Carreira
Aonde anda você?
Profissionais de TI que marcaram a história do setor em diferentes momentos seguem rumos também distintos, porém, em busca do mesmo fim: um dia-a-dia menos desgastante.
Por Fernanda K. Ângelo
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Quantas e quantas vezes, em encontros com colegas da área, ou mesmo por simples curiosidade, você não se questionou sobre o paradeiro de alguns profissionais que de uma forma ou outra gravaram seus nomes na história da TI no Brasil? Onde estão e o que fazem atualmente alguns dos profissionais que marcaram esse mercado?
Em sua grande maioria detentores de cargos executivos, eles enfrentavam ritmos alucinados de trabalho, com expedientes diários nunca inferiores a 12 ou 14 horas, e tiveram sua importância em tempos distintos pelos quais o setor passou. Alguns deles, num dado momento, decidiram deixar de uma vez o mercado de TI, afastando-se de qualquer sinal que pudesse remeter a ele. Outros, menos radicais, optaram por apenas se afastar para dedicar-se a tarefas menos desgastantes.
COMPUTERWORLD foi atrás de alguns daqueles que já foram personagens freqüentes de suas páginas. Os destinos seguidos por eles são variados, mas o motivo para a mudança de rumo é o mesmo: a busca de melhor qualidade de vida. Veja onde foram parar alguns desses profissionais.
Alberto Perazzo
No mercado de tecnologia
Dedicou-se à presidência das empresas Bull e Integris - divisão de serviços - na América Latina por 27 anos: entre 1975 e 2002. Desde então, está no conselho de administração de algumas companhias do setor de TI. Entre elas, a própria Algar, com quem a Bull já manteve uma joint-venture, desfeita em 1999.
Como marcou a história
Argentino naturalizado brasileiro, Alberto Perazzo chegou ao Brasil em 1975 para presidir aquela que foi uma das pioneiras na fabricação de equipamentos telefônicos e produtos de TI na Europa, a Bull. O executivo conduziu os negócios da empresa em toda a América Latina até 2002. Em 1983, participou das negociações envolvendo a criação da joint-venture entre a Algar e a Bull. A empresa franco-brasileira ganhou o nome de Algar Bull Computer & Communications e atuava no mercado de TI e telecomunicações. A parceria durou até 1999, quando a Bull comprou a parte da brasileira.
Depois da TI
Ao longo dos últimos 18 anos, paralelamente a suas atividades na Bull, Perazzo está na Fides (Fundação Instituto de Desenvolvimento Empresarial e Social). "A Fides incorporou o balanço social e trouxe a discussão da ética nas empresas - que ainda se faz cada vez mais importante", destaca o profissional, atual presidente e professor dos cursos de formação executiva da fundação. Além disso, Perazzo ministra cursos na FGV. Hoje, o profissional também é sócio-diretor da TDC, empresa de desenvolvimento de cursos e atividades executivas ligadas a universidades internacionais. Todas as atividades atuais de Perazzo - ou a grande maioria delas - estão relacionadas ao seu desejo de disseminar a importância e a dimensão ética implícitas no uso da tecnologia e da internet. "Conhecer informática não significa ter a última geração das tecnologias porque isso não faz ninguém melhor do que 25 anos atrás. A idéia é fazer com os jovens usem a tecnologia para se tornarem pessoas melhores, pessoal e profissionalmente", conclui o futuro filósofo.
Augusto Pinto
No mercado de tecnologia
Augusto Pinto ocupou o cargo de diretor-geral para o Brasil em empresas como SAP e Siebel
Como marcou a história
Augusto Pinto destaca-se por ter ajudado no sucesso da SAP no Brasil e por viabilizar o início da Siebel no País. O executivo passou pela IBM, depois foi para a SSA. Nessa época, a SAP já havia cogitado a vinda para cá, mas receava ter problemas de tropicalização de seu produto. A Origin foi então selecionada para essa tarefa. Passado cerca de um ano e meio, em 1994, a SAP decidiu comprar a célula da Origin que fazia essa tropicalização, juntamente com tudo o que a empresa havia desenvolvido, e instalar-se no Brasil. Foi aí que o executivo assumiu a diretoria da subsidiária local da companhia. No caso da Siebel, Augusto lembra que a empresa tinha uma estrutura informal na América Latina, com gerentes espalhados pelos países. Em 1999, o executivo foi chamado para centralizar as operações."Aproveitamos todo o ecossistema que a SAP já tinha na região", confessa.
