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Carreira

Fiorina: lidere, sem vender sua alma

Durante seminário Global Business Forum, Carly Fiorina, ex-HP, revela seus conceitos sobre liderança e comenta os dias negros à frente da HP, uma companhia 'temerosa a mudanças', segundo ela.

Por COMPUTERWORLD

01 de março de 2006 - 10h35
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"Não venda sua alma. Existem muitas oportunidades de vendê-la durante a vida, mas se você o fizer, ninguém jamais lhe pagará". Foi com uma consideração como esta que Carly Fiorina, ex-CEO da Hewlett Packard, marcou sua participação no Global Business Forum, conferência realizada com líderes de negócio na Austrália.

Durante sua apresentação, realizada após uma palestra do ex-presidente norte-americano Bill Clinton, a executiva falou sobre seus dias mais negros na HP e a batalha para transformar uma companhia "temerosa a mudanças". Fiorina declarou que a HP esqueceu suas raízes como empresa inovadora. Armada com a crença de que não é o mais forte que sobrevive, mas aqueles que se adaptam mais rápido às mudanças, a meta da executiva era transformar a HP e recolocar a companhia mais próximas de suas raízes.

"A HP esqueceu que era inovadora, e nós tínhamos que reaprender o valor da originalidade", declarou. "A 'maneira HP' foi utilizada como um escudo contra mudanças para dissipar novas idéias, algo que não era a intenção dos fundadores". 

Na avaliação de Fiorina, a HP já não fazia parte da lista das 25 maiores empresas em inovação no mundo quando deixou a companhia. Agora, no entanto, a companhia já conseguiu recuperar sua colocação entre as três primeiras.

Para a executiva, transformação é uma mistura de preservação e reinvenção, à medida que a meta da mudança não é perder ou negar o passado, mas utilizá-lo como plataforma para o futuro. "Existem muitos pontos em que você pode encontrar equilíbrio entre otimismo e realismo", disse.

Como CEO encarregada de liderar a fusão da HP com a Compaq, a maior entre as companhias de alta tecnologia na história, Fiorina falou sobre os rigores da vida corporativa no século 21. Segundo ela, a natureza da autoridade mudou. As instituições estão mais transparentes e o acesso à informação foi democratizado."Nossas instituições não podem operar em correntes verticais de comando. Líderes não podem comandar e controlar", afirmou.

Alegando que líderes são criados, e não natos, a executiva declarou que não existe nada mais desgastante do que testemunhar um compromisso pessoal para se atingir um objetivo. "Princípios são importantes. Quando você chegar a tais momentos, em que está prestes a se comprometer, não o faça", declarou. "Mantenha sua alma e você ficará no controle de suas próprias escolhas, que é do que a vida é feita".

Um ano atrás...

A saída de Carly Fiorina foi anunciada na quarta-feira de Cinzas do ano passado, dia 9 de fevereiro, com o conselho de diretores da HP citando diferenças estratégicas, entre a executiva e os planos da companhia. Na prática, os motivos principais estavam atrelados às expectativas dos investidores, que já pressionavam a companhia por melhores resultados, principalmente nas áreas envolvidas na fusão com a Compaq. A estratégia foi bem recebida pelo mercado, e no mesmo dia da demissão as ações da companhia subiram 7%, atingindo 21,54 dólares.

Desde seu afastamento na HP, Fiorina diversificou as atividades. Foi convidada para o corpo de diretores da Cybertrust, fornecedora de soluções de segurança da informação, divulgou planos de escrever suas memórias sobre liderança e sucesso, e tem participado de palestras sobre liderança.

Já a HP, celebra sua fase "céu de brigadeiro" sob a gestão de Mark Hurd. Segundo o balanço do primeiro trimestre fiscal de 2006, a companhia faturou 22,7 bilhões de dólares, alta de 6% frente ao mesmo período do ano anterior, e superou as expectativas dos analistas. Com base nos princípios contábeis geralmente aceitos nos EUA (GAAP), o lucro da HP foi de 1,2 bilhão, um aumento de 30% em relação ao ano anterior. Para o trimestre atual, as expectativas também são positivas. A companhia pretende faturar entre 22,4 e 22,6 bilhões de dólares.

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