologia e Aeronáutica); UFRJ (Federal do Rio de Janeiro); Federal de São Carlos, etc. “Posso dizer que a qualificação dos profissionais dessas instituições de ensino e os nossos institutos de pesquisas, sem dúvida, são um motivo claro para a efetivação das empreses de TI em terras campineiras.”

Dos 14 mil metros quadrados da fábrica da Nortel, quatro mil são ocupados pela área de manufatura (estações de radiobase de tecnologia TDMA – Time Division Multiple Access –, equipamentos de estações de faseamento, etc.). Segundo Folegatti, a unidade fabril conta com 450 funcionários que moram em Campinas e em cidades vizinhas. A maioria – formada em engenharia, sistemas e administração de empresas – passou pelas principais escolas da região. Somente no laboratório, que iniciou suas operações em 1998, somam-se 200 pessoas.

Além disso, um grupo de aproximadamente 40 estagiários está distribuído em manufatura e a maioria voltada para pesquisa e desenvolvimento. O executivo da Nortel afirma que os estudantes são contratados ainda no segundo ano e contam com todos os benefícios de um funcionário efetivo.

Folegatti lembra que a nova Lei de TI exige que as empresas invistam parte das pesquisas no Nordeste. “Fechamos uma parceria com a Universidade Federal do Maranhão no mês passado e o projeto reverte em mão-de-obra recém-formada para trabalhar no desenvolvimento de novas tecnologias”, adianta.


Produção local

  • Dois Parques Municipais de Alta Tecnologia
  • Laboratório Nacional de Luz Síncrotron
  • Fundação CPqD – Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações
  • Instituto Nacional de Tecnologia da Informação
  • Embrapa Informática Agropecuária
  • Embrapa Monitoramento por Satélite
  • Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
  • Puc-Campinas


    A equação perfeita

    Na mesma proporção em que cresce o interesse pela exploração do Pólo de Tecnologia de Campinas também a contratação de mão-de-obra local aumenta. Essa equação é vista com bons olhos pela Secretaria de Cooperação Internacional.

    A tese é concluída por uma pesquisa realizada pela Arthur Andersen e pela revista Fortune que constatou a existência de outros fatores, além dos já citados nessa reportagem, na escolha das empresas para se instalar numa determinada região. Foram ouvidos empresários, diretores e profissionais com cargos de chefia em diversos lugares do mundo.

    A conclusão foi que, o primeiro indicador para se instalar numa região é o apoio que é dado pelo poder público local. Em seguida, a disponibilidade de profissionais que moram na cidade; infra-estrutura de tecnologia e telecomunicações; política governamental; taxas e impostos corporativos e a existência de colégios e universidades.

    Esses indicadores confirmam o otimismo de Leite sobre a expectativa da chegada de novas corporações. “Hoje, temos 400 alqueires que podem abrigar cerca de 500 instituições.”


    Uma verdadeira babel

    Novas tecnologias abrem as portas para culturas das mais diversas, além de aumentar a concorrência local. Assim é a babel de Campinas que recebe mensalmente uma gama de empresas de TI, principalmente telecomunicações. É o caso da recém-chegada NK, ligada ao grupo Draka – companhia finlandesa que atua no setor de cabos de radiofreqüência – que se instalou na cidade em outubro passado.

    A partir desse mês inicia a manufatura local de cabos para estações radiobase com uma equipe de 30 pessoas, sendo 90% técnicos e profissionais com sotaque campineiro.

    Com uma expectativa de dobrar o número de funcionários até janeiro de 2002, Poliana Paiva Teles Sant’Anna, diretora de marketing e vendas, está fechando parcerias locais como o CPqD, para desenvolvimento de testes de laboratório, e a formação de convênio com as principais universidades do município.

    |Computerworld - Edição 346 - 25/07/2001|

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