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Carreira

O que faz de um programador um rock star?

Por Computerworld, EUA

01 de fevereiro de 2008 - 08h00
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Muitos desenvolvedores deste calibre também podem ser ambiciosos, vislumbrando, algum dia, montar sua própria empresa e vendê-la por milhões. “Portanto, trabalhar em uma empresa por modestos 100 mil dólares por ano não é sua idéia de fama e fortuna”, diz J. Strother Moore, que chefia o departamento de Ciência da Computação na Universidade do Texas em Austin.

Kinsman, trabalhando atualmente no Google, reconhece que seu trabalho na vida real é mais tedioso e menos desafiador do que os problemas abstratos que vê nas competições de programação. “É muito importante que lhe sejam oferecidos desafios dignos deles”, orienta McKeown.

Outro problema é a arrogância que costuma acompanhar a genialidade e pode desmoralizar uma equipe inteira. “As pessoas correm riscos quando são tão inteligentes”, afirma Glen. “Elas começam a acreditar em sua própria genialidade.”

Glen conta que foi obrigado a despedir desenvolvedores famosos por causa do impacto negativo que tiveram sobre projetos. “Ao invés de usar seu talento para levantar todo mundo, eles o utilizaram para diminuir todo mundo. Não se trata da força bruta do intelecto, mas de como usá-lo.”

As empresas deveriam contratar alguém mais próximo de um regente de orquestra do que de um rock star, acrescenta Moore. “O mundo precisa de designers excelentes que trabalhem bem com a equipe.”

Helfman concorda. “Empresas e gerentes de contratação que buscam desenvolvedores famosos costumam ignorar outras questões importantes, entre elas o bom relacionamento com outras pessoas e a adoção de melhores práticas de engenharia de software”, diz. Muitos deles estão atrelados a uma linguagem de programação ou uma área de especialização específica e desprezam as demais.

Isso se torna um problema de fato quando, aos olhos do empregador, o desenvolvedor famoso não está fazendo nada errado. Helfman sustenta no seu blog que os melhores e mais brilhantes desenvolvedores não são estrelas. “Se não é algo que demanda cada grama de inteligência de seu corpo para ser feito, então não será feito”, escreve.

Na verdade, muita gente acha a nomenclatura e a cultura “rock star” detestáveis. Hayes argumenta que os desenvolvedores realmente bons não responderiam a ofertas de emprego que usam este termo. E os que respondem talvez sejam os mais iludidos.

Hayes lembra de ter entrevistado recentemente um candidato a emprego com apenas quatro ou cinco anos de experiência que deu a si mesmo a nota máxima 10 em uma auto-avaliação. “Visivelmente, ele se acha uma estrela, mas este tipo de atitude não funciona bem com muitos dos nossos clientes.”

“Eu quase acho o termo pejorativo”, concorda Moore. “Implica um tipo de arrogância que não vejo entre os melhores programadores que conheço, estes admitem suas limitações e programam tendo a outra pessoa em mente. Se você tiver que se auto-intitular um rock star, então você não é um deles.” Ou, como diz um blogger, “eu preferia ser um programador de jazz”.

A tendência entre os empregadores pode estar mudando. “Talvez o rótulo de rock star tenha sido usado exageradamente em postos de trabalho ligados a Rails. Da próxima vez, quem sabe, vamos experimentar ‘pirata Rails’ ou ‘guerreiro Ruby’”, sugere Reagan, da Viget.

O lado brilhante das estrelas
Mas nem tudo é ruim, diz Jack Hughes, fundador da TopCoder. A celebridade cada vez maior de desenvolvedores proeminentes – mesmo que nunca se infiltre na consciência do público – só irá elevar a percepção da profissão, assim como a maré cheia levanta todos os barcos. “Microsoft ou Google estariam onde estão sem estrelas da programação?” pergunta. “Não creio.”

E, embora Nixon concorde com aqueles que dizem que o termo “programador rock star” é tolo, não diminui sua utilidade. “Neste exato momento, estamos em um lugar onde a popularidade das idéias e das pessoas importa tanto quanto os méritos técnicos. “Não é o melhor critério para decisões de tecnologia ou contratação, mas as pessoas não são racionais.”

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