Carreira
Habilidades interpessoais transformam o profissional de TI
Por Luciana Coen
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CW – E qual é o segundo ponto?
FATIMA – O preparo técnico, em hardware ou software. É preciso estar atento ao que está acontecendo no mercado. E aqui vale dizer que estou falando em camadas. Se você não tem estas bases, você não consegue desenvolver nem 10% do que poderia em uma pessoa. Se ela não tiver uma boa formação, é isto que acontece. Eu diria que os melhores não são aqueles que fizeram um monte de cursos. São aqueles que pessoalmente são capazes de fazer a interface com outras áreas de negócio de um jeito especial.
CW - O que quer dizer isso?
FATIMA - É simplesmente a diferença entre os gerentes do passado, que ficavam em uma sala fechada. Hoje em dia, presidentes, diretores e analistas entendem tanto quanto CIOs de tecnologia. As pessoas estão mais abertas a TI. Não é mais preciso ser especialista para entender ou estudar novas tecnologias. A conclusão é que um CIO realmente precisa ter preparo. Houve uma mudança de paradigma. Se ele não tiver habilidade para influenciar uma decisão, não vai conseguir gerenciar sua área.
CW – Comunicação é fundamental para o sucesso de um executivo de TI?
FATIMA – Não é comunicação num sentido simplista. É um componente de atitude, de conteúdo e de credibilidade que você vai desenvolvendo. A influência é um processo em que o outro te dá o direito de ele te ouvir. É complexo. É uma questão de desenvolver a influência no outro. E não adianta fazer cursos. Ele tem de aprender a cantar, dançar, desenvolver sua sensibilidade, para conseguir analisar situações, de fato. É preciso se adaptar a um mundo mais socializado. O papel dele hoje é olhar o negócio, entender de processos e entender de tecnologia para fazê-los funcionar. Ele precisa gerenciar contratos, definir o que é outsourcing, o que é insourcing. E, principalmente, conquistar o convite para ser chamado a participar de reuniões no momento em que as decisões são tomadas.
CW – O que é essencial, portanto, na tua opinião?
FATIMA – Veja. Ao contrário do que se diz, as vagas não estão diminuindo na área. O que acontece é que as novas habilidades que não foram desenvolvidas, que não são técnicas e não são conhecimento, vão falar mais alto. Vai ser preciso ter muita capacidade de liderança e equipes muito bem alinhadas.
CW – O que você indica para profissionais que querem fazer carreira no exterior?
FATIMA – Acho que é uma experiência muito boa e talvez essencial. Você desenvolve a sobrevivência em um ambiente diferente. É preciso aprender muitas coisas novamente. É preciso aprender a influenciar a decisão dos outros em outro ambiente e outro idioma que não são os seus. O fortalecimento psicológico é talvez o ponto mais importante de uma experiência como essa.
Se ele quiser passar por isso, há duas formas de conquistar seu sonho. Se ele tem um nível de coordenação de projetos, terá mais chances de ir para fora. Um bom gestor de projetos tem grande chance de ter experiência internacional. E a outra forma é quando ele alcança um nível de conhecimento do negócio tão grande, que ele consegue apoiar os níveis de direção de forma diferenciada. Em todos os níveis, o que acontece é que, quando começa a subir na organização, começa a ser mais estratégico, e pode reduzir a técnica.
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