Carreira
O futuro dos cargos em TI: nem tudo é má notícia
Por Network World, EUA
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Jwff: Concordo com a idéia de deslocar para fora da organização de TI o trabalho que não agrega valor. Quando o trabalho de manutenção de sistemas é removido, o foco dos departamentos de TI pode ser dirigido mais adequadamente para atividades que agregam valor, como a exploração de dados de usuários finais em busca de valor para o negócio. Portanto, a iniciativa de transferir serviços de TI commodity do “cloud” não seria meramente uma maneira evolucionária (não revolucionária) de evitar os 70% de esforço de manutenção que hoje dominam muitas instalações de TI?
Nick Carr: Absolutamente. Os requisitos de mão-de-obra e os budgets de TI da maioria das empresas são dominados pela necessidade de criar e gerir sistemas privados. À medida que um número cada vez maior destes requisitos é assumido por fornecedores utility, a natureza dos departamentos de TI mudará para atividades de gerenciamento e análise de informação. A grande questão, porém, é se estas habilidades terão que permanecer em um “departamento de TI” ou se fluirão naturalmente para dentro da empresa.
Mbaum: O departamento de TI morreu. De que modo, então, as corporações vão definir quais “serviços cloud” adotar, quais fornecedores selecionar e como supervisionar compliance, eficiência e produtividade?
Nick Carr: O departamento de TI ainda está longe de ter morrido – não acredite em tudo que você lê em Network World – e desempenhará um papel central no gerenciamento da migração para o modelo utility e na coordenação entre serviços baseados na web e fornecidos localmente.
TechnoSteve: Muitas empresas talvez descartem utility computing porque não querem seus dados nas mãos de terceiros. Como esta e outras preocupações com privacidade se encaixam no futuro que você está descrevendo?
Nick Carr: É uma ótima pergunta, que ouço com freqüência. É claro que o controle e a segurança da informação corporativa são extremamente importantes para as empresas. Mas, como vemos há tempos em dados de folha de pagamento e, mais recentemente, em dados de relacionamento com clientes, as empresas estão dispostas a pôr informação confidencial nas mãos de fornecedores confiáveis.
Na realidade, há uma boa tese a ser defendida: a de que os fornecedores de utility externos, cujo negócio inteiro depende de sua capacidade de manter os dados protegidos, acabarão sendo mais seguros do que o atual modelo fragmentado de processamento de dados, que, como sabemos, tem muitas vulnerabilidades.
Assim, embora eu considere a segurança dos dados crucial (e os fornecedores têm o ônus de provar sua confiabilidade), não creio que é um deal-breaker. Pode ter certeza de que também veremos avanços rápidos continuados em criptografia e outras tecnologias que vão melhorar a segurança de dados em sistemas multi-tenant.
Brian: No livro “The Big Switch”, você aborda a idéia da potência de computação como utility. Este modelo não se apóia em uma internet neutra? A não-neutralidade poderia forçar as pessoas a retornar ao modelo cliente-servidor se os fornecedores do backbone (como a AT&T, que anunciou sua intenção de fazê-lo) começassem a moldar tráfego para degradar determinadas aplicações SaaS competitivas?
Nick Carr: Isso poderia ser uma preocupação, mas meu palpite é que, se deixarmos de lado a neutralidade da internet, será para dar preferência e prioridade a informação de negócio e comercial (em detrimento de fluxos de informação mais pessoais, como transações P2P). A internet se tornou tão importante para a economia que duvido que a corporação e o governo permitam que o serviço degrade para funções de negócio essenciais.
AroundOmaha: Você acredita que isso afetará o modo como os escritórios são estruturados? Ou seja, veremos empresas com funcionários virtuais por todo o país e até o planeta? Se a aplicação não estiver atrelada a nenhum lugar específico, também vai liberar os trabalhadores.
Nick Carr: De certa forma, acho que veremos isso – na realidade, já está havendo maior mobilidade. Mas também sabemos que as pessoas gostam de trabalhar próximas de seus colegas – as conversas nos corredores sempre serão importantes – e não acredito que veremos o fim de escritórios físicos de tamanho considerável.
Vcleniuk: Mesmo que os departamentos de TI e os empregos migrem das corporações para o “cloud”, este “cloud” ainda funcionará em alguma coisa, em algum lugar, certo? Os empregos de TI não irão para estas áreas? Não continuaria havendo necessidade de alguns data centers grandes ou mesmo diversos data centers menores em vários países?
Nick Carr: Sim, acho que muitos empregos técnicos vão migrar dos usuários para os fornecedores. Ao mesmo tempo, porém, também há muito progresso na automação do trabalho de TI, através, por exemplo, da virtualização. Podemos prever que determinados tipos de cargos de TI provavelmente serão reduzidos. Também é importante reconhecer que à medida que a internet se tornar nosso veículo universal, funcionalidades de software serão cada vez mais embutidas em uma gama completa de produtos de consumo – o que aumentará a demanda por profissionais de computação talentosos. Não é uma má notícia.
Jim: Ainda não li “The Big Switch”, mas, por algumas passagens, você parece estar no caminho certo. Sou um veterano diretor de TI e posso ver os sinais de aviso. A pergunta é: o que um profissional de TI de uma organização menor deveria estar fazendo para se preparar para a “mudança”? Pessoalmente, penso em me aposentar, mas tenho muitos colegas que fazem parte do mundo de TI convencional que são muito mais jovens.
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