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Uma trajetória inversa
CIO da ABB há três anos, Gastão Azevedo tem colocado em prática seus conhecimentos nas áreas de negócios da empresa para garantir mais espaço para a divisão de TI. Os resultados? Soluções cada vez mais saudáveis para as operações da companhia.
Por Camila Fusco, do COMPUTERWORLD
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A disputa foi acirrada. Nada mais do que um décimo de ponto separou o primeiro do segundo colocado na categoria Indústria Automotiva, do IT Leaders 2006, sendo que os dois candidatos tinham atributos de sobra para conquistar o prêmio. Mas o aspecto que fez a diferença no resultado final é também aquele cada vez mais almejado pelos executivos: o alinhamento da TI com as demais áreas e sua capacidade em fazer a empresa ganhar em competitividade.
Nesse cenário é que vem o reconhecimento ao trabalho de Gastão José Goulart Azevedo, CIO da Asea Brown Boveri (ABB). O prêmio não vem coroar sua atuação apenas nos últimos 12 meses, mas consagra um conjunto de ações que precisaram ser executadas friamente desde que assumiu o posto, três anos atrás. Na época, a ABB atravessava uma fase nada confortável financeiramente, após enfrentar diversos processos nos Estados Unidos movidos por ex-funcionários da Combustion Engineering (CE), adquirida pela companhia em 1990, por exposição ao asbesto – substância considerada prejudicial à saúde. Tal situação fez com que a ABB desembolsasse 1,1 bilhão de dólares para resolver 438 mil processos entre a década de 90 e 2003. “Foi um período muito difícil para todas as áreas, inclusive para TI. Precisamos enxugar muito os custos e saímos de uma equipe de 89 pessoas para apenas 32 em tecnologia aqui no Brasil”, explica.
Ao longo dos anos a situação foi resolvida. Um acordo estabeleceu que a ABB não precisaria mais arcar com esse tipo de processo e o aperto inicial nos custos foi revertido com alívio nos números: a companhia saiu de um prejuízo de 223 milhões de dólares no quarto trimestre de 2004 para um lucro de 367 milhões no segundo trimestre de 2006. Na avaliação de Azevedo, todas as dificuldades vivenciadas no período contribuíram para que a área de TI ficasse mais integrada à de negócios e despontasse cada vez mais como um ponto de apoio para o crescimento das operações. “A crise ajudou para isso. Antes TI tinha uma prática pouco aceitável, criava demandas e inventava coisas que ainda ninguém tinha precisado. Trabalhar mais próximo das áreas de negócios contribuiu muito para o resultado da empresa”, aponta Azevedo.
A partir dessa aproximação natural, os caminhos das áreas de tecnologia e negócios não se distanciaram mais. O trabalho de adequação à lei norte-americana Sarbanes-Oxley, iniciado em agosto do ano passado, demandou, além de novos projetos e ferramentas, uma mudança de cultura para todos os profissionais da empresa – e o pontapé inicial veio do time de TI. “As áreas de negócios estão se adequando a controles que antes não tínhamos. Um exemplo disso é que a SOX exige o bloqueio de acesso a determinados sistemas – o usuário só pode acessar aquilo que precisa para trabalhar, além de perder todos os privilégios de acesso ao ERP quando muda de área. A adaptação cultural foi um grande desafio”, aponta o executivo.
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