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Carreira
Quando o QI faz toda a diferença
São Paulo - Falta de profissionais no mercado de tecnologia da informação leva empresas a pagar bônus ou prêmio para funcionários que indicam amigos para vagas.
Andrea Giardino, editora-assistente do COMPUTERWORLD
O famoso “QI” (Quem indica) nunca foi visto com bons olhos pelo mercado, principalmente porque está ligado àquela ideia de apadrinhamento nos processos de seleção. Entretanto, algumas empresas de tecnologia no Brasil passaram a aderir a essa prática sob outro contexto: resolver o problema da falta de profissionais qualificados.
A indicação de “amigos” por funcionários, que teve a Microsoft como uma de suas precursoras no País, vem se transformando em programas formais dentro das companhias - de pequeno, médio e grande porte -, as quais oferecem bônus ou prêmios para quem apresenta um potencial candidato à vaga.
Embora mantenha os mesmos conceitos do “QI” que conhecemos, todas as empresas afirmam não priorizar o indicado em relação aos demais concorrentes na hora da contratação. Na Elucid, empresa paulista de tecnologia da informação, por exemplo, o funcionário só ganha os 1 mil reais de bônus se o amigo indicado for escolhido e permanecer na companhia durante seis meses.
Com cerca de 30 vagas em aberto e, diante da expectativa de aumentar o número de empregados de 250 para 315 pessoas, a iniciativa é vista como bem sucedida e alternativa a uma questão que se repete ano após ano: ‘carência’ de mão-de-obra.
“Esta é uma das formas mais eficientes de ‘caçar talentos diante de um mercado aquecido”, afirma Michael Wimert, presidente da Elucid. “Precisamos ser criativos e inovadores para atrair bons profissionais, assediados o tempo todo pela concorrência”.
Outro exemplo é a BRQ, empresa brasileira de serviços em tecnologia da informação focada em integração, desenvolvimento e outsourcing de aplicações. Com cerca de 300 vagas abertas recorrentes, a companhia presenteia os funcionários com 200 reais em bônus para compras na loja virtual Americanas.com cada vez que eles indicam uma pessoa e esta é contratada. “Hoje, do volume do total de novos profissionais que ingressam na empresa, 40% vêm desse ‘canal’”, afirma Benjamin Quadros, presidente da BRQ.
Para Rodolfo Eschenbach, líder da área de consultoria para organização e talentos da Accenture, a maior vantagem desse tipo de iniciativa é encontrar profissionais que tenham o perfil da empresa. “Os funcionários sabem exatamente o que a companhia quer, entendem os requisitos da vaga e só indicam quem confiam”, ressalta.
Na Accenture, o programa, denominado “Traga seus amigos”, também paga um bônus de valor não revelado. Os indicados precisam se cadastrar na área específica para as vagas em aberto no site da consultoria. De acordo com Eschenbach, uma em cada três pessoas indicadas acaba ficando na empresa.
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