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Carreira

Jargão: o mal que domina a TI

Por COMPUTERWORLD

19 de fevereiro de 2007 - 08h10
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Muitas maneiras de confundir
TI é permeada por várias camadas de lingüística. Em primeiro lugar está a lista interminável de acrônimos: ERP, SaaS, SOA, IP, VoIP, VPN, DBA, HTTP, ISP, ASP, LAN, SAN e muitos outros (você ganha um prêmio se conseguir definir todos sem a ajuda do Google...). Depois vêm as formas abreviadas — palavras que imploram para ser condensadas, resultando em termos como sysprog, sysadmin e Wi-Fi.

Não nos esqueçamos dos nomes transformados em verbos: “delete”, por exemplo, virou “deletar”. Há também outsourcing, offshoring e o novo “primo” backsourcing, usado quando é preciso reverter o processo de terceirização inteiro.

Por fim, temos todas aquelas palavras utilizadas impropriamente, cooptadas por TI: solução empresarial, sinergia, paradigma, protocolo, interface, alavancar... A lista continua e no Brasil o problema ganha um fator complicador ainda maior diante da paixão por anglicismos. Afinal, por que aprimorar alguma coisa se você pode otimizar?

Kraft divide o jargão em três categorias. A primeira é formada por “palavras vagas”, que “não são bem definidas e podem significar múltiplas coisas”. Ele destaca arquitetura empresarial e gestão de processos de negócio (business process management – BPM). “BPM – o que isso significa? Pode ser qualquer coisa”, dispara.

A segunda categoria abrange palavras com definições claras conhecidas por algumas pessoas, mas não todas. Software como serviço e arquitetura orientada a serviço pertencem a este grupo. “O profissional de TI sabe claramente o que isso quer dizer, mas o pessoal de negócio ainda sofre com elas.” A terceira categoria é a mais ampla, abarcando todas as palavras cujo significado acabou se perdendo por excesso de uso ou mau uso. Kraft insere nesta classe supply chain e parceria. “São palavras que não esclarecem nada.”

Opinião do Leitor [3 comentários]

Língua rica, falante pobre.

Quando alguém utiliza termos de outra língua para expressar idéias para as quais já existem palavras na sua língua mãe, uma ou ambas de duas coisas está acontecendo: desconhecimento de sua língua ou vontade de impressionar. Triste o povo que desconhece a sua língua.
Não se trata de xenofobia, mas deixar de usar um termo em português para usar a tradução em outra língua é demonstração de pobreza cultural. Por essas e outras é que o nosso país está sempre a reboque dos outros. Por essas e outras é que o nosso PIB só cresce mais do que o do Haiti na América.
Justifica-se o estrangeirismo nos casos em que a palavra não existe na língua, como futebol, software, abajur, etc, ou quando existe, mas o seu uso não daria o sentido exato que se pretende, como Web, outsourcing, spread, etc. Agora, usar uma palavra estrangeira por achar que isso dá "status" é uma demonstração de falta de segurança.
Paulo Alberto - 28 Fev 2007, 18h22

Língua rica, falante pobre.

Quando alguém utiliza termos de outra língua para expressar idéias para as quais já existem palavras na sua língua mãe, uma ou ambas de duas coisas está acontecendo: desconhecimento de sua língua ou vontade de impressionar. Triste o povo que desconhece a sua língua.
Não se trata de xenofobia, mas deixar de usar um termo em português para usar a tradução em outra língua é demonstração de pobreza cultural. Por essas e outras é que o nosso país está sempre a reboque dos outros. Por essas e outras é que o nosso PIB só cresce mais do que o do Haiti na América.
Justifica-se o estrangeirismo nos casos em que a palavra não existe na língua, como futebol, software, abajur, etc, ou quando existe, mas o seu uso não daria o sentido exato que se pretende, como Web, outsourcing, spread, etc. Agora, usar uma palavra estrangeira por achar que isso dá "status" é uma demonstração de falta de segurança.
Paulo Alberto - 28 Fev 2007, 18h21

Poluição da l´ngua portuguesa

As línguas sofrem influência dos povos dominantes, como já aconteceu com o grego, o latim, o francês e agora está acontecendo com o inglês. Mas esse império não tardará cair como já aconteceu com os anteriores. No futuro não muito distante usaremos o mandarim, certamente.
Mas na língua portuguesa está acontecendo um uso abusivo de termos de línguas estrangeiras - uma verdadeira poluição de nossa língua pátria. Profissionais, principalmente da área da tecnologia, usam e abusam de termos incompreensíveis para a maioria da população brasileira.
Em palestras ou em artigos técnicos, o palestrante ou o articulista para mostrar um pouco de sua “intelectualidade” enfia termos em inglês no meio do assunto tratado. Cheguei-me a retirar do recinto de uma palestra porque não estava entendo o que o palestrante dizia em inglês e tive vergonha de perguntar. Se o fizesse seria ridicularizado pelos presentes que, na maioria não estava entendo também.
Joaquim - 22 Fev 2007, 09h45
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