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Carreira

Bom ambiente também é ótimo negócio

Para a Kaizen, pelo terceiro ano entre as 5 melhores empresas para trabalhar e vencedora da categoria Credibilidade, bom ambiente é garantia de produtividade.

Por Vinícius Cherobino, do COMPUTERWORLD

22 de julho de 2008 - 09h00
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Na primeira edição do prêmio Melhores Empresas para Trabalhar, em 2006, a Kaizen ficou na vice-liderança e conquistou a dimensão Camaradagem. Em 2007, não só foi a Melhor Empresa para Trabalhar como também ganhou em Respeito. Agora, na edição 2008, a empresa é a terceira colocada do ranking geral e dona da categoria Credibilidade.

O que explica a assiduidade da Kaizen na lista? Não é a novidade dos seus projetos, já que eles são conhecidos dos leitores do COMPUTERWORLD e fazem parte da rotina dos funcionários. O Kick-off (encontro anual em que se discute as metas e os resultados atingidos, com abertura dos números), o Churras Kaizen (encontro de comemoração seguido de - claro - churrasco) e o Arraial Kaizen (festa junina da empresa), por exemplo, ganharam bastante destaque.

Vencedoras das Melhores Empresas para Trabalhar

Além desses, também foi bem apresentado o evento mais famoso da empresa: o Kaizen Rock. Programado para o dia 18 de outubro, ele terá a sua maior edição em 2008 com a expectativa de receber mais de mil pessoas, contando com a participação de 65 funcionários e, como não podia deixar de ser, com seis bandas formadas por funcionários e agregados, em estilos musicais que vão do pop rock ao heavy metal. Tudo isso apresentado em uma casa de shows especialmente alugada para o evento.

Mas isso também não é propriamente novo. Se não são criados novos eventos a cada ano para distrair os funcionários, o que explica então a presença constante da Kaizen na lista das Melhores Empresas para Trabalhar?

De acordo com o seu fundador, Alexandre Neves, a resposta é uma só: a idéia de construir um bom ambiente precede a criação da companhia e por isso traz resultados. “A idéia surgiu antes de a Kaizen nascer. Queria trabalhar em um lugar onde as pessoas fossem contentes e, a partir daí, fundei a empresa”, afirma.

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Daniel Dystyler, diretor de gestão de talentos da Kaizen, ressalta a preocupação em ouvir os funcionários, buscando encontrar valor para eles que vão além de uma simples compensação em dinheiro. “Ao contrário de dar um bônus financeiro, que garante uma felicidade pontual, queremos uma relacionamento de longo prazo”, define.

Dystyler ressalta que, antes de participar da pesquisa do Great Place to Work, a Kaizen já realizava pesquisas internas com funcionários por quatro anos. Ele garante que os valores - aquele quadro tradicional que está na parede de muitas empresa e que não participam da rotina corporativa – são vistos pelos funcionários no dia-a-dia da empresa. “Não corremos o risco de esquizofrenia empresarial. Aqui não há um chefe que chuta o empregado embaixo de um quadro que defende a ética”, define.

Neves gosta de ressaltar que, apesar de projetos heterodoxos como o show de rock e os churrascos, além da informalidade que permeia a companhia, não há chance de esquecimento do objetivo final de uma empresa: o lucro. “Ter lucro é questão de sobrevivência da Kaizen. Mas a sobrevivência não é o fim, é um meio para continuarmos a ter esse bom ambiente em que é gostoso trabalhar”, afirma.

Para comprovar seu ponto, Neves garante que a Kaizen rejeita várias propostas de contratos que iriam degradar as condições de trabalho na empresa. “O cliente pode até ser bom, mas a margem é tão pequena que teríamos que pagar ‘por fora’ e sem o nosso ambiente. A decisão é simples: não pegamos”, garante.

Apesar disso, ou talvez por esse comportamento, a empresa vem crescendo em um ritmo constante. No ano passado, a Kaizen teve faturamento de 22,2 milhões de reais, alta de mais de 10%. Após um crescimento de 64% no primeiro trimestre de 2008, ante o mesmo período no ano anterior, a empresa prevê crescimento recorde de 25% em 2008. “Só conseguimos garantir o nível de produtividade que temos aqui porque as pessoas gostam de trabalhar na Kaizen. Ser um bom ambiente é um ótimo negócio”, resume.

Gerenciando demandas múltiplas
Elaine Cristina Gomes trabalha na Kaizen há sete anos e meio. Com experiência anterior em empresas com culturas mais “conservadoras”, como ela mesma classificou, a gerente de projetos afirma que se encantou com a comunicação horizontal que encontrou na integradora. Ela entrou na empresa como programadora, passou pela função de analista até chegar ao atual cargo de gerente de projetos.

Até aqui, nada de muito diferente da experiência profissional de outras pessoas em outras companhias. Acontece que, para Elaine, 2008 é um ano muito especial. A gerente de projetos está testemunhando dois grandes acontecimentos em sua vida: o nascimento de seu segundo filho Eduardo (previsto para outubro próximo) e a recém-conquistada certificação em gerenciamento de projetos do PMP (Project Management Professional) do instituto PMI (Project Management Institute).

As duas coisas - a gestação e a preparação para o puxado exame - aconteceram concomitantemente. Aliás, na vida de Elaine, a gravidez e a prova tiveram que coexistir com as suas funções normais dentro da Kaizen. E, surpresa: ela não enlouqueceu.

“Gerenciando bem, é possível fazer tudo ao mesmo tempo. Com planejamento contínuo, dá para gerenciar os projetos na Kaizen e manter a licença maternidade”, disse. A gerente de projetos conta que, na sua rotina diária na empresa, conseguiu separar duas horas por dia, durante dois meses, para estudar e se preparar para o exame. O resto da preparação vem da experiência de mais de quatro anos gerenciando projetos.

Mas, Elaine, você não sentiu um medo da empresa de ver você indo para um concorrente após investir tanto tempo e recursos na sua formação profissional? “Não senti que eles têm medo de me perder. A Kaizen quer que a gente cresça junto, a gente ajuda a construir os resultados. Por isso o turn over de funcionários é tão baixo”, completou.

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