Carreira
Coniventes, empresas também são culpadas pelos maus profissionais
Ione Coco, do Gartner, avalia diversos aspectos da falta de profissionais de TI e diz que alguns conceitos precisam ser revistos.
Por Luiza Dalmazo, do COMPUTERWORLD
Pesquisa do Gartner afirma que a tarefa de encontrar, formar e reter talentos é a
prioridade número três dos CIOs (justamente para não comprometer o futuro da TI no País). Fica atrás apenas de ‘entregar projetos
para crescer o negócio’ e ‘aproximar a estratégia da TI à da empresa’.
Entretanto, a vice-presidente do programa executivo do Gartner para a América Latina, Ione de Almeida Coco, afirma que é necessário mais. “As empresas são coniventes por que o estágio deixou de ser aprendizado e é hoje substituição de mão-de-obra”, diz.
Ione Coco afirma que as empresas devem apostar em novas práticas como a contratação de pessoas com conhecimento em tecnologia, mas que não são formadas no setor. “Por que a atividade de administrador de banco de dados não pode ser exercida por um estatístico? E os artistas e designers? Eles entendem mais de Macs do que qualquer um”, exemplifica.
> Discuta CW Connect - rede social para profissionais de TI e telecomunicações criada pelo COMPUTERWORLD - há um grupo sobre carreira já com muitos participantes.
Segundo a analista, os gerentes de informática não estão enxergando isso. Ela afirma que muitos preferem apenas proliferar a tese de que estão faltando profissionais, do que pensar em soluções. “Um profissional uma vez reclamou que eu falo de formação no futuro, mas que isso não adianta, que ele precisa das pessoas agora! Mas se há três anos ele estava implementando uma tecnologia, sabia que precisaria de pessoas na área e não se preparou”, alerta.
O assunto tem dado pano pra manga. Nenhuma palestra que ministra sobre o tema, diz Ione, termina no horário previsto. Em sua opinião, se os alunos têm uma formação fraca no ensino médio, por que as instituições de graduação não fazem intensivos de final de ano, no estilo de uma recuperação, para acompanharem melhor as aulas? Poderiam também dar aulas complementares, como métodos para fazer apresentações, slides e para gestão e comunicação.
Além disso, há a questão da redução na busca pela profissão. Os números mostram queda de 25% nas inscrições em faculdades de TI e acreditamos que no Brasil o total seja ainda maior – aproximadamente 30%. “Os jovens acham que a profissão é repetitiva e chata e essa percepção atrapalha na ponta, na hora de as empresas contratarem”, relata.
O ponto central é que todos são coniventes. “As companhias também não são santas. Quando contratam estagiários como substituição de mão-de-obra, exigindo que passem na empresa período integral, impedem que as universidades façam cursos com o grau de exigência necessário”, pontua.
O comentário do leitor Juliano ao site do COMPUTERWORLD segue a mesma linha da analista. Ele diz que o principal fator que enfraquece a qualidade da mão-de-obra é "a super exploração das empresas", apesar de concordar que muitos alunos e faculdades são ruins. “As organizações exigem cada vez mais e pagam cada vez menos. Está mais que claro que isso não passa de choradeira de empresários que querem arrumar um motivo para reduzir salários", protesta.


