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Carreira

Respeito conquistado, e reconhecido

Vencedor na dimensão Respeito, o Google mostra que um ambiente estressante não é sinônimo de funcionários frustrados.

Por Fábio Barros, do COMPUTERWORLD

22 de julho de 2008 - 09h00
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Imagine um ambiente de trabalho absolutamente estressante: metas ampliadas a cada trimestre, prazos apertados, trabalho altamente técnico e funcionários desafiados até o limite. Tudo isso em uma empresa da alta performance e que, além de tudo, está sob os holofotes do mercado por suas ações e seu crescimento.

Sim, este é o Google, e não, seus funcionários não estão frustrados ou insatisfeitos com a pressão a que são submetidos todos os dias. Ao contrário, graças a eles a companhia foi a vencedora da dimensão Respeito do prêmio Melhores Empresas de TI e Telecom para se Trabalhar. Segundo Deli Matsuo, diretor de RH do Google para a América Latina, o segredo está nas pessoas – desafiantes e desafiadoras – e na filosofia adotada para tratá-las, que parece estar funcionando.

“Temos aqui duas visões importantes: a expectativa dos nossos funcionários e a política de RH desenvolvida para atendê-las”, diz. Sobre o primeiro ponto, Matsuo afirma que o Google tem profissionais com expectativas acima da média: são pessoas vindas de grandes empresas ou das melhores escolas. Já a política foi desenvolvida não para reter estes profissionais, mas para fazê-los felizes.

“Fazemos aqui o que é melhor para o funcionário. Nunca algo que não seja justo com ele”, afirma. Como exemplo, o executivo cita o pagamento de cursos, que em outras empresas é geralmente atrelado a um período de permanência obrigatória. “Não é justo com o profissional ficar preso a um contrato por conta do dinheiro gasto pela empresa na sua formação. Pagamos os cursos e não cobramos nada em troca”.

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Respeito pelo profissional
Especificamente em relação ao cursos e treinamentos, o Google apresenta uma política bastante simples: o que a empresa acha que é útil para o desenvolvimento profissional do indivíduo, é 100% coberto. Para cursos desejados pelos profissionais, mas que não tenham relação direta com seu trabalho, a empresa paga 75% do valor.

Um ponto de destaque: não há diferenciação hierárquica para os benefícios, que são nivelados por cima. “Um estagiário fica tão doente quanto um diretor da companhia. Não faz sentido que seu plano de assistência médica seja inferior”, explica Matsuo.

Por falar em saúde, o pacote de benefícios do Google inclui reembolso de academia e também o estímulo de programas relacionados à saúde. Por exemplo, se um grupo de funcionários decide realizar uma determinada atividade, a companhia estimula e paga por isso. Alguns exemplos: o grupo formado para a disputa de partidas de futebol tem o campo pago pela empresa; outro grupo, dedicado à prática de corrida, conta com a consultoria de profissionais especializados paga pela empresa.

O conceito de benefício vai além. A companhia estimula e ajuda seus profissionais que queiram mudar de função, cidade, ou país. “Nestes casos, cuidamos do visto, da mudança e damos uma ajuda de custo para as primeiras semanas no novo local. Neste caso não há objetivo de negócio, apenas a felicidade do funcionário”, diz o diretor. Tanto é assim, que hoje há brasileiros nas unidades do Google na Austrália, Alemanha, Suíça e Estados Unidos, entre outros.

Respeito pelo indivíduo
Mais que os benefícios, Matsuo ressalta as relações existentes entre a empresa e seus funcionários, absolutamente abertas. De acordo com ele, o Google realiza reuniões semanais – toda quinta-feira – das quais participam o presidente, os líderes de área e todo e qualquer funcionário interessado em falar ou discutir determinado assunto. “Estas reuniões são extremamente democráticas, mas as discussões jamais podem ser levadas para o lado pessoal. Toda argumentação tem de ser feita sobre dados”, diz.

Para o diretor de RH, a prática é extremamente atraente para os mais jovens, que percebem que sua opinião tem a mesma importância que a dos diretores da empresa. “Aqui as pessoas sentem que fazem diferença para a empresa. Por isso, na maior parte dos casos, temos resultados mais consistentes que estruturas mais tradicionais”, afirma.

Mas toda a preocupação com a felicidade dos funcionários não existe sem motivo. Ao contrário, ela parte do princípio de que profissionais satisfeitos produzem mais e com mais eficiência, e isso é cobrado pela empresa. Matsuo reconhece que o Google desafia seus profissionais até o limite. Mais que isso, ele sabe que destacar-se em um ambiente como o deles é muito difícil, e que isso causa uma pressão tremenda.

“Sabemos que temos um ritmo acelerado e que a pressão aqui é tremenda. Por isso a empresa conta com áreas de descanso e recreação. Nós praticamente exigimos que as pessoas dêem uma parada três ou quatro vezes ao dia, porque do contrário elas não agüentam o ritmo”, explica.

Diana Cerveira, responsável pela área de marketing e eventos do Google, reconhece a pressão, mas afirma que a companhia significou uma verdadeira revolução profissional e pessoal. “Aqui me dão responsabilidades que eu não teria em outras empresas e isso me fez crescer muito profissionalmente. A pressão é grande, mas temos a liberdade de errar”, afirma.

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