Carreira
Aline Zimermann é sócia da FESA Global Recruiters, empresa de recrutamento de executivos voltada à alta direção, e responsável pela consultoria, recrutamento e avaliação de executivos para os setores de Telecomunicações e Tecnologia da Informação.
Executivos, preparem-se
Em meio às turbulências do setor, as empresas de telefonia ainda têm de se preocupar em fazer uma boa gestão de talentos, motivando os principais executivos a conviverem diariamente com um dos segmentos mais desafiadores do mercado.
Na corrida das empresas de telefonia pela convergência digital, buscando soluções inovadoras que ofereçam aos consumidores a integração entre telefone fixo, celular, internet e TV a cabo, levanta-se um questionamento comum a todas as operadoras: como oferecer soluções de convergência tecnológica aos consumidores sem esbarrar nas atuais questões regulatórias e tributárias?
Este viés comum às empresas de telefonia fez parte do discurso de quase todos os presidentes das operadoras fixas e de celulares brasileiras, durante a Futurecom 2007, grande evento do setor de telecomunicações, que ocorreu em Florianópolis (SC) na primeira semana de outubro.
Dentre os diversos cenários por lá discutidos, destacou-se a apresentação da Oi, que começará a transmitir vídeos de banda larga para sua base de clientes no início do próximo ano. Já a BrasilTelecom lançou, no final de setembro, o serviço de IPTV (internet protocol TV), com o mesmo escopo da Oi, ou seja, vídeos sob demanda.
Ambas baseiam-se em brechas da legislação brasileira para o setor, que proíbe a venda de “pacotes de canais de TV” ou conteúdos multimídia em massa pelas empresas de telefonia, mas não as impede de ofertarem serviços de vídeo “on demand” para clientes individuais. De acordo com a afirmação do presidente de uma das operadoras, fica muito difícil explicar para os investidores externos que, por conta das questões regulatórias no Brasil, é possível vender apenas alguns dos serviços convergentes, diferentemente do que acontece com as operadoras lá fora.
Além das questões regulatórias, foi encaminhado ao Governo um projeto de aprovação de isenção de impostos para acelerar os investimentos das operadoras fixas na construção de uma rede de transmissão de dados de alta velocidade. Em meio a esta turbulência, as empresas de telefonia ainda têm de se preocupar em fazer uma boa gestão de talentos, motivando os principais executivos a conviverem diariamente com um dos segmentos mais desafiadores do mercado.
Do lado corporativo, as empresas têm a grande missão de usar este ambiente - repleto de hipóteses e com poucas repostas concretas - como fator de retenção de seu quadro de executivos, dando maior flexibilidade e favorecendo o desenvolvimento e a liberdade de criação. Desta forma, seus profissionais podem encontrar alternativas cada vez mais criativas e diferenciadas, enquanto predominarem as atuais restrições na prestação dos serviços de telefonia.
Do ponto de vista do profissional das empresas de telecomunicações, fica a sugestão de aproveitar este momento de suas carreiras para ampliar seu aprendizado nas novas tecnologias e produtos, fazendo das empresas laboratórios de novas experiências, aprofundando conhecimentos e tornando-se “ativos” imprescindíveis para as futuras oportunidades, que brevemente surgirão no cenário nacional de telecomunicações.
Espera-se também que, do cenário consolidado, pós-período de fusões e aquisições e resoluções das pendências regulatórias, surjam profissionais capacitados e preparados para agregar valor ao consumidor final, pensando em serviços direcionados que façam sentido para o cliente convergente (alta renda) e ao cliente de baixa renda. Serão alternativas e ofertas diferenciadas para cada um destes perfis, de acordo com o momento de vida em que cada um encontra-se. Esta é uma tendência que já está sendo aplicada e utilizada nos países onde a geração 3G e a convergência digital fazem parte da realidade.
*Com a colaboração de Francine Mazzafero Graci, Diretora da FESA


