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Telecomunicações

Terra: banda larga alavanca estratégia no Brasil

Pertencente ao grupo Telefônica, o Terra aposta em banda larga para manter crescimento.

Por Ralphe Manzoni Jr. do IDG Now!

24 de agosto de 2006 - 13h30
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O diretor-geral do Terra no Brasil, Paulo Castro, é um corredor que participa de competições de meia maratona na vida pessoal. Na esfera corporativa, o executivo sabe que a disputa do mercado de internet é de longo prazo, semelhante a uma maratona, e que o portal que dirige no Brasil conseguiu abrir uma boa frente sobre os seus concorrentes mais diretos na disputa da banda larga.

Atualmente, o Terra tem 1,5 milhão de assinantes de banda larga, de acordo com números divulgados pelo portal. Mais de 85% desses clientes utilizam a tecnologia DSL (digital subscriber line), que usa a mesma infra-estrutura da rede telefônica e é fornecida por empresas de telecomunicações, como a Telefônica, que também faz parte do grupo Telefônica S.A., principal acionista do provedor.

Embora as operadoras de telecomunicações possam tecnicamente conectar diretamente o usuário, a legislação brasileira exige a figura do provedor. “O nosso objetivo, tanto do Terra como da Telefônica, é trabalhar na massificação da banda larga”, declarou Paulo Castro, em entrevista ao IDG Now!. “Em um horizonte de cinco anos, queremos que todas as residências, que tenham poder aquisitivo para tanto, tenham a tecnologia”.

De acordo com dados do Ibope/NetRatings, 9,2 milhões de pessoas acessaram a internet em banda larga de suas casas em junho, o que representa 69,2% de toda a base ativa de internautas do mês. Em janeiro deste ano, eram 7,6 milhões (63,7%). “Desde janeiro de 2005, há mais pessoas usando a web em banda larga do que com linha discada”, diz José Calazans, analista do instituto de pesquisas.

A base de assinantes de banda larga do Terra cresceu 48% no primeiro trimestre de 2006, se comparado com o mesmo período de 2005. Mas o ritmo começou a desacelerar, admite Castro. “Prevemos um crescimento de 30% a 35% neste ano”, declarou o executivo.

Este é o principal desafio do Terra. Se largou na frente na disputa de banda larga, precisa agora manter a dianteira. Mas como a corrida é de um maratonista, será que terá fôlego para chegar ao final?

Os desafios não são poucos. Um deles é a chegada de novas tecnologias de conexão sem fio, como a WiMAX, que está sendo licitada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O outro é o crescimento da competição com as empresas de TV por assinatura, que começaram a vender pacotes de banda larga com a tecnologia cable modem com preços atraentes, velocidades altas e sem a necessidade de um provedor para conectar o consumidor. E, por fim, sem ter um grupo de mídia em seu capital, como UOL e Globo.com, o Terra precisa se preparar para entregar conteúdo de banda larga.

A chegada de novas tecnologias de conexão sem fio está enrolada em uma disputa entre a Anatel e o Ministro das Comunicações, Hélio Costa, que envolveram-se em um imbróglio pela licitação das faixas de 3,5 GHz e 10,5GHz, que abrirá espaço para a implantação de redes WiMAX. Em resumo, Costa defende uma mudança na licitação que permita a participação das operadoras de telecomunicações.

O segundo desafio está relacionado ao crescimento lento do mercado de TV por assinatura no Brasil. No primeiro trimestre de 2006, havia mais conexões de banda larga no Brasil (4,3 milhões, segundo o IDC) do que assinantes de TV paga (4,2 milhões, segundo o Pay TV Survey). Boa notícia? Nem tanto.

Pressionadas por resultados, as empresas de TV por assinatura investiram pesado em internet, tentando aumentar a rentabilidade por cliente, com ofertas atrativas e velocidades de conexões que podem chegar até 8 Mbps (megabits por segundo).  Ainda mais, oferecem o serviço de provedor de forma gratuita. “Temos parcerias com todas as operadoras de DSL, as principais empresas de cabo, empresas de satélite, celular, Wi-Fi e EVDO, da Vivo”, diz Castro.

Por fim, a questão do conteúdo de banda larga. O Terra diz que tem um dos mais modernos estúdios de internet na América Latina, inaugurado em setembro de 2000, quando, no auge dos grandes investimentos de internet, trouxe Lilian Wite Fibe, hoje no UOL, para comandar o jornalismo da empresa. Atualmente, o Terra conta com um acervo de 70 mil vídeos e acabou de anunciar um acordo com a JumpTV, que vai permitir, ainda neste segundo semestre, acesso ao conteúdo de cerca de 200 canais de mais de 65 países, entre eles TV Bandeirantes, TV Chile, TVE, Televisa e VTV Uruguai.

O Terra começa também a prestar atenção no IPTV, na qual pode, mais uma vez se beneficiar da sinergia com a Telefônica. Fonte que conhece o projeto diz que o plano é levar o TV Terra para uma plataforma IP. “Queremos usar a banda larga não só para entregar conteúdo em um computador, mas também em televisão”, confirmou o principal executivo do provedor no Brasil. “Esta é uma iniciativa que a Telefônica tem na Espanha e no Chile e está em desenvolvimento no Brasil”.

Ao mesmo tempo em que investe em banda larga, o Terra se esforça para reduzir sua dependência da receita com assinatura. Em 2004, ela representava 65% do faturamento do provedor. Agora, está em 50%. De acordo com Terra, a receita que mais têm crescido nos últimos dois anos é de publicidade e comércio eletrônico, que já representam 20% do faturamento do portal. Os serviços de valor agregado, como e-mail, disco virtual antivírus, ligações pela internet (VoIP), têm se mantido estáveis.

Em setembro, o Terra promete lançar uma loja de música online para concorrer com o iMusica e o UOL, com a promessa de apostar no modelo de assinaturas. Também está investindo - o projeto está pronto, de acordo com uma fonte do setor - em uma loja pay-per-view de vídeos.

Fora da disputa pelo primeiro lugar no ranking do Ibope/NetRatings, o Terra há tempos se estabilizou no quarto lugar, atrás de MSN, de Google e do UOL. Castro diz não está satisfeito com a posição, mas assegura que o importante é ser líder em publicidade online.

Além de corredor, um dos hobbies de Castro é a vela. Como velejador, saber levar o barco, com ou sem vento, para o seu destino ou entender para que lado o vento sopra, já é, ao menos, um bom começo para o mercado brasileiro de internet brasileiro.


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