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Carreira

Sobrevivendo à demissão: a história de um CIO

No início de 2003, me vi desempregado. E, embora a demissão não tenha sido de todo uma surpresa, nem sempre é fácil prever o que vai acontecer e como você vai reagir quando for confrontado com uma situação como essa.

Por *Depoimento de Timothy R. Seiter para o COMPUTERWORLD

24 de janeiro de 2006 - 17h03
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Fui vítima de um processo de aquisição de uma empresa privada por uma empresa pública. Era CIO e sabia que acabaria indo embora quando a integração da tecnologia das duas empresas atingisse a estabilidade. Mas não previ o timing exato, porque a empresa pública havia eliminado grande parte da equipe de gerência em um corte de custo inicial para apresentar um ROI mais rápido.

Uma implementação PeopleSoft fracassada também causou grande impacto, já que não foi possível emitir faturas por três semanas, gerando o que poderíamos chamar de "problema de fluxo de caixa". No fim das contas, o comprador pagou caro demais, em dinheiro e ações, por minha empresa e tratou mal a gerência da organização porque não tinha familiaridade suficiente com o segmento da indústria no qual estava entrando. Achava que conhecia o suficiente, mas não conhecia.

Não manter a equipe de gerência que entendia realmente o segmento de atuação da empresa resultou em uma queda rápida nas vendas. Isso provocou várias rodadas de demissões, algumas profundas e rápidas demais, causando um ciclo de queda nas vendas e de preço de ações ainda maior (de 25 para três dólares o papel em menos de um ano). Eu estava fadado a sair, sabia que o dia chegaria; só não sabia exatamente que dia seria.

O empurrão final veio quando divulgaram a nova estrutura de gerência de TI para todos em antecipação à nova reestruturação. Meu nome não estava lá. Todos no meu departamento comentaram o assunto em tom de brincadeira, muito mais ainda depois que indaguei e recebi uma resposta evasiva. Eu sabia que estava sendo posto de lado: prejuízos crescentes, além da minha grande e contínua resistência a implementar as soluções da PeopleSoft na minha organização (agora uma divisão), principalmente após uma implementação J.D. Edwards bem-sucedida. Tudo isso antes da PeopleSoft ter comprado a J.D. Edwards em uma tentativa fracassada de afugentar a aquisição da Oracle.

De qualquer forma, meu pacote de desligamento foi uma piada e não chegou nem perto daquele negociado durante a aquisição. A data marcada foi: três semanas antes da conversão de minhas opções da empresa pública em ações. Mas isso não importava; as opções estavam em 18 dólares e as ações em 3,25 dólares não valeriam o papel para imprimi-las.

O preço da ação, atualmente, está em torno de 5,50 dólares e tem um EBITDA (ganhos antes de impostos, depreciação e amortização) positivo no caminho de ter um fluxo de caixa positivo. Tudo isto depois que a empresa deu baixa em mais da metade da compra da empresa privada e demitiu toda a equipe de gerência sênior da empresa pública, incluindo minha contrapartida no cargo de TI, por causa do fracasso da implementação PeopleSoft (sete milhões de dólares acima do orçamento, o dobro da estimativa inicial do projeto inteiro e dois anos e meio de atraso).

Eles ainda não empurraram PeopleSoft para a empresa adquirida porque lá ninguém quer; exigiria muita customização a um preço muito alto e proporcionaria apenas 70% da funcionalidade atual.

Minha esposa e eu estávamos preparados para o pior e tínhamos vários meses de salário disponíveis. Sabíamos que poderíamos viver com o cheque de pagamento de um ou de outro sem ter que devorar nossa poupança. Minha esposa tem participação em uma empresa familiar de auditoria independente e por isso estávamos confiantes que seu cargo jamais lhe seria tomado sem muito aviso prévio.

Decidi ficar livre no verão para não ter de pagar para cuidarem dos meus filhos e dediquei meu tempo a levá-los a parques de diversão, ao zoológico e ao museu das crianças perto da minha cidade. Não previ os desafios de conseguir um cargo equivalente na minha cidade. É uma área metropolitana razoavelmente grande, com muitas empresas médias e grandes, mas ninguém estava contratando na época. Eu disse: - ninguém.

Mudar de cidade estava fora de cogitação por causa da empresa familiar da qual minha esposa fazia parte e fiquei desempregado por algum tempo. Depois fundei uma empresa e conquistei alguns clientes rapidamente. Assim tivemos renda adicional para pagar a mensalidade da escola católica das crianças, da qual não abríamos mão.

Olhando retroativamente, eu e minha esposa reconhecemos que o período que levou à demissão foi muito estressante. Ninguém gosta de ser considerado desnecessário. Todo funcionário luta para se tornar um membro indispensável de uma empresa - e toda empresa luta para garantir que ninguém seja indispensável. Afinal, o cemitério está cheio de pessoas imprescindíveis. Isso me fez questionar meu próprio valor e o que eu tinha feito com a minha vida. Já que é freqüente nos definirmos por nossos empregos. Temos dificuldade para aceitar a idéia de que não somos necessários. A pausa de verão me ajudou muito e me aproximou dos meus filhos. Eu repetiria esta experiência sem hesitação. Recuso-me a ir para o túmulo dizendo que gostaria de ter passado mais tempo com meus filhos.

Acabei fundindo minha empresa com outra. Um ano depois, estou gerando receita e ajudando a tomar decisões sobre o futuro da empresa. Viajo mais a trabalho agora, mas isso será menos freqüente à medida que a empresa continuar a crescer. O mais importante é que usufruo minha situação atual tanto em casa quanto no trabalho.

(Seiter é diretor da divisão de serviços ITIL da Conexio LLC em Cincinnati.)

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