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Consciência ambiental ganha espaço nas corporações
Entre os novos critérios que diferenciam uma companhia, a responsabilidade com o meio ambiente ganha espaço.
Por Taís Fuoco, do COMPUTERWORLD
Um conceito que pode não estar diretamente ligado aos benefícios dados aos funcionários pelas companhias, mas que vem ganhando espaço entre as corporações é o da responsabilidade ambiental.
Muitas delas já perceberam que, além de ser responsáveis com o ambiente em que estão inseridas, diante da percepção de que podem economizar gastos e garantir a existência dessas fontes de recursos minerais no futuro, precisam também conscientizar seus empregados e envolvê-los nessas ações para que a iniciativa gere frutos. As ações contribuem, inclusive, para tornar a empresa mais atraente aos olhos dos seus colaboradores.
Na IBM, por exemplo, a preocupação com o meio ambiente está dentro da área de cidadania corporativa. Mas a empresa americana deu início recentemente a uma campanha de conscientização ambiental que envolve diversos departamentos e passa por todos os funcionários.
A iniciativa começou há cerca de um mês com a campanha de sensibilização. A empresa promoveu sessões de filmes sobre conscientização ambiental e palestras de integrantes de ONGs ligadas ao tema.
O próximo passo, de acordo com Ruth Hiromi Harada, executiva de responsabilidade social da IBM, “é mostrar que ainda é possível agir”. Segundo ela, essa segunda fase se chama “a grade virada” e deverá ser iniciada até outubro, quando a companhia discutirá com empregados formas de cada um contribuir para reduzir os danos ao meio ambiente.
Uma outra vertente da preocupação ambiental na IBM está ligada à área operacional da companhia. A coordenação de meio ambiente da empresa cuida para que as atividades do dia-a-dia conservem o uso da água, economizem energia e promovam a reciclagem de resíduos.
“No dia-a-dia fazemos o treinamento de todas as pessoas – funcionários diretos e indiretos – em atividades como desligar o ar condicionado e o elevador mais cedo, lembrar de apagar as luzes e reduzir a pressão de água nas pias e válvulas dos banheiros”, explica João Luis Bianchini, coordenador de meio ambiente da companhia no País.
Segundo ele, existem equipes específicas na IBM para coordenar as ações. O desempenho é medido mensalmente, com análises sobre os resultados e as falhas.
Além disso, “nenhum processo ou produto que a IBM compra pode agredir o meio ambiente. Ele tem de passar, antes, por uma avaliação ambiental antes de ser adquirido pela companhia”, afirma Bianchini.
A Telefônica também passou a eleger a preocupação ambiental como um dos pilares da responsabilidade corporativa da companhia. A empresa de telecomunicações tem uma política ambiental que envolve fazer uso sustentável dos recursos naturais, usando a energia de forma eficiente, e transmitir aos fornecedores do grupo requisitos ambientais cujo cumprimento terá de ser assegurado por eles.
O consumo energético é uma das principais preocupações ambientais da companhia, já que ela utiliza energia em grande quantidade para alimentar suas redes. Mas a destinação correta dos resíduos sólidos, especialmente no caso do descarte de baterias de centrais telefônicas, é outra prioridade da área.
A empresa também se empenha em reduzir o consumo de papel e de água. No caso do papel, 90% do consumo é destinado à impressão das faturas mensais dos clientes e, por isso, a companhia aderiu este ano ao programa da Nota Fiscal Eletrônica do estado de São Paulo para oferecer a alternativa da ‘e-conta’ aos seus clientes – que assim deixarão de receber a versão impressa.
No caso do consumo interno de papel, a companhia adotou o uso da frente e verso das folhas e pretende implantar o papel reciclado nas impressoras, opção que também será estudada para as contas impressas.
Na divulgação do Informe Anual de Responsabilidade Corporativa, no início de julho, o presidente do grupo Telefônica no Brasil, Antonio Carlos Valente, afirmou que a intenção da companhia com a publicação – feita este ano pela terceira vez no Brasil – “é estimular outras empresas a copiar a idéia”.
Segundo ele, “à medida que o grupo for capaz de gerar impacto positivo no meio ambiente e nas ações de responsabilidade corporativa, a empresa vai ter sustentabilidade”.
Para Milton Abrucio, superintendente de comunicação corporativa da Telefônica, a empresa “percebeu uma transformação interna” a partir das ações de responsabilidade social, como a preocupação ambiental. “Os empregados colaboram cada vez mais e se sentem orgulhosos da companhia”, afirmou.
Outra companhia da área de telecomunicações, a Intelig ressalta que “é uma empresa que não agride o meio ambiente, mas que adota o conceito de sustentabilidade” e isso vale para a conscientização dos empregados sobre essa preocupação.
“É uma provocação no funcionário”, diz Josué Cruz, diretor de desenvolvimento humano e organizacional (DHO) da operadora, que cita as palestras e a rotina de cuidados com o desperdício de energia como algumas das medidas.


