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Carreira

Habilidades interpessoais transformam o profissional de TI

Fátima Zorzato, country manager da consultoria Russell Raynolds, diz que habilidades não-acadêmicas formam um verdadeiro líder.

Por Luciana Coen

21 de março de 2006 - 18h32
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Fatima Zorzato, uma das mais importantes profissionais de executive search do mercado brasileiro, não fala sobre universidades e pós-graduação. “Se for para entrar em escolas, prefiro falar de outra coisa”, avisa. “Uma boa educação, vinda de berço, desde o ensino fundamental, é o mínimo. Precisamos falar do que diferencia um profissional”, acredita a headhunter. Para ela, country manager da norte-americana Russell Raynolds, habilidades não-acadêmicas é que transformam um profissional em um verdadeiro líder. Saber trabalhar em time, desenvolver outras pessoas, influenciar colegas e superiores e experiência no exterior são qualidades e experiências que podem transformar um profissional em um presidente de uma companhia. Veja entrevista exclusiva ao COMPUTERWORLD.

COMPUTERWORLD – Qual é a formação acadêmica ideal para profissionais que queiram ingressar na área de TI?
FATIMA ZORZATO (Russell Reynolds Associates)
– Formação acadêmica boa é o básico, é o alicerce que ninguém vê e que não faz diferença no mercado de trabalho. Esta é uma carreira que era basicamente técnica. Agora, a demanda técnica é o pré-requisito, não é mais o diferencial. Todas as pessoas devem passar pelos mesmos bancos, ou bancos parecidos, para construir seu alicerce. Mas este alicerce é invisível. É sobre ele que você vai construir uma casa térrea ou prédio de cinco andares.

CW – Você pode explicar melhor?
FATIMA –
Estou usando a imagem de alicerce para fazer uma analogia dizendo que a base pode ser fraca ou forte. Se for forte, agüenta quantos andares quiser, sem rachar as paredes. O que chamo de alicerce, no caso,  são as habilidades pessoais, de análise, de enxergar cenários, situações. Depois disso, há a formação técnica, o que ele sabe sobre tecnologia. Apenas depois, em terceiro lugar, vem a formação, onde fez o primário, o colégio.

CW – Qual é a força que é preciso ter desde o primário, para começar a construir a base de um bom executivo?
FATIMA
– Hoje em dia, eles têm de estudar em lugares que desenvolvem não só o conhecimento básico, mas também outras coisas que vão usar par ao resto da vida. Que tipo de estímulo você dá hoje às crianças? As crianças agora vêm de outra era, em que decorava-se a matéria. Hoje, incentiva-se o trabalho em grupo, para começar a aprender o que você na vida adulta vai fazer – trabalhar em time. As crianças têm de aprender o que é dar a bola para o outro e administrar a sensação de que o outro ganhou. Quem ganhou? Quem passou a bola ou quem fez o gol? É preciso aprender desde cedo a jogar em time.

CW – Você valoriza mais habilidades interpessoais e menos cursos formais?
FATIMA –
Eu fico assustada com a quantidade de cursos que os CIOs fazem. Acho um horror. E muitas vezes, vejo que eles aprendem muito e não repassam o conhecimento para o time. E nestas horas, o time dele olha e fala: que inveja... por que tudo para ele? Isto acontece muito. Tem exceções, que são os executivos mais brilhantes. Qual é o melhor CIO? Aquele que aparece em todas as fotos? Ou aquele que tem um time mais forte e que deixa emergir os talentos? Então, quando falo com CIOs, convido-os a olhar seus filhos, como está educando, olhar seus funcionários. O primeiro ponto é esta fundação.

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