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Carreira

Para leitores, recém-formados em TI estão piores a cada ano

Empresas reclamam da redução no padrão de formação e afirmam que precisam avaliar 20 profissionais para encontrar um que sirva para o posto.

Por Luiza Dalmazo, do COMPUTERWORLD

16 de julho de 2008 - 07h00
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ATUALIZADA EM 18/07/08, ÀS 12H

A discussão sobre o futuro da TI no Brasil em xeque por falta de profissionais tem outro capítulo.

Para os empresários e professores leitores do COMPUTERWORLD, a culpa não está nas universidades, mas nos próprios alunos que saem das faculdades cada vez piores.

“Está cada vez mais difícil contratar estagiários para a área de tecnologia”, reclama o diretor de tecnologia da Radcom, Francisco Leitão. E seu colega, o administrador de empresas gaúcho João Batista Brogni, completa que a estrutura precisa ser revista, pois "hoje os estudantes saem da faculdade uns ‘meia-boca'".

Leitão diz que, em ordem, seleciona currículos baseado nas noções que os estudantes têm na área para a qual se candidataram, depois ouve os planos de futuro dos universitários, os submete a uma pequena prova sobre os conhecimentos técnicos e, finalmente, avalia a redação.

> Continuem o debate na CW Connect, rede social do COMPUTERWORLD para profissionais de TI e telecom.

Mas ele diz que cada vez se assusta mais com os candidatos que recebe. “São vários problemas; tem gente que tem curso de manutenção que não é capaz de reconhecer uma placa mãe”, reclama.

Além disso, o executvo conta que há também quem, depois de tudo isso, não consiga organizar suas idéias em forma de texto. “Eles comentem erros típicos de alguém que só escreve no MSN”, afirma.

Quem também seleciona baseado na capacidade de expressão escrita é o administrador Brogni. O executivo afirma que é incrível como mesmo jovens formados hoje não sabem escrever um texto ou expressar as idéias de forma lógica. "Antes selecionávamos pelo conhecimento técnico; hoje é pela redação", conta.

Francisco Leitão garante que a sua empresa investe em treinamento, mas ressalta que quando os profissionais ficam mais qualificados acabam indo para empresas maiores. “A verdade é que há alguns anos o nível dos estagiários era muito melhor”, protesta. Leitão explica que na última seleção realizada, a companhia recebeu mais de 20 currículos, selecionou dois e só um compareceu ao trabalho.

Ione Coco, analista do Gartner para a América Latina, defende que está certo contratar profissionais pelas suas habilidades de matemática (lógica) e escrita. Mas afirma que as pessoas exigem muito dos jovens quando querem detalhes de o que elas querem em relação a seu futuro. “Hoje os jovens vêem um mundo diferente e muito mais amplo por meio da internet – não é fácil para eles saberem o que pretendem ser. Talvez fosse a vez de a área de recursos humanos mudar um pouco”, diz.

Depois de ler no COMPUTERWORLD que as faculdade facilitam as disciplinas para não perder alunos, o professor universitário Alan Carvalho, que trabalha com TI desde 1985, afirma que já ouviu colegas com uma boa definição do cenário nas universidades.

Ele propõe um raciocínio: "atualmente existem dois lados na educação superior em instituições privadas: um que deseja vender um diploma, outro que deseja comprar um diploma. E um chato no meio atrapalhando tudo. Advinhe quem é o que nessa história?".

Opinião do Leitor [18 comentários]

Consultorias, PJ e CLT-Flex

A área de tecnologia está péssima para todos os lados que se vê.
Começa por essa história ai de empresa. Que empresa está reclamando ? As consultorias, suponho.
Primeiro, 90% das contratações são como PJ. Ninguém comenta isso, não sei o motivo.
O governo arranca dinheiro de impostos de um cidadão que tem no máximo seus pais ou conjuges como sócios, mas não são empresas de verdade, são profissionais que só tem essa saída pra se sustentar. O governo arranca dinheiro de imposto desse cidadão, que não tem qualquer proteção do mesmo.
Não podemos se emcaixar no Simples. Não temos qualquer abatimento de impostos.
A consultoria nos trata como objetos, sem qualquer plano de carreira. E agora eles contratam estagiários por R$ 500,00, como o exemplo acima e "vendem" o serviço desse profissional como um Sênior, cobrando R$ 100,00 a hora.
Tem que por um fim nisso. Todos estamos perdendo.
As empresas (não consultorias) tem que voltar a contratar e criar um plano de carreira, o profissional de TI tem que ser considerado como um patrimônio de conhecimentos da empresa.
O CLT-Flex é outra sacanagem, que foi inventada pro Sindicato ganhar. Uma coisa falsa, inventada para complicar a vida do profissional.
Onde vamos parar ???
Marcelo - 22 Jul 2008, 10h07

Aqui se faz aqui se paga!

Essa e a tendência futura, profissionais desqualificados para empresas que sempre desqualificaram o mercado. Quero ver quando estas empresas começarem a perder seus dados ou terem problemas administrativos, vai ficar mais legal ainda quando começarem a perder clientes, resumindo para o que pagam e valorizão a TI, ta bom, tem que pegar funcionario ruim mesmo.
Sandro Rosa - 22 Jul 2008, 07h47

valorização

"...quando os profissionais ficam mais qualificados acabam indo para empresas maiores."
Isso depende da empresa se ela nao oferece carreira profissional e uma remuneração dentro do mercado, simplesmente ela vai estar preparando o profissional para os concorrentes nao tem para onde correr. Trabalhar com pessoas nao é uma tarefa facil. Não é a toa que o google busca "preocução" com o colaborador mesmo apos a empresa, e tenta transmitir um relacionamento transparente como se o profissional fosse uma especie de socio do organização...
camilo - 18 Jul 2008, 16h15
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