Carreira
Os 100 Melhores Lugares para Trabalhar em TI em 2005
Qual é o segredo para criar uma força de trabalho de TI forte e satisfeita? Mais do que dinheiro e benefícios, é o valor do próprio trabalho.

Por Mary Brandel, com tradução de COMPUTERWORLD
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Há dois anos, Bill McDonough lidera um dos projetos mais estressantes em que já se envolveu em sua carreira na área de TI. Ex-consultor de TI, McDonough agora é analista de sistemas sênior da Publix Super Markets Inc., uma das principais cadeias de supermercados dos Estados Unidos, com faturamento de 18,6 bilhões de dólares, que ocupa o 56o lugar na lista da pesquisa 100 Melhores Lugares para Trabalhar, coordenada pelo COMPUTERWORLD para 2005.
O projeto, ainda em fase piloto, visa substituir sistemas de ponto de venda em 852 estabelecimentos da Publix na Flórida, Estados Unidos, e em outros quatro estados daquele país. Cinco estabelecimentos já estão operando e até o fim do ano serão mais 120. Nos supermercados restantes, o trabalho deverá estar concluído ao final de 2006.
Por que McDonough está tão feliz? "É um projeto e tanto - alta visibilidade, grande estresse, longas horas, mas muita diversão", diz. "Colocar aquele sistema de ponto venda no supermercado foi uma grande realização."
McDonough não é o único que está satisfeito em sua função. Trabalhar em uma das empresas desta lista, publicada anualmente pelo jornal COMPUTERWORLD, é usufruir as recompensas de projetos desafiadores, salários competitivos e crescimento na carreira. Na realidade, esta pesquisa, feita junto a 20.435 funcionários de TI das empresas que estão no ranking, mostrou índices mais altos de satisfação do que os reportados na pesquisa do ano passado em muitas áreas, incluindo bônus, moral, cultura corporativa e segurança no emprego.
A que se deve o otimismo maior? Certamente, a uma discreta melhoria na economia norte-americana, embora a taxa de desemprego seja constante de 5,1%. Fora isso, a tendência do offshore continua inabalável - os entrevistados da pesquisa deste ano revelaram um aumento no uso de empresas offshore. São 69 empresas que utilizam, contra 47 no ano passado. A Forrester Research Inc. prevê que o crescimento de gastos com TI manterá o nível de 7% de 2004.
Mas a satisfação de McDonough tem pouco a ver com indicadores econômicos. Segundo ele, talvez esteja ligada ao fato de morar na Flórida Central, região dos Estados Unidos onde o clima é bom e as temperaturas são altas praticamente o ano todo. Ou talvez se deva à estabilidade da Publix, organização com 75 anos de existência, de propriedade de funcionários, onde quase um quarto da equipe de TI trabalha há mais de 10 anos e ninguém de TI foi demitido durante o desaquecimento econômico.
Um fator mais importante, porém, é a experiência de McDonough em trabalhar em um projeto expressivo, com uma equipe de profissionais TI e de negócios totalmente imbuída da missão do projeto e do que é preciso fazer para alcançar um bom resultado. Apesar do estresse, diz McDonough, é o melhor projeto no qual trabalhou. "Desenvolveu-se uma grande sinergia entre nós", revela McDonough. "Todo mundo tem o foco em resolver problemas e realizar o trabalho."
Além do Básico
Os funcionários de TI estão satisfeitos com sua remuneração, mas está se tornando evidente que apenas a recompensa monetária não catapulta uma empresa para a elite Melhores Lugares para Trabalhar do COMPUTERWORLD. Obviamente, a estabilidade financeira é importante para os funcionários de TI. E, de acordo com a pesquisa, há boas notícias no campo da contratação, salários e bônus. Outra boa novidade é a discreta queda nas demissões de funcionários, que foi de 46% em 2004 para 43% neste ano.
O mercado de trabalho mais desafogado provavelmente contribuiu para o aumento dos níveis de satisfação, avalia Paul Glen, consultor em gerenciamento de TI e autor do livro Leading Geeks: How to Manage and Lead the People Who Deliver Technology (nome em inglês para Liderando "Geeks": como gerenciar e liderar pessoas que entregam tecnologia). "Nos últimos três ou quatro anos, as pessoas não estavam deixando o emprego porque ninguém estava contratando", explica Glen, que é colunista do COMPUTERWORLD.
O consultor também acredita que muitas pessoas tenham conseguido sair dos empregos que detestavam. Além disso, diz ele, as organizações parecem estar iniciando novos projetos e dando novas oportunidades ao pessoal de TI.
