Carreira
Quando a aposentadoria leva o conhecimento embora
Os baby boomers (nascidos entre os anos 1946 e 1964) estão se aposentando e levando conhecimento junto. Por que a TI não se preocupa com isso?
Por Computerworld, EUA
Você poderia pensar que o termo “brain drain” (êxodo de
cérebros) levaria medo aos corações dos gerentes de TI.
Quando 2008 chegou – e os baby boomers (pessoas nascidas entre os anos 1946 e 1964) mais velhos passaram a ter direito a se aposentar – ficou claro que o crescimento do número de trabalhadores veteranos logo ultrapassará o crescimento do número dos que estão iniciando a carreira.
Dentro de oito anos, de acordo com o Departamento de Estatística do Trabalho dos Estados Unidos, um em cada quatro trabalhadores terá 55 anos ou mais. E, particularmente em TI, não surgem novos talentos. Segundo a Computing Research Association, as matrículas em Ciência da Computação caíram 14% ao ano entre 2004 e 2006.
Embora as organizações de TI certamente entendam estas tendências da força de trabalho, muitas não estão tomando medidas significativas para mitigar os riscos da perda de capital intelectual.
Mesmo fora de TI, muitas empresas mostram-se despreocupadas com a aposentadoria dos boomers. Em uma pesquisa realizada em 2006 pela Buck Consultants com 488 empresas, apenas 42% disseram que o envelhecimento da força de trabalho era um fator importante e 29% afirmaram que tinha pouca ou nenhuma importância.
Em um estudo conduzido pela Monster.com em meados do ano passado com 550 gerentes de recursos humanos ao redor do país, somente 12% consideravam a retenção de conhecimento alta prioridade em suas empresas, embora um terço estimasse que no mínimo 20% da força de trabalho se aposentariam na próxima década.
A conclusão inevitável parece ser a de que muitas empresas estão satisfeitas em ver seus boomers saírem pela porta. E, como tão poucas organizações levam a sério o problema da aposentadoria, as empresas que querem transferir conhecimento dos trabalhadores mais velhos para os mais jovens têm poucos modelos a seguir. Como resultado, as que estão tentando se preparar para a onda de aposentadorias estão sozinhas.
Qual o tamanho do problema?
Talvez a razão para que ninguém em TI se preocupe com o êxodo dos baby boomers é o fato de não haver uma população muito grande de profissionais de TI mais velhos, diz Peter Cappelli, autor do livro Talent on Demand: Managing Talent in the Age of Uncertainty, a ser publicado. “É um universo predominantemente de jovens”, explica.
Estatísticas do Departamento de Estatística do Trabalho dos Estados Unidos sustentam isso. Em 2007, somente 10% dos profissionais de TI norte-americanos tinham 55 anos ou mais, em comparação a 17,6% de todas as outras ocupações. Além disso, considerando-se que a idade média dos boomers atualmente é 51, a aposentadoria está a mais de 10 anos de distância para muitos.
Série de Reportagens: Carreira em 2012
> Carreira 2012: Como será o profissional de TI em 5 anos?
> Carreira 2012: O profissional do futuro para a Accenture
> Carreira 2012: O profissional do futuro para a IBM
> Carreira 2012: O profissional do futuro para CIO e headhunter
> Carreira 2012: O profissional do futuro para o Google
Existem outras razões para a falta de preocupação. Um delas é que, embora os custos de perder pessoal-chave de TI possam ser altos, também são ocultos, graduais e indefinidos, dia Dave DeLong, presidente da empresa de pesquisa David DeLong & Associates e autor de "Lost Knowledge: Confronting the Threat of an Aging Workforce" (Oxford University Press, 2004).
Segundo DeLong, ninguém irá à diretoria dizer que no ano passado conseguiu gerenciar um determinado processo com mais eficácia, mas, agora que Joe saiu, isso não é mais possível. “É desmoralizante, por isso eles explicam em outros termos.”
Além do mais, é uma prática comum as empresas deixarem os profissionais de TI se aposentarem e recontratá-los como consultores sem que seu pagamento apareça no budget como um custo salarial. É uma certa fraude, observa DeLong. As empresas estão gastando uma soma incrível de dinheiro recontratando indivíduos que deixaram o cargo e que não estão transferindo seu conhecimento. As empresas “jogam as pessoas de volta no emprego, ou seja, apenas prolongam o problema”, explica.
E, por fim, você realmente quer que sua empresa dependa de alguém que pode ir jogar golfe na hora que desejar?
Pioneirismo
Não surpreende que Barbara Ring, vice-presidente sênior de RH de TI do Chubb Group of Insurance Companies, tenha se sentido pioneira quando iniciou, recentemente, um estudo sobre a exposição da organização de TI do Chubb em termos de aposentadoria dos funcionários, com o objetivo de formular uma estratégia de mitigação.
Ring tinha motivo para se preocupar. O tempo médio de
exercício de cargos em TI no Chubb é de 17 anos – bastante tempo para acumular
conhecimento-chave e experiência – e as aposentadorias começaram a acontecer.
“Percebemos que nos próximos 10 anos um grande número de pessoas terá direito a se aposentar e o êxodo de cérebros afetará negativamente a companhia”, justifica.
E, com o declínio de pessoas que estão ingressando na área de TI, o Chubb precisa fazer um planejamento de tempo para não ficar em desvantagem.
Ring quer não só identificar quais profissionais de TI da
companhia terão direito a se aposentar em breve, mas também os anos de serviço,
quais tecnologias e aplicativos eles suportam e em que medida este conhecimento
é crítico para o negócio.
Digamos, por exemplo, que 10 pessoas suportam um aplicativo de missão crítica que foi implementado há muito tempo e envolve um conhecimento um tanto hermético. Agora suponhamos que cinco destas pessoas poderão se aposentar em breve. O risco para a companhia é grande, exemplifica Ring.
Ela teve que criar, a partir do zero, o processo para conduzir esta iniciativa. “Não vimos muitas empresas da nossa área empreendendo este tipo de trabalho.”
O Chubb evita qualquer programa amplo de bônus e incentivos para quem se encontra próximo da aposentadoria. A companhia está avaliando quais são, exatamente, os riscos maiores. Em seguida, tomará as medidas necessárias para eliminá-los.
DeLong apóia esta abordagem. “Muitas vezes, a gerência nem
sabe qual conhecimento está em risco.” A idade de um funcionário não corresponde, necessariamente, ao seu valor para a organização, aponta DeLong.
Algumas pessoas próximas da aposentadoria podem ter trabalhado em uma determinada empresa durante pouco tempo, por exemplo. Além disso, “falando francamente, existem indivíduos que deveriam se aposentar. Suas habilidades não estão atualizadas ou eles não possuem o conhecimento que é vital para o futuro do negócio”.