Depois da TI
Embora esteja mais envolvido com o mercado de consultoria e comunicação, Augusto não deixou de vez o mercado de TI. Em 2001, criou o Grupo RMA para auxiliar clientes em seus processos de comunicação e negócios. "No entanto, a maioria dos clientes sequer sabia qual o seu posicionamento no mercado", declara Augusto. Foi então que decidiu abrir a Positioning, consultoria estratégica com foco exclusivo no aumento da competitividade em vendas para o mercado de TI, em 2002. Hoje ele é sócio-diretor do grupo que engloba a RMA Comunicação e a Positioning.
Jorge Schreurs
No mercado de tecnologia
Foi country manager da Compaq e COO (Chief Operations Officer) do Submarino, entre 1998 e 2001
Como marcou a história
A grande contribuição de Jorge Schreurs para o mercado brasileiro de Tecnologia da Informação (TI) se deu por conta de sua insistência em estimular as vendas de computadores pessoais no País. Em 1992, o executivo, então diretor de marketing e vendas da Johnson & Johnson Brasil, foi convidado a abrir a subsidiária nacional da hoje extinta Compaq - a empresa foi absorvida pela HP em 2001. O ex-country manager conta que a empresa passou de um faturamento local de 5 milhões de dólares para 500 milhões de dólares (o número inclui vendas no Brasil e exportação para a AL) durante sua gestão, entre 1992 e 1998. Schreurs ainda lembra que comandou a abertura da planta de produção no Brasil. "Foi uma experiência espetacular", afirma. Deixou a companhia por defender a venda de PCs de baixo custo em grande escala, estratégia diferente da defendida pelos seus proprietários nos Estados Unidos. Em janeiro de 2000, o executivo foi contratado como COO da loja virtual Submarino.com. Ele iniciou o processo de abertura da empresa em cinco países, além da expansão de suas operações no Brasil. No entanto, estas atividades contavam com o capital que seria gerado com o lançamento de suas ações na bolsa. "Como o processo de abertura de capital foi suspenso, deixou de ser um projeto para mim", explica Schreurs, que deixou a companhia cerca de um ano depois.
Depois da TI
De lá pra cá, o profissional optou por empregar os aprendizados sobre planejamento, gestão de marca, estrutura organizacional e estratégia em negócios próprios. O hoje empresário voltou para o mercado de varejo, bem longe de TI, onde controla o Baoba Hotel, em Taubaté (interior de São Paulo), e a empresa de cosméticos e produtos de cuidados pessoais New Care Brasil.
Pedro Donda
No mercado de tecnologia
Desde 1969, trabalhou em empresas como Citibank, Americanas.com e Ibope Digital, entre outras, sempre em áreas ligadas à TI.
Como marcou a história
Pedro Donda ficou conhecido entre os profissionais de TI pela criação da loja virtual Americanas.com. Em 1969, fez um teste na IBM, e foi selecionado para fazer um de seus cursos. Ficou quase dois anos em treinamento, até começar como estagiário na Ericsson (cliente da Big Blue). Em 1980, decidido a mudar de rumo, foi pro Citibank. Fez um MBA executivo subsidiado pelo banco, e acabou indo para a área de negócios da instituição. Mais tarde, seu conhecimento sobre TI o levou a liderar o grupo para a criação da Interchange. "A partir deste contato com o mercado de varejo, conheci o pessoal da Americanas", lembra. Em 1999, foi para a GP Investimentos, dona da Americanas, onde acabou convidado a criar a Americanas.com. Suas tarefas incluíram desde a composição de um grupo de profissionais até a busca por investidores estrangeiros. Donda se tornou presidente da Americanas.com. Na ocasião, a Amazon era uma espécie de benchmark para sua equipe, embora acompanhassem outras iniciativas americanas de comércio eletrônico, de acordo com ele.
