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Carreira

Empresas de TI tomam para si a tarefa de formar mão-de-obra

Falta de profissionais especializados leva companhias a investir na qualificação de estudantes do ensino médio e superior.

Por Fabio Barros, do COMPUTERWORLD

10 de julho de 2008 - 11h40
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Preocupadas com a falta de mão-de-obra especializada em TI e com o desinteresse dos estudantes de nível médio pela área, algumas empresas nacionais resolveram tomar para si a tarefa de estimular estes jovens a seguir carreira.

Essa movimentação leva em conta a queda de 30% na procura pelos cursos de TI nos últimos cinco anos, segundo dados da Michael Page.

As empresas nacionais escolheram diversos modelos para estimular a formação. Em alguns casos, as iniciativas são dirigidas a universitários que já estejam em cursos relacionados à área. Em outros, o objetivo é estimular estudantes de nível médio a procurar estes curso em TI.

Um exemplo é a parceria mantida desde o início de 2007 entre o Resource, prestador de serviços de TI, e o Centro universitário Unisal, ambos de Americana (SP). Em conjunto com a Oracle, a empresa e a instituição de ensino fecharam parceria buscando melhorar a qualificação dos estudantes de graduação em TI da universidade.

“Somos a principal fábrica de software da Oracle. Com essa parceria, a dificuldade em se contratar profissionais qualificados será reduzida e estaremos com as portas abertas para os estudantes recém-formados”, afirma Gilmar Batistela, presidente do Resource.

Outro objetivo do acordo é contribuir para a redução do êxodo de jovens profissionais para outras cidades, como São Paulo. “Estamos decididos a investir fortemente na região e a concentrar as principais atividades de nossa fábrica de software em Americana”, garante Batistela. No ano passado, 54 alunos passaram pelos cursos e, para 2008, outros dois cursos que complementam os módulos oferecidos em 2007 estão programados.

Buscando profissionais na universidade
A Tivit é outra que aposta na parceria com instituições de ensino superior, só que com o objetivo de formar seus próprios profissionais.

Desde o ano passado, a companhia tem um acordo com a Universidade Anhanguera com descontos especiais aos funcionários da companhia. “Temos em nosso call center jovens com grande potencial, mas sem condições de fazer um curso superior. A parceria funciona como um incentivo e, ao mesmo tempo, faz com que nosso quadro ganhe em qualidade profissional”, explica Caio Silva, diretor de sistemas da empresa.

Atualmente, cerca de 350 colaboradores da companhia fazem curso superior na universidade Anhangüera por causa da parceria. A previsão é que, ao final deste ano, muitos deles tenham bagagem para participar de processos internos de seleção. “As primeiras turmas começaram em junho de 2007 e outras em janeiro de 2008”, lembra o executivo.

Olho já no Ensino médio
A DTS Consulting e a prefeitura de Santana do Parnaíba (SP) firmaram, em dezembro do ano passado, uma parceria com o objetivo de transformar jovens que recentemente concluíram o ensino médio em trainees da área de tecnologia.

Através do trabalho de análise psicológica, testes teóricos e práticos executados pela área de recursos humanos da empresa, foram selecionados 20 entre 70 alunos da rede pública, que participaram de um treinamento na DTS Consulting.

Muitos dos jovens não tinham nenhuma “familiaridade” com a área de tecnologia, mas se destacaram nos testes realizados pela equipe da DTS e durante 30 dias fizeram uma imersão no mundo das tecnologias mais utilizadas em grandes empresas.

Além de formação técnica, como linguagens de programação JCL e COBOL do básico ao avançado, foram ministradas matérias como “Teorias Comportamentais”, entre outras. O treinamento teve duração total foi de 232 horas. Dos 20 jovens que participaram do programa, doze iniciaram sua carreira profissional na DTS Consulting.

"Temos a pretensão de despertar o interesse desses jovens [de Santana do Parnaíba] em atuar na área de desenvolvimento de sistemas”, explica Patricia Muraro, diretora de marketing da DTS Consulting.

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Opinião do Leitor [3 comentários]

Um belo começo ( CONTINUAÇÂO)

Muito se fala aqui no SUL sobre a fábrica de "chips" instalada na Grande Porto Alegre, onde esta, segundo os mentores, oferecerá muitas oportunidades para o público em geral, prioncipalmente, universitário. Uma vez, um político palestrava sobre esta fábrica para minha turma na universidade, ele dizia sobre os benefícios, sobre o acesso a tecnologia para nós universitários (da maior faculdade privada do SUL, ou uma das maiores do Brasil) e eu o questionei: Será mesmo que nós aqui dessa sala, precisamos de disso para ter acesso a tecnologia? O Sr. poderia me dizer qual é o planejamento de vocês para preparar o pessoal de ensino (público) fundamental e médio, a fim de que essas pessoas tenham condições e acesso a essa tecnologia no futuro? Quem será a mão-de-obra que tocará essa fábrica daqui 10 anos? Vocês sabem o que ele respondeu? Pediu para fazer um intervalo e não voltou mais. Devemos esperar o que desse pessoal?
JOÃO BATISTA - 11 Jul 2008, 10h54

Ótimo

Essa é talvez a única saída a curto prazo que pode ser usada para o problema da mão de obra "despreparada", devido a falta de um curso que prepare o jovem especificamente para suprir essa falta sentida pelas fábricas de software.
Marcos - 11 Jul 2008, 10h50

Um belo começo

Essas empresas estão de parabéns. É um belo começo.
Esperamos que mais empresas adotem essa iniciativa, inclusive as poderosas MULTINACIONAIS, formando assim, seus colaboradores aqui no Brasil, evitando a necessitade de importar a mão-de-obra de maior valor do estrangeiro. Esse exemplo vale também para a relação interestadual, uma vez que muitas empresas fixam suas bases em uma região e, muitas vezes, buscam a mão-de-obra mais especializada (a que gera maiores rendimentos para os colaboradores) em outros estados, principalmente nas grandes metrópoles.
JOÃO BATISTA - 11 Jul 2008, 10h46
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