Mas remuneração justa é só parte do jogo, segundo Glen. E é o que CIOs e funcionários rasos questionados na pesquisa gostam de enfatizar: a satisfação de realizar um trabalho importante claramente correlacionado a metas de negócio é valorizada tanto pelo pessoal de gestão quanto de negócio e recompensada como tal. Em uma era em que a fidelidade corporativa é quase inexistente, dizem alguns, contribuir com valor é sinônimo de segurança no emprego.
Isso não vai mudar com o aquecimento da economia, avisa Chris Avery, diretora da consultoria Cutter Consortium. "A maioria das empresas, embora queira ser competitiva, está se concentrando em criar ambientes de trabalho engajados para possibilitar que os funcionários de TI sintam que estão gerando valor, compartilhando responsabilidade e trabalhando em uma comunidade onde é agradável passar oito a 10 horas por dia."
Evidência Visível do Valor
Como as empresas da lista Melhores Lugares para Trabalhar fomentam esta atmosfera? Uma maneira é estruturar projetos de forma que profissionais de TI tenham visibilidade na linha de frente sobre a utilidade e a importância do que estão criando. "As pessoas adoram ver sua tecnologia sendo usada", diz Glen.
Na Novartis, que é a 20ª da lista, os grupos de TI trabalham diretamente com as várias unidades de negócio, sob o comando de um gerente de informações para o negócio, que enfoca questões estratégicas de uma unidade específica. Quando membros do grupo de TI responsáveis por desenvolvimento de marketing online vêem um anúncio da Novartis na tevê e um link para seu website, "vem a satisfação de termos contribuído para que isso ocorresse", diz Al DelloRusso, diretor executivo de serviços profissionais de e-business da companhia.
Este tipo de ligação não acontece à toa. Em reuniões bimensais, a equipe de TI ouve os testemunhos de clientes sobre os produtos da Novartis. "Eles entendem que realmente estão trabalhando para uma empresa de serviços de saúde", afirma Rob James, CIO da Novartis.
Na Universidade da Pensilvânia - onde os projetos são comandados por uma equipe conjunta que inclui um gerente de projeto da área de tecnologia e outro da área de negócio - o pessoal de TI está estreitamente ligado às funções da universidade. "Não importa se é o departamento de pesquisa, o departamento de admissão ou o serviço aos alunos", conta Robin Beck, vice-presidente de sistemas de informação da universidade, que ocupa o oitavo lugar na lista.
A universidade certifica-se de que os frutos do trabalho da equipe de TI sejam visíveis, por exemplo, criando um registro público de quanto dinheiro ela economiza utilizando o sistema de e-procurement baseado em web, desenvolvido, em parte, por TI. "Se você isola os profissionais de TI, eles se perguntam o que estão fazendo ali", diz Beck. "Mas, se eles estão trabalhando próximos aos seus clientes, eles desenvolvem um vínculo e vêem como o que estão fazendo contribui para a organização."
Negócio e TI Unidos
A visibilidade só é alcançada quando TI sai do isolamento e trabalha diretamente com o negócio. Durante o projeto de pontos-de-venda da Publix, dois ex-gerentes dos supermercados trabalharam com a equipe de McDonough em tempo integral, desde os requisitos até o teste final. Isso garantiu que o sistema atenderia às necessidades dos associados dos supermercados e fez com que os gerentes compreendessem do que o pessoal de tecnologia precisava para desenvolver um sistema infalível, diz McDonough.
Na Partners Healthcare Systems, um convênio de saúde que atua nos Estados Unidos, em 42º lugar na lista, os funcionários de TI interagem com todos os níveis da organização, desde executivos seniores a diretores médicos e funcionários de registro de pacientes e do laboratório. "O trabalho em equipe é estimulado e isso permite que você aprenda o negócio e as operações para poder valorizar o trabalho que você faz", diz Lisa Adragna, gerente de projeto sênior, há 20 anos na Partners. Adragna também aprecia o uso avançado de tecnologia na empresa. "Trabalhamos em coisas que outras pessoas ao redor do país ainda não fizeram", como um índice-mestre corporativo de pacientes, que a Partners foi umas das primeiras a desenvolver.
Sentar os profissionais de TI com as pessoas às quais eles dão suporte é um elemento fundamental da força de trabalho ágil que Avery, da Cutter Consortium, vê as corporações visionárias tentando desenvolver. Em outras empresas, os clientes trabalham com a equipe de TI em tempo real, diz ele. Mas a verdade é que as equipes bem-sucedidas só podem ser incentivadas, nunca forçadas. O ingrediente-chave é permitir que elas se concentrem em um trabalho importante.