Depois da TI
Em 2003, ele reativou sua empresa de consultoria, a KD Consulting. Além disso, trabalha com Gerenciamento Interino. Ele explica: "Trata-se de clientes que não podem ficar com um gap entre a troca de profissionais de nível gerencial, por exemplo. Então contratam alguém com conhecimento de mercado para 'tapar o buraco'".
Vânia Ferro
No mercado de tecnologia
Passou 26 anos no mercado de TI. Foi diretora técnica da extinta Solaris, uma das primeiras empresas multinacionais desembarcarem no Brasil. Depois, dirigiu a 3Com no País.
Como marcou a história
Formada em Física e Matemática aplicada, ela passou por praticamente todas as possíveis experiências dentro do mercado de TI. Na época da reserva de mercado, começou desenvolvendo aplicações na Itautec, depois trabalhou na criação de tecnologias e produtos para o setor e na instalação de sistemas. Por fim, ela ajudou a instalar empresas internacionais no País. "Toda essa experiência me deu um pouco de conhecimento sobre cada coisa", justifica a executiva.
Quando o mercado se abriu, ela foi diretora técnica da Solaris, uma das primeiras multinacionais de TI a entrarem no Brasil. Em 1993, foi para a 3Com, empresa cujas operações no Brasil ela dirigiu até 2001. "Quando aprendi mais sobre mercado (além do conhecimento técnico), era a única mulher de tecnologia responsável pela gestão de uma empresa no setor de TI", lembra Vânia.
Depois da TI
Vânia deixou a 3Com em busca de um pouco mais de qualidade de vida. Por dois anos, foi a principal executiva da organização não-governamental Care. Mas também saiu da ONG, em 2003, por considerar que a atividade demandava tanta dedicação de sua parte quanto uma empresa do setor privado. "Há uma fase em que buscamos mais qualidade de vida. E é nessa fase que eu estou. Tenho uma neta, de quem quero ficar próxima", explica. Além disso, diz ela, "inovação é importante. Pessoas mais maduras têm de contribuir não mais como executivas, mas como conselheiras. Temos que fazer o mercado girar e dar lugar para os mais jovens", defende. Hoje, Vânia é conselheira de ONGs e empresas do setor privado. Além disso, leciona no MBA executivo da Escola Politécnica da USP e tem sociedade em uma pousada em São Miguel dos Milagres, em Alagoas, Estado natal de seu pai.
Odécio Grégio
No mercado de tecnologia
Construiu sua carreira ao longo de 33 anos na área de TI do maior banco privado brasileiro, o Bradesco.
Como marcou a história
Responsável por colocar no ar a primeira página ".com.br" da internet. Isso poderia ser suficiente para justificar a importância de Odécio Grégio para o mercado nacional de TI. Mas ele fez muito mais. Grégio trabalhou na primeira empresa de TI do Bradesco, que fabricava equipamentos de microfilmagem. Depois, dirigiu a Digilab, também do banco, esta responsável pelo desenvolvimento da automação bancária. O profissional ainda foi diretor da Scopus. "Era época da reserva de mercado, então tínhamos a tarefa de nacionalizar todas as soluções e produtos", conta.
Aí veio a época da internet. E Grégio, entre outros projetos, gerenciou todo o processo de automação bancária e criação dos portais financeiros e de internet banking da instituição, ambos pioneiros no Brasil. Em 1995, dirigiu o desenvolvimento do portal corporativo do banco.
Um ano depois, conta Grégio, atendendo à demanda dos correntistas, criaram o internet banking. A partir dele, desenvolveram um sistema de pagamento seguro. "Como ganhava pelas transações bancárias, o Bradesco (por meio da Scopus) começou a incentivar o comércio eletrônico no País", revela o executivo. Segundo ele, a empresa ajudava a criar lojas virtuais de forma que o movimento online fosse incrementado.
Depois da TI
Grégio ficou no banco entre 1968 e 2002, quando se aposentou. Atualmente, o executivo é sócio-diretor da Tritone, criada "para tocar a vida", como ele mesmo descreveu. A empresa desenvolve sites e soluções de interatividade na internet, e atua no mercado de publicidade.
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