Carreira
Mercado de BI inicia nova fase
<img src="http://computerworld.uol.com.br/AdPortalv5/images/exclusivo_online.gif">Novo CEO da Business Objects prepara companhia para mudanças e nova abordagem ao mercado.
Por Luciana Coen
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Praticamente na mesma semana em que Larry Allison anunciava a aquisição da Siebel, John Schwarcz, então principal executivo da Symantec, aceitava o convite para ser o CEO da Business Objects. O fundador da empresa franco-americana de BI Bernard Liautaud, entregaria seu bastão à Schwarcz, para ser o estrategista e chairman de sua empresa. Líder no mercado de business intelligence e tendo alcançado a marca de um bilhão de dólares de faturamento anual, a Business Objects encontra-se uma situação delicada no mercado.
Na prática, a companhia aumenta cada vez mais sua distância das outras líderes em sua área, com enorme potencial para tornar-se referência em seu mercado. Por outro lado, nove entre 10 executivos da área acreditam que a companhia será o próximo alvo de Larry Allison. Em sua primeira entrevista exclusiva na América Latina, concedida ao COMPUTERWORLD, o novo CEO da companhia fala sobre seus planos na casa nova e rebate os rumores de mercado.
COMPUTERWORLD - Quais são os seus planos para a companhia e o que te fez deixar tua posição anterior e te atraiu para a Business Objects?
JOHN SCHWARCZ - Bom, eu sempre gostei a área de aplicações e soluções para usuários finais. Eu trabalhei nesta área por duas ou três vezes em minha carreira. Como, de toda forma, eu queria ser um CEO, este seria um caminho natural a trilhar. Em segundo lugar, hoje em dia, se você quer ser um Chief Executive Officer, você, em geral, vai conseguir emprego em uma empresa que precisa ser arrumada. Em geral é uma empresa quebrada, alguma coisa está errada, o antigo time não fez um trabalho muito bom. Portanto, os primeiros um ou dois anos são para colocar a casa em ordem e não exatamente para fazer a companhia crescer. Este não é o caso da Business Objects. A empresa é muito saudável, está indo muito bem. Você pode ver uma grande platéia plena de clientes satisfeitos. Então, para mim é uma oportunidade maravilhosa para chegar e conseguir desenvolver o negócio a partir do primeiro dia de trabalho. Não tenho de me preocupar com o passado, nem com grandes problemas. Isto também foi muito atraente para mim. A decisão de vir foi fácil de ser tomada, ainda que meu trabalho anterior, na Symantec, também fosse bom e a Symantec esteja indo muito bem. Esta é uma oportunidade que eu simplesmente não poderia ter deixado passar.
CW - E quais são as metas da Business Objects para 2006?
SCHWARCZ - Como tentei explicar na apresentação de abertura do evento, o objetivo é capitalizar em cima de uma série de boas oportunidades para a companhia. A primeira delas é o nosso ciclo de produtos, que está em uma fase que indica o início de um crescimento de vendas significativo. Acabamos de lançar a segunda versão XI do nosso sistema e clientes têm respondido muito bem. Claramente, o próximo ano será um período de migração e conversão, fazendo com que clientes atualizem seus sistemas. E, neste processo, queremos padronizar a Business Objects como sendo a principal - talvez única - aplicação de BI dentro da empresa. Então, migração e padronização são focos de 2006.
Depois disso, tem uma oportunidade que é capitalizar em uma outra tendência que é estarmos mais próximos do usuário final, nos organizando de forma verticalizada. Com isso, iremos entender melhor nossos clientes. Queremos adicionar mais aplicações analíticas e mais serviços e passaremos a entender ainda melhor os clientes. Queremos alcançar uma nova classe de clientes, que não estão apenas olhando para queries e relatórios, mas também querem assistência para tomada de decisões e gerenciamento de performance analíticos. Esta também é uma grande oportunidade de crescimento e estamos investindo para adicionar estes recursos em nosso portfólio.
Outro lugar em que queremos estar é no mercado de middle market (médias empresas). Business Objects tem figurado, certamente, nas grandes empresas. Crystal Decisions, que adquirimos há cerca de três anos (a Business Objects anunciou a compra da Crystal Decisions há pouco mais de dois anos, em julho de 2003, e formalizou em outubro de 2003), atuava mais no middle market, fundamentalmente no mercado norte-americano. Queremos agora estender a presença que temos em mid-market nos Estados Unidos, para outras regiões geográficas. Queremos aprender com o trabalho que temos da Crystal Decisions. Então, esta é outra oportunidade significativa.
