Carreira
Cresce vantagem de pessoal interno rumo ao cargo de CEO
Tendências apontam crescimento da preferência das empresas em contratar profissionais internos para a posição máxima. Custos são os principais motivadores.
Por COMPUTERWORLD
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Quase um ano atrás, a Novell decidiu nomear Ron Hovsepian, até então diretor financeiro, ao cargo de Chief Executive Officer (CEO), em substituição a Jack Messman. Até aí, aparentemente não existe uma grande novidade, já que não existe nenhuma situação alarmante em escolher um profissional da própria empresa para assumir o cargo máximo da organização. No entanto, esse não é o cenário se via alguns anos atrás.
Diretores estão cada vez mais figurando na lista de sucessão de suas empresas para o cargo de CEO. Altos executivos externos – especialmente aqueles que demandam investimentos expressivos por parte das companhias – estão começando a sair dessa lista de favoritos. Essa mudança pode salvar milhões de dólares dos acionistas, mesmo em companhias que não pretendem mudar o CEO em um horizonte tão próximo.
Em 2005, 40% dos CEOs contratados por companhias que figuram no índice 500 da Standard&Poor's não procediam de dentro da própria empresa, segundo a consultoria Spencer Stuart. No ano passado, esse percentual caiu para 15%. No primeiro trimestre de 2007, existiram oito substituições de CEOs entre as empresas do índice da S&P, do qual apenas um veio de fora.
A mudança acontece em parte como uma reação a alguns episódios dramáticos – pense em Carly Fioria na Hewlett-Packard, por exemplo, ou em Robert Nardelli da norte-americana Home Depot. Mas também é verdade que os diretores, escaldados por vários escândalos corporativos que geraram a criação da lei Sarbanes-Oxley e protestos de investidores, estão trabalhando de forma mais solícita.
Contratar um executivo externo é geralmente o reconhecimento de que o conselho falhou em identificar e cultivar a próxima geração de líderes.
O conselho diretor de várias empresas está levando a tarefa da sucessão mais a sério, disse Thomas J. Neff, presidente das operações da Stuart. Ele aponta que, quando o conselho não planeja bem, devem recrutar funcionários externos para o cargo. Uma indicação interna “deveria ser a primeira escolha”, diz Neff.
A tendência é mais evidente em companhias em que o CEO antigo deixou o cargo depois de situações tumultuadas. Neste caso, existe um incentivo maior para que a companhia em questão tente “refrescar” o momento com a contratação de um externo. Nos últimos 12 meses, porém, o conselho diretor de três dessas companhias escolheram decidir entre as opções disponíveis dentro de casa.
Na Pfizer, Jeffrey Kindler, que atuava como conselheiro geral, sucedeu Henry McKinnel, que apressou sua aposentadoria depois de reclamações salariais. No Home Depot, os diretores forçaram a saída de Nardelli depois de um debate acalorado sobre redução do pacote de compensações salariais. O substituto? Um dos outros executivos na liderança da companhia, Frank Blake.
No entanto, existem exceções. Alguns conselhos vão sempre sentir a necessidade de mudanças mais drásticas. Entre grandes prejuízos e intensa competição, a Ford optou pela contratação de Alan Mulally – ex-Boeing – na metade do ano passado. Outro caso aconteceu na HP, após um final infeliz da aparentemente eterna lua-de-mel de Carly Fiorina, substituída pelo Mark Hurd, ex-NCR.
Mas a balança está pendendo para contratações internas, revertendo a tendência das últimas décadas. Uma geração atrás, os CEOs geralmente escolhiam seus próprios sucessores e o conselho diretor concordava. No começo desta década, os “forasteiros” eram rotineiramente ignorados, enquanto a busca era por CEOs “superstars”.
“Eu acho que eles estavam procurando uma salvação externa”, aponta Jill Kanin-Lovers, veterana da área de recursos humanos. Kanin-Lovers é uma especialista nesse assunto atualmente: ela atuou como diretora em quatro companhias que contrataram CEOs nos últimos 18 meses.
Refletindo as estatísticas nacionais, os conselhos dessas companhias escolheram funcionários internos em três dos quatro casos.
A razão pela qual os investidores devem ficar atentos: os CEOs que vêm de fora geralmente têm salários maiores do que os internos. Em um estudo publicado no ano passado, os professores Kevin Murphy da Universidade do Sul da Califórnia e Jan Zabojnik, da Universidade Queens – do Canadá – descobriu que CEOs contratados externamente nos anos 90 ganharam 22% mais do que líderes internos promovidos para o cargo, mesmo depois de excluir bônus de contratação e benefícios relacionados.
A questão tem fundamentações lógicas: os funcionários externos correm riscos maiores, trocando o que lhes é familiar pelo desconhecido. Além disso, frequentemente deixam milhões de dólares em ativos acumulados para trás, substituídos por algum tipo de compensação.
Porém, quando um CEO deixa uma companhia, dificilmente seu sucessor tem uma carteira de benefícios tão graúda. J. Edward Coleman recebeu cerca de 2,2 milhões de dólares em opções de ações quando integrou a Gateway como CEO. Seu antecessor tinha recebido 10 milhões de dólares em 2004, ano em que foi contratado.
Os diretores percebem a diferença. “Você realmente acaba pagando mais por um candidato externo”, aponta a executiva. O conselho diretor das empresas está olhando mais profundamente para os profissionais internos justamente em virtude dos custos.
Alinhado com as tendências
Episódios recentes mostram que a tendência de contratações internas também é realidade entre as empresas brasileiras. Levando em consideração sete movimentações de CEOs em companhias de grande porte sediadas no País e realizadas recentemente – HP, Microsoft, Avaya, Sun Microsystems, Novell, Nokia Siemens e 3Com –, apenas duas escolheram profissionais procedentes de outras organizações.
A HP, por exemplo, substituiu Carlos Ribeiro, que partiu para conduzir projetos pessoais, por Mário Anseloni, que já atuava como vice-presidente comercial da companhia. Já a Novell indicou Sergio Toshio, então diretor de contas, para a posição deixada por Ricardo Fernandes, que seguiu para a CA.
Em substituição a Marcos Corrêa, a 3Com nomeou Adriano Gaudêncio, que atuava como diretor financeiro. A Nokia Siemens também optou por manter a decisão dentro de casa, embora o substituto de Fernando Terni tenha sido o português Armando Almeida.
Já a Avaya optou por uma contratação externa para substituir Márcio Mattos: Cléber Morais, ex-Sun Microsystems. Curiosamente, a estratégia para substituir Morais até o momento - já que a decisão está em caráter interino – está centrada em um profissional da própria Sun, Rodolfo Fontoura.
Na Microsoft, a decisão para a vaga deixada por Emílio Umeoka, transferido para a gerir as operações da companhia na região da Ásia, esteve fora da companhia: Michel Levy, ex-COO da TIM.
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