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Iniciativas corporativas de Web 2.0

Como a revolução chamada de Web 2.0 está sendo adaptada nas empresas brasileiras. E, mais, como isso está sendo feito para gerar valor para os funcionários.

Por Vinicius Cherobino, do COMPUTERWORLD

19 de julho de 2007 - 01h00
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Colaboração, conectividade, socialização, transparência, construção coletiva do conhecimento. Todos esses conceitos, que representam algumas das bases da Web 2.0, estão passando por mais um teste: o processo de adaptação para o ambiente corporativo. A realidade que as empresas enfrentam, hoje, é aplicar essas idéias de maneira palatável, aproveitando o conhecimento que os funcionários já têm dessa revolução por utilizarem em suas vidas cotidianas, mas sem passar por problemas como falta de controle ou de exposição de informações críticas.

Não é segredo para ninguém: boa parte das revoluções trazidas pela Web 2.0 foi iniciada e ganhou corpo no universo dos consumidores finais. De maneira semelhante aos computadores pessoais saindo das casas para entrar na baia dos funcionários, a Web 2.0 está fazendo esse mesmo caminho. A maior agilidade e transparência de um blog, por exemplo, se consolida como conceito na vida pessoal do empregado e, em um momento seguinte, passa a fazer parte da rotina da corporação.

Esse processo de adaptação, segundo o que apurou a pesquisa do Great Place to Work, está começando a acontecer nas empresas brasileiras. O questionário enviado para 70 companhias registrou uma alteração pequena, mas importante para Web 2.0. Na questão “Os chefes envolvem as pessoas em decisões que afetam suas atividades e seu ambiente de trabalho”, o levantamento de 2007 registrou 70% de respostas positivas, valor maior em dois pontos porcentuais do que o resultado da pesquisa anterior.

E a preferência está nos blogs e nas wikis. Enquanto os primeiros são vistos como ferramentas fundamentais para fazer a interface entre a empresa e o mundo, além de serem muito baratos, os segundos estão sendo utilizados para facilitar o desenvolvimento de projetos, com maior interação e agilidade em um cenário globalizado.

Por outro lado, a onda da Web 2.0 está trazendo, também, uma outra leva de ‘iniciativas’ oportunistas. Com medo de ficar de fora da última onda da internet, várias empresas – desesperadas por ver a concorrência caminhando para o SecondLife – decidiram abrir sedes no mundo virtual sem nenhum planejamento e, hoje, têm as suas subsidiárias repletas de moscas digitais.

“Há resultados apenas temporários quando uma empresa aposta ‘na última onda’ para aparecer. Abrir uma empresa virtual no Second Life, apenas para mostrar a marca, tem um efeito temporário e resultados pequenos”, afirma Waldir Arevolo, diretor de pesquisa do Gartner.

Para ele, as empresas estão caminhando em Web 2.0 apostando no ‘over hype’, que poderia ser traduzido como algo próximo a uma expectativa absurdamente exagerada, com pouco entendimento da realidade 2.0. “Muitas corporações não sabem exatamente qual é o benefício, estão indo por que a concorrência já foi. Ainda que exista uma valorização da marca, sem uma atitude de ouvir, refinar e trabalhar, não traz resultados”, diz.

Lado prático
Bruno Guiçardi, diretor de operações da Ci&T, desenvolvedora de software e uma das empresas apontadas pelo Great Places to Work por suas iniciativas de Web 2.0, conta que a atuação prioritária da companhia está nos blogs e nas Wikis. A empresa desenvolveu uma área de blogs, relata o executivo, que substituiu a intranet há um ano e ficou responsável por comunicar resultados da companhia, mas também dá dicas de inglês e serve de local para debates das equipes de futebol ou de kart. “A ferramenta gerou mudanças comportamentais até na forma de gestão da Ci&T.