O último ponto que quero endereçar é "executar globalmente". Temos feito um bom trabalho nos Estados Unidos e Europa. Mas temos de fazer um trabalho melhor na Ásia e América Latina. Temos presença nas suas regiões mas eu diria que ainda é imatura.
CW - Por que você acha que as operações da América Latina e da Ásia são imaturas?
SCHWARCZ - É mais recente do que em outros países e as pessoas não têm a mesma experiência. O marketing que temos feito nestas áreas não tem sido moldado e seu alvo não tem sido como deveria ser. Na verdade, os clientes não estão tão "prontos" para a nossa tecnologia, como o estão na América do Norte e Europa. Então, temos de crescer juntamente com nossos clientes. E conforme os clientes vão crescendo eles terão necessidades relacionadas a business intelligence. E neste momento, nós estaremos lá e ajudaremos a adotar a tecnologia.
Estamos certamente investindo na Ásia e estamos ajudando o time da América Latina para buscar melhores habilidades, buscar mais habilidades consultivas e tornarem-se mais competentes, lidando com clientes mais "sênior".
Estes são os movimentos-chave para o ano de 2006, eu diria. Movimentos: migração de outras versões, padronização da ferramenta da Business Objects nas companhias, a engine analítica ficando mais próxima do usuário final e a execução global.
CW - Quando diz que está investindo em consultoria na América Latina, você quer dizer consultoria como serviços? Como a Business Objects vê a área de consultoria? A empresa pretende ter uma área de serviços rentável ou apenas suporte para a venda de produtos?
SCHWARCZ - Serviços hoje é responsável por cerca de 14% dos nossos negócios. Estou colocando nesta conta consultoria e educação, não suporte. Hoje, é uma parte rentável da nossa companhia. Minha expectativa é que seja mais rentável. Claramente, é um segmento medido como negócio.
No entanto, somos uma empresa de tecnologia, de produtos. Então, a capacidade de entregar serviços que estamos construindo está dentro do contexto de ajudar nossos clientes a usar a nossa tecnologia e ensinar nossos parceiros a desenvolver sobre nossos produtos. Nosso approach ao mercado, do ponto de vista de serviços, é, em sua maioria, por meio de parceiros.
Embora tenhamos capacidades de serviços e esta ser uma área de negócios, é um viabilizador de produto. Queremos que serviços cresça no mesmo ritmo que é o restante dos nossos negócios.
CW - Em sua apresentação, ontem, você falou sobre a nova solução para varejo. Está no planejamento de 2006 verticalizar produtos e força de vendas dentro da estrutura da empresa?
SCHWARCZ - Sim. Falei sobre a parte analítica do portfólio. Esta parte precisa estar especializada por indústria. Vamos desenvolver serviços com foco em indústria, temos de ter modelos de dados com foco em indústrias específicas, temos de ter informações e melhores práticas sobre como clientes em determinados setores utilizam business intelligence.
Então, minha expectativa é que temos de achar uma forma de nos tornarmos mais verticalizados por indústria. Nos time de serviços tem de ser mais especializados. Nossa força de vendas tem de estar verticalizada e não dividida por uma região geográfica, com foco em qualquer cliente. Teremos de ter grupos com foco em finanças, transportes, telecom e outros...Esta será a mais importante mudança na forma como abordamos o mercado, nos próximos dois anos.
CW - Agora gostaria de saber a sua opinião a respeito de outras empresas do mercado de TI. Diga-me o que acha da Cognos.
SCHWARCZ - O que você quer saber sobre eles?
CW - Qual é a sua visão sobre a empresa.
SCHWARCZ - Eu colocaria nossos competidores em duas características. Empresas como Cognos, Hyperion, MicroStrategy, entre outras, que são nossos competidores que eu diria estarem em um modelo antigo de pensar. Ele são players de nicho, que não têm presença, não têm alcance no mercado, não tem habilidade de influenciar decisões em setores muito seniores das companhias.
