Carreira
Queda de salários de equipes exige atenção dos CIOs
Executivos precisam investir em treinamentos e políticas voltadas a reter os profissionais e, principalmente, motivá-los a trabalhar de forma adequada, mesmo com cortes de benefícios e remuneração.
Por Network World/EUA
O cenário de desaceleração da economia levou muitas organizações a tomar medidas radicais para reverter perdas. Como alternativa para evitar demissões, algumas empresas optaram por políticas voltadas a reduzir benefícios e salários oferecidos aos profissionais.
No departamento de TI, essa situação criou mais um desafio ao cotidiano dos CIOs: reter e estimular equipes desmotivadas por uma menor remuneração.
Entre os muitos exemplos desse cenário está o de um grande grupo de mídia norte-americano, o qual estabeleceu, em maio deste ano, um corte de 10% nos salários de toda a companhia. Como reflexo direto, dos cinco analistas do departamento de TI, um deles já deixou a empresa. E o responsável pela área de tecnologia prevê uma piora na qualidade dos serviços oferecidos por sua equipe.
A diretora associada da consultoria norte-americana de recrutamento Alexander Group, Sarah Mitchell, aponta que as reduções de bônus, benefícios e salários para os profissionais de TI foram um movimento global em 2009. E a única forma do CIO reverter a queda de produtividade provocada por esse tipo de situação é investir em treinamentos e dar novas responsabilidades para os membros da equipe.
De acordo com Sarah, o corte na remuneração pode provocar estragos consideráveis nos resultados de qualquer operação. “Corre-se o risco de perder pessoas, mas o maior impacto é no ânimo dos funcionários”, pontua a especialista. Ainda segundo ela, os líderes precisam entender como suas equipes lidam com essa questão. “Comprometa-se com seu time que você vai melhorar os pagamentos eventualmente ou tente dar a eles uma previsão de eles uma previsão de quanto tempo a situação vai durar”, aconselha.
O CEO da empresa de pesquisas de salários de tecnologia Foote Partners, Davi Foote, concorda que qualquer corte nos benefícios oferecidos aos profissionais pode representar um sério risco para o CIO. “A retenção [de profissionais] é um problema sério na área de TI e as empresas precisam começara a entender isso”, diz o CEO, que acrescenta: “Quando acontece uma redução nos pagamentos, as melhores pessoas vão deixar a companhia.”
Quanto ao conselho que ele daria aos CIOs, Foote afirma que o melhor a fazer é evitar o corte de salários e benefícios a qualquer custo.
Exemplo de sucesso
A GTA (Georgia Technology Authority) – órgão que responde por toda a infraestrutura de TI e pela gestão da rede de serviços do governo do estado da Georgia, nos Estados Unidos – optou por uma saída alternativa. Por conta de problemas financeiros, em vez de decretar a redução do salário das equipes, o órgão decidiu oferecer três dias de folgas não remuneradas para a equipe de tecnologia, o que representou um corte de 1% no valor da folha de pagamentos.
O diretor de comunicações da GTA, Michael Clark, afirma que os 170 funcionários do órgão aprovaram a iniciativa. Ainda de acordo com ele, as pessoas estavam cientes da queda nas receitas do estado e que isso afetaria as operações. “O que tenho ouvido é que os profissionais têm consciência de que um dia de folga representa que não vão haver demissões”, pontua Clark, ao acreditar que essa decisão tende a evitar uma evasão de talentos e uma queda na produtividade.
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