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Carreira

Quatro questões que vão afetar o futuro dos CIOs

Os gestores de TI precisam adaptar suas competências e sua posição dentro da empresa, se quiserem sobreviver no cargo em longo prazo.

Computerworld/US

25 de agosto de 2010 - 07h05
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Um relatório da consultoria KPMG, publicado neste ano, reforça algo que os CIOs já escutam há um bom tempo: líderes de TI com perfil puramente operacional estão com os dias contados nas empresas. Isso porque, as organizações descobriram que a tecnologia não serve apenas para garantir a eficiência do negócio, mas precisa ser bem explorada para gerar um valor verdadeiro à organização, segundo o consultor em TI Chris Potts, autor do livro FrulTion: Creating the Ultimate Corporate Strategy for Information Technology (ainda sem tradução para o português).

Do lado dos CIOs, para acompanhar esse novo momento, eles precisam mais do que simplesmente fazer pequenos ajustes na maneira como conduzem seu trabalho atual. Na prática, os gestores de TI precisam atacar quatro questões – conhecidas como os quatro ‘Ps’ – ao mesmo tempo: percepção, perfil, participação e performance. 

“O papel do CIO é muito mais interessante do que pensar apenas em tecnologia. Mas, para isso, ele deve ser encarado como qualquer outra liderança das áreas de negócio”, enfatiza o CIO da rede de confeitarias e farmácias norte-americanas SuperValu, Wayne  R. Shurts. “Esse profissional precisa se sentir como parte da equipe de líderes e estar empenhado em ajudar a empresa a ganhar hoje, amanhã e na próxima década”, completa.

O primeiro passo é estar disposto

A adaptação do gestor de TI ao novo papel que é esperado dele deve começar por um questionamento: o profissional que ocupa a posição de CIO está disposto a mudar?

A pergunta pode parecer até inocente, mas deixa de ser se analisarmos a trajetória dos CIOs dentro das organizações. De forma geral, são homens e mulheres que sempre estiveram preocupados em manter as coisas rodando. Cresceram sabendo muito sobre servidores e armazenamento, mas enfrentam dificuldades de se comunicar quando são chamados a discutir com os principais executivos de negócio. Além disso, não conseguem se posicionar como estrategistas e dificilmente são encarados como líderes na organização.

O cargo de CIO hoje é bastante nebuloso, avalia a ex-editora da revista CIO/EUA, Abbie Lundberg, que hoje atua como consultora em comunicação e carreira para executivos. “Essa posição [de liderança da TI] pode representar coisas bem diferentes em cada empresa, dependendo dos objetivos da organização”, pontua.

Já o especialista em gestão de TI Tom Davenport, que atua como professor na escola de negócios norte-americana Babson College, relata que não tem visto mais pessoas que sonham em alcançar o posto de CIO, “o que é um indicativo de que há algo errado”, analisa. 

Ele aponta que, de forma geral, quando conversa com executivos interessados em assumir a liderança de TI, o objetivo é utilizar essa experiência como uma passagem para alcançar a posição de CEO. “Eu penso que as pessoas respeitam a tecnologia, mas não existe muita gente disposta a trilhar uma carreira clássica no setor”, acrescenta Davenport.

Quem decide ocupar o papel de CIO tem de estar preparado para enfrentar desafios sem precedentes. Entre eles, lidar com uma complexidade dos negócios que atormenta cerca de 80% das organizações ao redor do mundo, segundo um estudo da IBM com os CEOs das maiores empresas globais. O levantamento aponta que mais da metade desses executivos não está preparada para lidar com esse ambiente econômico e vão precisar do apoio da TI para isso.

No novo clima econômico mundial, lidar com instabilidade transformou-se em algo cotidiano para as empresas. Para a TI, isso significa manter os objetivos de aumentar a eficiência das organizações e fazer mais com menos. Sem contar com outros temas que contribuem para as incertezas e as dificuldades da área de tecnologia da informação, como o caso de cloud computing (computação em nuvem), mídias sociais e a disseminação dos dispositivos móveis.

“Todo o movimento de uso intensivo de novas tecnologias é especialmente difícil para os CIOs”, analisa Davenport. “Provavelmente, pela primeira vez na história, as pessoas têm mais poder tecnológico em casa e em seus bolsos do que aquele oferecido pelo departamento de TI das empresas”, ressalta.

E a única forma de administrar esse verdadeiro caos em que se transformaram os ambientes de TI é ter uma equipe que seja proativa e que forneça assistência aos usuários, afirma o CIO da Supervalu. “Quando nós vemos as unidades de negócio implementando sua própria tecnologia, a equipe de TI deveria entender que, provavelmente, foi lenta para agir ou não se posicionou como uma parceira dos demais executivos”, explica Shurts.

Mas como o CIO pode mudar e, principalmente, se preparar para esse novo perfil demandado das organizações. A seguir, acompanhe os quatro passos necessários nessa trajetória.

1. Percepção: Adeque a forma como é visto pelo resto da organização
Todos sabem que nem sempre a percepção que as pessoas têm equivale à realidade. Mas a principal transição que o CIO precisa fazer para deixar de ser apenas um executor de tarefas para se transformar em alguém estratégico é mudar a imagem de dele e de sua equipe. Um caminho fundamental para isso é acabar com a percepção de que os profissionais de TI são um grupo de nerds que cuida do help desk, das senhas de computador e do data center.

O CIO da fabricante de complementos nutricionais Shaklee – que também ocupou posições nas áreas de TI da Gap, Nike e Pepsi –, Ken Harris, considera que para galgar uma posição estratégica, o gestor da área de tecnologia não pode deixar de lado questões operacionais. Assim, o profissional precisa assegurar que os sistemas, as aplicações e o data center esteja sempre funcionando, bem como deve cobrir questões de segurança e de recuperação dos desastres. “Mas fazer só isso bem não é uma garantia de sucesso”, analisa Harris.

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