Recompensas Expressivas
Não só o trabalho, mas também o modo como você recompensa o trabalho precisa ser significativo. As empresas que estão nesta lista têm uma variedade de programas de compensação, que variam de cerimônias onde os funcionários são homenageados pelo CEO a bônus relacionados a desempenho, reuniões sociais, agradecimentos por escrito e cartões-presente.
Mas o reconhecimento de colegas talvez seja ainda mais significativo. Funcionários da CSAA são incentivados a distribuir prêmios não monetários a colegas que estão seguindo os seis principais valores definidos pela organização. Além disso, por meio do programa Quick Hits da CSAA, eles podem distribuir um total de quatro vales-presente de 25 dólares um ao outro em um ano.
E isso ajuda a tornar a coisa toda divertida. Em grandes reuniões na Novartis, a equipe de TI assistiu colegas e gerentes fazerem paródias de O Aprendiz e cantar caraoquê "muito mal", conta James.
Ótimas Relações
Mas, assim como você não pode forçar o bom trabalho em equipe, também não pode forçar a diversão. Como diz Glen, se as pessoas estão preocupadas com a segurança no emprego, promover reuniões para comer pizza às sextas-feiras é o mesmo que planejar uma comemoração no corredor da morte para animar alguém.
Ao mesmo tempo, boas relações podem influenciar a qualidade da cultura corporativa. A qualidade das relações no escritório é um ingrediente importante para os funcionários ouvidos pelo COMPUTERWORLD: 94,8% reportam que mantêm boas relações com colegas de trabalho.
Na Universidade da Pensilvânia, relações positivas são fruto tanto do ambiente de comunicação aberto da universidade quanto de sua disposição para confirmar o valor de contribuições individuais por meio de ação tangível, de acordo com Marion Campbell, diretora de TI. Quando seu grupo quis enfatizar a importância de preparar usuários finais para nova tecnologia, cunhou o termo "preparo da comunidade", que agora é usado em todos os projetos.
A equipe de TI da Novartis adotou reuniões em espaços neutros para encorajar a cultura de "falar abertamente". As reuniões, com freqüência, giram em torno de uma única pergunta para os funcionários. O objetivo, explica James, é botar as cartas na mesa, colocar uma questão difícil para as pessoas discutirem sem medo de repercussões.
Obviamente, uma empresa só é um bom lugar para se trabalhar se os profissionais de TI que trabalham nela percebem-na como tal. E isso só pode acontecer quando há um bom casamento entre empregador e empregado. "É o mesmo que perguntar qual é o melhor país para morar", compara Glen. "Trata-se de conseguir o melhor casamento entre o ambiente e a equipe."
De sua parte, McDonough diz que, embora talvez preferisse pescar o dia inteiro se não precisasse do pagamento, a felicidade vem de saber que concluiu um projeto que proporcionou às pessoas o que elas precisavam sem perder uma noite de sono. "Gosto de trabalhar em uma empresa estável com um salário decente."
Veja alguns números da pesquisa de 2005:
92% das empresas programaram aumento de salário dos funcionários de TI para este ano.
87% das empresas programaram bônus para o pessoal de TI este ano.
49% das empresas aumentaram a quantidade de treinamento por profissional de TI.
61% das empresas esperam aumentar a equipe de TI nos Estados Unidos (em média em 9%)
3% das empresas esperam diminuir a equipe de TI nos Estados Unidos (em média em 6%)
36% das empresas esperam manter a equipe de TI do jeito que está.
11% dos profissionais de TI foram promovidos no último ano fiscal, em média.
7% foi a média do "turnover" em equipes de TI no último ano fiscal.
Fonte: pesquisa Best Places to Work 2005, do COMPUTERWORLD.
SALÁRIO-BASE
Satisfeito 48%
Muito satisfeito 23%
Nem satisfeito, nem insatisfeito 14%
11% Insatisfeito
4% Muito insatisfeito
BÔNUS
Satisfeito 31%
Muito satisfeito 26%
Nem satisfeito, nem insatisfeito 14%
11% Insatisfeito
11% (Não se aplica: não tem bônus ou recebe de outras formas)
7% Muito insatisfeito
EQUILÍBRIO VIDA/TRABALHO
Satisfeito 44%
Muito satisfeito 27%
Nem satisfeito, nem insatisfeito 15%
Insatisfeito 10%
Muito insatisfeito 4%
NÍVEL DE ESTRESSE NO TRABALHO
Um pouco estressante 46%
Estressante 25%
Não muito estressante 17%
Muito estressante 10%
Nem um pouco estressante 2%
Confira agora a lista das 100 melhores empresas para se trabalhar.
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