A tomada de decisões, por exemplo, ganhou bastante com esse espaço”, comenta. Segundo ele, a estratégia é fundamental para aumentar a participação e responsabilidade dos funcionários com os projetos, já que as pessoas passam a se sentir donas da idéia. “Qualquer um minimamente inteligente percebe que são grandes ferramentas para garantir comprometimento”, provoca Guiçardi.

Outra mudança importante foi trazida pela Wiki, implementada há seis meses. Além de maior comprometimento e responsabilidade, a possibilidade dos programadores e consultores atuarem de maneira organizada – mesmo espalhados em diversas cidades – gerou um ganho sensível em produtividade. “Todos têm acesso ao conhecimento, até os clientes, e podem contribuir de forma simples e organizada”, relata.

Algumas subsidiárias de multinacionais também têm destaque em suas iniciativas na Web 2.0. Entre elas, a Dell é quem possui a abordagem mais radical nesse sentido. A segunda onda da web é colocada como um dos pilares para a sua reestruturação no mercado, quando Michael Dell reassumi a posição mais importante na empresa e até o tradicional modelo direto de vendas é flexibilizado.

O projeto chamariz da companhia texana é o IdeaStorm, portal em que clientes colocam suas idéias para melhorias de produtos e da empresa. Segundo dados do início de julho, o site já contava com mais de 6 mil idéias aprovadas e com pouco menos de 29 mil comentários. Entre as mudanças que nasceram no site, está a venda de máquinas Dell com sistema operacional livre de fábrica.

Mas há outras iniciativas dedicadas a cuidar especificamente do funcionário. O Employee Storm, criado no final de junho, é uma das mais destacadas, ampliando o conceito do Idea para ouvir exclusivamente os empregados Dell. “Com uma semana de atuação, tivemos mais de 1850 idéias e 900 comentários”, conta Bob Pearson, vice-presidente de comunicação corporativa da corporação, em entrevista por telefone.

O executivo defende que, no período de reestruturação, ouvir a voz dos seus clientes e funcionários é fundamental para criar o crescimento. “Esse tipo de portal é fundamental para criar uma empresa em que a comunicação não é de cima para baixo”, define. A empresa está apostando também em conteúdo multimídia, com vídeos de 10 minutos de declarações de seus principais executivos, para aumentar o interesse e abandonar os tradicionais memorandos.

Já a Sun, outra empresa indicada pelo Great Place to Work pela sua estratégia de Web 2.0, tem a sua atuação focada nos blogs. Uma mesma área congrega o portal pessoal do presidente e fundador da empresa, Jonathan Schwartz, até locais para discussões técnicas ou repositório para arquivos. “[as iniciativas] são fundamentais para mostrar que a nossa cultura não só admite o questionamento, como aproveita as idéias geradas”, garante Noemi Sakitani, gerente de recursos humanos da Sun Brasil. A empresa também está apostando nas declarações por vídeo para passar a cultura da empresa para os novos funcionários.

Fica claro que a Web 2.0 começa a trazer iniciativas importantes, tanto para a empresa quanto para os funcionários, mas os dois lados estão prontos para serem criticados e questionados? “Muitas empresas estão acostumadas a se comunicar de ‘cima para baixo’, mas o mundo não é mais assim. Tudo está mudando, em todos os países”, afirma Pearson, da Dell. Bruno Guiçardi, da Ci&T, concorda e acrescenta: “a Web 2.0 só funciona se estiver baseada em confiança. É evidente que é preciso ter registro de tudo, mas a comunidade envolvida regula todo o processo”.

Além disso, dispara Bob Pearson, da Dell, evitar as críticas é ingenuidade. Em um mundo com muitos canais e pessoas se comunicando, os conflitos e embates são mais do que naturais, são importantes para criar consciência crítica. “Se tivéssemos apenas comunicação positiva e otimista, estaria criada uma realidade falsa e não haveria mudança. Ninguém ganha com isso”, arremata.

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