Tem outra categoria de competidores, que são estrategicamente mais importantes para nós. São empresas como SAP, Microsoft e Oracle e, talvez, IBM. Estes competidores são diferentes porque somos parceiros deles. Eles são nossos parceiros e temos tido muito sucesso na aproximação do mercado, juntamente com estas parcerias.
Mas eles estão agora vendo a oportunidade no mercado de business intelligence. E têm falado em, pelo menos, agregar capacidades de BI em seus portfólios.
CW - É uma relação delicada que vocês mantêm com estas empresas.
SCHWARCZ - Sim, é uma relação delicada e temos de achar um balanço nesta relação. O foco real desta companhia é como nós crescemos e sobrevivemos à frente de companhias como SAP, Oracle, Microsoft. Enquanto continuamos sendo parceiras delas. Francamente, não perco o sono com empresas como Cognos e outras de nicho. Meu foco está em estarmos à frente no mercado, juntamente com "as SAPs".
CW - Como você vê a SAS Institute no mercado?
SCHWARCZ - Eles são uma empresa interessante e têm excelentes soluções na área analítica, o que é um mercado no qual estamos muito interessados em entrar. Eles fizeram excelente trabalho no que diz respeito à verticalização de indústrias, internamente.
No entanto, não os vejo como um competidor que tem a mesma gama de produtos que temos. Nós não temos apenas soluções analíticas, como eles, mas temos também a plataforma de integração de dados e outros. Temos também queries e reports, que são a tecnologias essências na indústria de business intelligence hoje. Eles são um competidor especializado e estaremos acima deles, como temos de estar, no mercado.
CW - Há duas coisas sobre você que me interessaram. A primeira foi que, quando entrou na Symantec, ela era uma empresa com faturamento anual de um bilhão de dólares - como o é hoje a Business Objects. E quando você deixou a companhia, há alguns meses, o faturamento triplicou.
SCHWARCZ - Não fui somente eu. Eu tive um bom time.
CW - É este o seu objetivo na Business Objects? Em quanto tempo?
SCHWARCZ - Sim, eu estive na Symantec enquanto a companhia cresceu muito. Eu acredito que a Business Objects está em uma posição similar hoje, à da Symantec há quatro anos. Estamos no início de um mercado em expansão. BI é algo que está no topo (em primeiro ou segundo lugares) da lista de investimentos da maioria dos CIOs. Eu acredito que clientes estão olhando muito atentamente a soluções de BI, que podem ajudá-los a gerar retornos sobre investimento em aplicações como ERP e CRM.
Agora que já têm estes aplicativos instalados, eles têm muitos dados armazenados. E tirar informações de tantos dados sem uma ferramenta de CI é difícil. Então, ferramentas de BI acabam sendo um investimento prioritário. Tudo isso indica que nós estamos no início de uma grande curva de crescimento. Não sei se poderemos replicar a mesma coisa que fizemos na Symantec. O que posso dizer é que esta empresa pode se tornar uma empresa de mais de um bilhão de dólares. Achamos que podemos nos tornar uma das "Top 10" empresas de software no mundo. E estou trabalhando para ter certeza de que isto acontecerá.
CW - Outro dado importante no seu histórico é sua experiência e participação na compra da Veritas pela Symantec. Gostaria de saber se você veio para a empresa para prepará-la para ser adqurida.
SCHWARCZ - Não. Não entrei nesta companhia para vendê-la. Este não é o plano. Tenho experiência em aquisições de empresas. E, neste contexto, estas empresas (que estão adquirindo) já provaram ao mercado que sabem como adquirir, sabem como tirar valor destas aquisições. Acho que aquisições no mercado têm um papel importante na curva de crescimento da Business Objects. Então, continuaremos a ser uma companhia a adquirir. Ao mesmo tempo, nosso estratégia principal é o crescimento orgânico. Temos 1,3 mil engenheiros e 1,8 mil profissionais de vendas, podemos crescer nossos negócios na mesma velocidade ou até acima do mercado. E este é o principal objetivo. E, se tivermos buracos em nosso portfólio ou clientes exigerem funcionalidades que não temos, poderemos comprar tecnologia no mercado.
CW - Você tem algum hobby?
SCHWARCZ - Tenho, mas não tenho tido tempo para eles... Sou um velejador. Acima de tudo, adoro o mar e adoro velejar. Tudo o que for feito na água, eu gosto. E quanto maior for o mar e mais salgado, mais eu gosto.
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