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Carreira

Coniventes, empresas também são culpadas pelos maus profissionais

Ione Coco, do Gartner, avalia diversos aspectos da falta de profissionais de TI e diz que alguns conceitos precisam ser revistos.

Por Luiza Dalmazo, do COMPUTERWORLD

18 de julho de 2008 - 07h00
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Pesquisa do Gartner afirma que a tarefa de encontrar, formar e reter talentos é a prioridade número três dos CIOs (justamente para não comprometer o futuro da TI no País). Fica atrás apenas de ‘entregar projetos para crescer o negócio’ e ‘aproximar a estratégia da TI à da empresa’.

Entretanto, a vice-presidente do programa executivo do Gartner para a América Latina, Ione de Almeida Coco, afirma que é necessário mais. “As empresas são coniventes por que o estágio deixou de ser aprendizado e é hoje substituição de mão-de-obra”, diz.

Ione Coco afirma que as empresas devem apostar em novas práticas como a contratação de pessoas com conhecimento em tecnologia, mas que não são formadas no setor. “Por que a atividade de administrador de banco de dados não pode ser exercida por um estatístico? E os artistas e designers? Eles entendem mais de Macs do que qualquer um”, exemplifica.

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Segundo a analista, os gerentes de informática não estão enxergando isso. Ela afirma que muitos preferem apenas proliferar a tese de que estão faltando profissionais, do que pensar em soluções. “Um profissional uma vez reclamou que eu falo de formação no futuro, mas que isso não adianta, que ele precisa das pessoas agora! Mas se há três anos ele estava implementando uma tecnologia, sabia que precisaria de pessoas na área e não se preparou”, alerta.

O assunto tem dado pano pra manga. Nenhuma palestra que ministra sobre o tema, diz Ione, termina no horário previsto. Em sua opinião, se os alunos têm uma formação fraca no ensino médio, por que as instituições de graduação não fazem intensivos de final de ano, no estilo de uma recuperação, para acompanharem melhor as aulas? Poderiam também dar aulas complementares, como métodos para fazer apresentações, slides e para gestão e comunicação.

Além disso, há a questão da redução na busca pela profissão. Os números mostram queda de 25% nas inscrições em faculdades de TI e acreditamos que no Brasil o total seja ainda maior – aproximadamente 30%. “Os jovens acham que a profissão é repetitiva e chata e essa percepção atrapalha na ponta, na hora de as empresas contratarem”, relata.

O ponto central é que todos são coniventes. “As companhias também não são santas. Quando contratam estagiários como substituição de mão-de-obra, exigindo que passem na empresa período integral, impedem que as universidades façam cursos com o grau de exigência necessário”, pontua.

O comentário do leitor Juliano ao site do COMPUTERWORLD segue a mesma linha da analista. Ele diz que o principal fator que enfraquece a qualidade da mão-de-obra é "a super exploração das empresas", apesar de concordar que muitos alunos e faculdades são ruins. “As organizações exigem cada vez mais e pagam cada vez menos. Está mais que claro que isso não passa de choradeira de empresários que querem arrumar um motivo para reduzir salários", protesta.

Opinião do Leitor [6 comentários]

Regulamentação.

Utilizar especialistas de outras áreas pode até ser uma solução no curto prazo, mas é imprescindível que haja uma regulamentação, veja nas atribuições das vagas o que as empresas pedem, é como se tivessem atirando para todos os lados, o pior é que na maioria das vezes não utilizam nem metade do que exigem. Uma área bem regulamentada torna mais claras as funções e atribuições dos cargos, permitindo as instituições preparar melhor os profissionais e os mesmos evoluírem num ambiente mais organizado. Essa situação não é boa para ninguém (Profissionais e empresas), mas principalmente não é boa para nosso país. Quando vamos deixar de ser um país com grande potencial e só. Vamos estimular o debate para regulamentação, se não fizermos nossa lição de casa como vamos competir nesse mundo cada vez mais globalizado.
Fábio - 21 Jul 2008, 20h46

CONHECIMENTOS ABAIXO DO INSUFICIENTE.

Concordo em partes com tudo isso que está sendo publicado nas últimas duas semanas em relação a falta de mão-de-obra especializada em TI. A verdade é que a grande maioria dos profissionais tanto de cursos técnicos, quanto de universidades, possuem conhecimentos abaixo do suficiente, ou seja, menos que o mínimo necessário para que uma empresa o absorva e comece sua preparação para o trabalho. Ora, diariamente nos deparamos com "profissionais" vindos dos mais diferentes cursos profissionalizantes de TI e de diversas universidades, de cursos de análise de sistemas, sistemas de informação, entre outros, e essas pessoas não sabem MAPEAR uma Unidade de Rede, não sabem que um Banco de Dados fica em um Servidor, não sabem como acessar esse servidor e por aí a fora. Isso é só um exemplo dos absurdos que nos deparamos diariamente. Como contratar um profissional tam mal preparado? Eu posso ensinar um profissional a fazer um Pão, mas ele tem que pelo menos saber diferenciar a Farinha do Fermento e a Água do Leite.
JOÃO BATISTA - 21 Jul 2008, 13h09

Investimento em Treinamento

O que tenho visto é que muitas empresas de TI só investem em treinamento se houver retorno imediato. Com medo do profissional ser treinado e ir para outra consultoria, o investimento é feito somente se houver algum projeto para alocação.
PAULO - 21 Jul 2008, 10h53
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