Carreira
Índia: o desafio de reter talentos
IBM Índia promove constantes programas de recrutamento junto a universidades e neste momento está expandido as ações para cidades menores no país, de olho em contratar e reter profissionais.
Por Daniela Moreira, do IDG Now!*
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Imagine trabalhar em um lugar em que você recebe pelo menos uma oferta de trabalho por dia e que a empresa está tão preocupada em não perdê-lo para concorrência que é capaz de te enviar um cartão de boas festas antes mesmo de você ingressar no seu quadro, apenas para que você não desista da vaga.
Esse lugar não é hipotético. Estamos falando da IBM na Índia, que mesmo com seus 43 mil funcionários, promove constantes programas de recrutamento junto a universidades e neste momento está expandido as ações para cidades menores no país, tamanha é a demanda local por profissionais de TI.
Quem relata é a vice-presidente de recursos humanos da IBM para a Índia, Pari Sadasivan, que com 26 anos de IBM, grande parte deles passada nos Estados Unidos, voltou recentemente ao país natal para assumir o desafio de recrutar e, principalmente, desenvolver talentos.
A demanda por profissionais no país para atuar nas áreas de terceirização de suporte, processos de negócios (BPO, do inglês Business Proccess Outsourcing) e desenvolvimento de software é alta: a estimativa é que o número de profissionais de TI no país salte dos atuais 1,6 milhão para mais de 20 milhões engenheiros formados, em 2010.
Ainda assim, a Nasscom, associação da indústria de software e serviços na Índia, prevê um déficit de 500 mil profissionais de TI, call center e processamento de back office no país em 2010. Para prevenir este cenário a IBM, como outras empresas de TI com operações no país, vem promovendo ações de qualificação e identificação de talentos nas escolas.
Um dos programas em andamento, batizado de Great Mind Challenge, já reúne mais de 21 mil estudantes e 2 mil professores em 24 cidades participando. “O objetivo era que os estudantes e professores se tornassem familiares com a IBM, mas acabou se tornando uma forma de ter acesso aos melhores talentos das universidades”, explica a VP.
Sobre o perfil dos profissionais que interessam a IBM, Pari comenta: “O que procuramos na Índia não é nada que destoe do perfil buscado em qualquer outro lugar do mundo: habilidades em software, capacidade de trabalhar em grupo e boa comunicação interpessoal”, define. Dentro da companhia, muitos profissionais vêm sendo treinados para assumir posições de liderança frente ao jovem exército – a idade média do funcionário IBM na Índia é de 24 anos - de profissionais da tecnologia da informação.
De acordo com a executiva, um dos diferencias do profissional indiano – e dos orientais, em geral, na sua avaliação – é a dedicação e o comprometimento. Além de promover programas de qualificação de líderes, a companhia treina todos os profissionais que ingressam no seu quadro no país. O programa intensivo dura de dois a três meses, para os cargos de entrada, e todos os profissionais da área de software passam por treinamentos requeridos pela certificação CMM5.
O salário inicial de um profissional recém-formado na Índia é de aproximadamente 300 mil rúpias ao ano (por volta de 550 dólares ao mês) e, em média, sofre um acréscimo anual de 10% a 15%, graças à alta demanda, segundo Pari.
De acordo com a executiva, as principais razões de evasão na companhia são insatisfação com o ambiente, com o progresso da carreira, e, entre os mais jovens, propostas financeiras mais atraentes. A companhia tenta endereçar as questões com programas de carreira (segundo a executiva, inspirados no modelo de “mentores” implantado na IBM do Brasil) e benefícios atrativos, como horários flexíveis e um programa de cuidado dos filhos para as mulheres que trabalham na subsidiária.
* A repórter viajou a Índia a convite da IBM.
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