Carreira
Seis dicas para gerenciar funcionários brilhantes
Todo gerente quer contar com uma equipe ultra-inteligente. Em TI, a boa - e a má - notícia é que você provavelmente conseguirá ter esta equipe.
Por Computerworld, EUA
Uma premissa básica da gerência em relação aos funcionários
é: quanto mais inteligentes eles são, maior a dificuldade de gerenciá-los.
Funcionários com alto grau de inteligência do lado esquerdo do cérebro, fato comum entre os profissionais de TI, às vezes são exigentes e avessos a opiniões alheias. Ficam entediados com facilidade e empenham em ser “corretos”, de acordo com quem os gerencia.
“Pessoas extremamente inteligentes, extremamente técnicas, habitam uma subcultura onde conhecimento significa status social e poder. E correção é fundamental”, diz Clinton Nixon, desenvolvedor sênior da Viget Labs, empresa de desenvolvimento para web. Isso pode gerar descontentamento quando discordâncias inevitáveis ocorrem, principalmente entre o funcionário e o chefe.
Talvez você sonhe em supervisionar uma equipe brilhante, mas tome cuidado com o que você deseja – ou, pelo menos, aprenda a melhor maneira de gerenciar pessoas ultra-inteligentes. Veja sete dicas de quem está por dentro do assunto.
7 - Gerencie resultados, não o processo
É perfeitamente cabível o chefe dizer ao funcionário o que
fazer, mas, quando se trata de como fazer, um ambiente controlador pode ser
frustrante, segundo Nixon.
Ele se lembra de um carrinho de compras na web que precisava de novas opções de entrega. Como o software não era muito expansível, Nixon sugeriu reescrever o código, o que levaria duas semanas. “Abordar todos os casos especiais com o código existente demoraria pelo menos uma semana, por isso fazia sentido investir uma semana a mais para ter algo mais fácil de manter depois”, explica.
A proposta de Nixon foi recusada. Mas, por causa de todos os bugs que já havia no software e outros decorrentes das variáveis acrescentadas, o novo recurso levou três semanas para ser concluído. “Teríamos reescrito em menos tempo”, afirma.
“Você não pode pegar pessoas que têm paixão por alguma coisa e começar a criar muros ao redor delas”, diz Jack Hughes, CEO da TopCoder, empresa que promove competições de codificação. Uma equipe composta destes tipos de pessoas precisa de estrutura, mas esta estrutura deve ser voltada mais para resultados do que para processo.
“Você deve formatar as coisas em termos dos resultados que você está buscando, ao invés de condenar o modo como elas precisam ser feitas para alcançar estes resultados”, orienta Hughes.
6 - Adote uma abordagem socrática
Raramente pessoas muito inteligentes gostam de se sentir
comandadas. Isso não significa, contudo, que elas não precisem ser controladas, observa Paul Glen,
fundador da comunidade web GeekLeaders.com e colunista do Computerworld.
Para conseguir este truque, faça perguntas que levem estes funcionários a perceber seu ponto de vista, aconselha Glen, de maneira próxima ao método filosófico proposto por Sócrates. “Se eles não querem que as coisas lhes sejam ditadas, você tem que gerenciá-los de uma forma mais socrática.”
Isso demanda tempo e paciência, principalmente quando você acha que já sabe a decisão que, no fim das contas, precisa ser tomada, diz Edward Martinez, CIO do H. Lee Moffitt Cancer Center & Research Institute, que tem diversos profissionais com Ph.D na equipe.
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“Você tem que examinar as idéias deles e deixar que eles saiam com a recomendação de que você as rejeita ou concorda com elas”, ensina Martinez. “Mesmo que você só queira tomar a decisão, tem que lhes dar uma oportunidade de tomar parte nela.”
5 - Seja aberto a aprender coisas novas
Seria um desperdício não permitir que algumas das idéias de uma equipe extremamente inteligente se concretizassem. É por isso que Patrick Reagan, diretor de desenvolvimento da Viget Labs, está aberto a explorar aonde a experimentação pode levar.
Até dois anos e meio atrás, a companhia nunca havia feito
teste automatizado, mas um desenvolvedor deu a idéia, que acabou decolando.
“Está impregnado na nossa cultura agora”, diz Reagan.
A companhia também passou de PHP no desenvolvimento Web para Ruby on Rails em 2006 através do incentivo de um desenvolvedor brilhante.
Além disso, se você for aberto às idéias que emanam de profissionais brilhantes, pode aprender muito, assegura Nixon. “Você não vai acompanhá-los tecnicamente. Você tem suas próprias áreas para cobrir”, diz. “Mas pode, e deve, aprender com eles.”
Segundo Nixon, gerenciar um indivíduo que era um “gênio muito afiado” ajudou-o a ser bom em design de banco de dados. “Eu prestei atenção e aprendi com ele”, recorda.
“Você tem que estar disposto a ser testado”, ressalta Glen.
Mas precisa fazer seus profissionais brilhantes justificarem as respectivas
posições de modo equilibrado e convincente. “Você não pode abdicar de suas
responsabilidades gerenciais.”


