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Carreira

Carreira: Como pedir aumento de salário e receber um sim?

Especialistas em recursos humanos e profissionais que já viveram essa situação ensinam o caminho das pedras para você ser bem-sucedido no seu pedido.

Por Fabiana Monte, do COMPUTERWORLD

10 de junho de 2008 - 07h30
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No mundo ideal dos gestores de recursos humanos, as empresas olham com tal cuidado para seus funcionários que aumentos salariais são concedidos por iniciativa das corporações.

Já na vida real, no entanto, poucas são as companhias que concedem esse benefício por iniciativa própria. Na maioria dos casos, cabe ao profissional, de qualquer nível hierárquico, fazer este tipo de solicitação.

Pedir aumento dá trabalho. É preciso levantar informações sobre o seu desempenho e sobre o mercado, além de propor metas para o período posterior ao aumento. E isso se traduz com relatórios que permitam ao gestor mensurar o valor que o profissional traz para a empresa.

“Qualidade e valor são muito intangíveis na cabeça do chefe”, ressalta Maria Elizabeth Johann, coordenadora dos MBAs em Gestão Estratégica de Pessoas do FGV Management.

Planejamento e análise são palavras-chave para ser bem-sucedido nessa situação. O argumento “eu preciso de um aumento porque sou um bom funcionário” não basta. “Em primeiro lugar, é preciso mostrar para o chefe que você está fazendo a sua parte e um pouco mais”, reforça Cristiane Gonçalves, gerente de assessoria em gestão de RH da KPMG.

“Por isso, é bom que seu pedido tenha indicadores, como 15% de redução de tempo de implementação de projetos ou 20% de aumento na satisfação dos clientes”, completa Maria Elizabeth, que tem 23 turmas de MBA.

Numa fusão, a chance de aumento
Há nove anos, Wagner Mancini tentou pedir um aumento. Mancini era gerente da unidade de negócios da StorageTek para a América Latina quando a empresa adquiriu a área de serviços da Columbia Storage, onde ele já tinha trabalhado.

O executivo, hoje diretor de marketing e produtos da consultoria em produtividade e qualidade de vida Galileu, percebeu uma oportunidade para ganhar mais responsabilidade e ganhos. Antes de fazer o pedido, levantou números que comprovavam seu desempenho e, junto com seu chefe, traçou metas que deveriam ser atingidas depois do reajuste.

Ele conseguiu o aumento. Mancini tornou-se diretor de soluções para a América Latina da StorageTek e seu aumento salarial corrigiu a alta do dólar ocorrida no início de 1999. “Na época, isso significou aumento entre 50% e 60% no salário”, recorda.

Eu, produto?
Maria Elizabeth sugere que as pessoas apliquem em suas carreiras o conceito dos cinco "P's" do marketing – produto, preço, praça, pesquisa e promoção. “É preciso ter consciência disso ao longo de toda a carreira, não só quando ele pretende mudar de emprego ou quer um aumento”, recomenda.

Como produto, o profissional deve avaliar sua formação e experiência, além de cursos, idiomas, atualização e avaliações de desempenho. Também é preciso levar em conta habilidades como trabalho em equipe e relacionamento interpessoal.

“O valor do profissional é o quanto ou o que ele é capaz de resolver em termos de problemas do empregador”, ressalta a professora, quando explica o conceito de preço. Some a isso à média salarial da região onde a profissional atua. “Uma regra seria pensar que quanto mais minhas competências agregarem valor ao negócio, mais chances de aumento eu terei”, ensina.

Outro ponto importante, de acordo com Maria Elizabeth, é a pesquisa. Cabe ao profissional buscar informações no mercado e na empresa sobre a média salarial de outros profissionais. Com isso, ele também descobrirá empresas que estão em busca de perfis como o seu, o que criará novas possibilidades, no caso de uma possível negativa de reajuste.

Fazendo uma analogia com promoção, a especialista diz que o profissional tem que aproveitar reuniões e e-mails para se comunicar bem, apresentando boas idéias e contribuições que façam diferença para a empresa. “O pessoal de TI tem tendência a usar muitas siglas, o vocabulário fica reduzido”, aponta. “Muitas vezes, isso prejudica o conteúdo da mensagem”, acrescenta.

Na visão de Maria Elizabeth, o conceito de praça se aplica a todo local onde o profissional pode se mostrar, seja em cursos, seminários, festas de confraternização, corredores da empresa e até no cafezinho.

A dica de Cristiane, da KPMG, é que o profissional não deixe para conversar com o superior sobre reajuste salarial apenas quando receber uma proposta do mercado. “Se você está onde gosta de trabalhar e o problema é salário, não vá procurar no mercado, converse com o seu chefe”, indica a consultora.

CW Connect - A rede social criada pelo COMPUTERWORLD para profissionais de TI e telecomunicações tem um grupo de discussão sobre carreira. Wagner Mancini, entrevistado para esta reportagem, faz parte da CW Connect. Participe!

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