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Golpe certeiro para suporte aos negócios
No competitivo mercado de bebidas e alimentos, o CIO da Spaipa planeja com precisão as tacadas dos projetos que conduz nas diversas áreas da empresa.
Por Luiza Dalmazo, do COMPUTERWORLD
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Jogando golfe, em um sábado, no meio do campo silencioso o vazio, Cláudio Fontes, CIO da Spaipa, já resolveu problemas corporativos que estavam tirando seu sono. As idéias surgiram, pareceram adequadas e, depois de esboçá-las no cartão de jogo, apareceu na empresa segunda-feira marcando reunião para discutir as alternativas pensadas. Assim, com naturalidade e planejamento, é que o executivo enfrenta os desafios de projetos no acirrado mercado de alimentos e bebidas.
Na companhia, que embala os produtos da Coca-cola, Kaizer e Vittalev, ele trabalha simultaneamente com diversas áreas e conduz iniciativas que, segundo ele, por mais inovadoras que sejam, apresentam vantagem competitiva somente por períodos curtos, de cerca de seis meses, porque o ágil mercado não perde tempo em seguir boas práticas.
Com o departamento industrial, por exemplo, fechou no último ano uma parceria para repensar o Sistema de Planejamento Avançado (APS) e viabilizou a revisão de processos de planos de demanda, produção, programação financeira de produtos, compra e recebimento da cadeia de suprimentos e transportes, o que também fez com que a TI se envolvesse também com a área de logística e comercial.
Com essa última, conduziu ainda uma série de iniciativas para entender os hábitos do consumidor por meio de um projeto (ainda em andamento) de data mart acoplado a um sistema de geoprocessamento – que usa dados de diversos institutos para fazer correlações.
E os projetos integrados não param aí. Em parceria com a controladoria, implementou soluções de picking e roteamento, que auxiliam na área de pré-vendas e melhoram a roteirização das entregas, o que pode significar a economia em dinheiro e o cuidado com o meio ambiente.
A estrutura com que se trabalha para atingir os resultados, segundo Fontes, é matricial e a descentralização cria um cenário em que os recursos são investidos em vários projetos simultaneamente. “Também temos uma regra que estabelece que nenhuma dessas iniciativas é realizada sem a presença de clientes internos, porque acreditamos que o conhecimento da rotina do setor dá músculos ao trabalho e nos permite entregas mais acertadas”, avalia.
No mesmo período, dos últimos 12 meses, parte dos gastos da companhia com telecomunicações foram revistos. Diante dos altos custos, a diretoria pediu a Fontes – já que a TI também responde por telecom – uma solução tecnológica para melhorar a questão, ou pelo menos para detalhar de onde partiam custos tão elevados. Isso porque a Spaipa recebia até o começo de 2006 um detalhamento em papel no final de cada mês com as informações dos últimos 30 dias. “Às vezes já não é fácil checar as ligações feitas em casa, imagine as da empresa”, compara.
Assim, a companhia contratou um serviço que captura toda transação dessa esfera e, agora as operadoras enviam as informações da cobrança de forma digital e o sistema identifica cobranças indevidas, seja porque o custo não condiz com um horário, ou porque não originou da empresa, entre outros. “A expectativa a partir disso é recuperar 170 mil reais em um ano”, estima.
Mas os projetos que o aguardam no futuro são tão desafiadores quanto os atuais – ou ainda mais. O primeiro deles é o recebimento eletrônico das operações de varejo. Dessa forma, quando o entregador deixar a mercadoria, o cliente terá a opção de pagar com cartão de débito, eliminando a transferência de numerário. A alternativa dispensa o uso e o transporte de dinheiro e cheques e até a entrega de boleto, como hoje são feitos os pagamentos após as entregas dos produtos. “E tudo será bastante simples”, garante Fontes.
Ele explica que o processo se concretiza com o uso de um equipamento portátil do entregador e o aparelho celular do cliente. “Depois de receber a encomenda, o cliente disca um número, pressiona uma seqüência de comandos (o que leva cerca de 15 segundos), coloca o celular sobre o equipamento e a transação eletrônica é consumada”, descreve. Quando entrar em produção, o que deverá ser em novembro deste ano, conforme os planos, o resultado será de mais agilidade e flexibilidade aos clientes, de acordo com o CIO da organização.
Além disso, Fontes trabalha para que em seis meses seja disponibilizado à Spaipa uma iniciativa um pouco mais estratégica: a disponibilização dos dados do data mart geoprocessados. O executivo afirma que a companhia demorou para implementar o business intelligence (BI), porque avaliou que não fazia sentido só gerar relatórios que mostrassem o que vai bem somado à oportunidades.
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“Avaliamos que valia mais só implementar o BI quando funcionasse em paralelo ao Business Analytics (BA), porque assim seria possível fazer a correlação com o que fica em baixo do BI, que é o data mart que vamos concluir”, detalha. Com a iniciativa, Fontes quer que quando o BI aponte as oportunidades, seja possível identificar ações que possam mudar o que não está no caminho certo – tudo isso de forma automática.
Nos planos para o futuro, também estão a terceirização da área de segurança da informação e de funções de arquitetura e inovação, assim como a área de desenvolvimento e manutenção de sistemas e infra-estrutura. Para definir essas práticas, mantém um relacionamento amigável com o conselho de acionistas e o colegiado, com reportes mensais ao superintendente de vendas e marketing, seu superior.
“Como hoje a direção da empresa consegue compreender a importância e a necessidade do uso da tecnologia para impulsionar os negócios, o relacionamento é tranqüilo”, afirma. O mesmo acontece com os equivalentes ao seu cargo em outras áreas. “Eles vêem TI de forma pragmática, porque todos sabem que a tecnologia contribui para a sustentabilidade da corporação”, diz.
Com essas e outras mudanças e o foco em análises de dados, a empresa pretende crescer 50% em faturamento nos próximos quatro anos e, até lá, o executivo acredita que a TI também terá evoluído com o suporte às iniciativas de negócios, o que fará com que ela seja conhecida por tecnologia de negócios e não mais tecnologia da informação. “É uma simbiose sem retorno”, finaliza.
Principais projetos
• Revisão do Sistema de Planejamento Avançado (APS, em inglês)
• Implementação de sistemas de roteamento e picking
• Adoção de data mart acoplado à solução de geoprocessamento para análise dos hábitos dos consumidores
• Recebimento eletrônico das operações de varejo (pagamento via celular)
• Implantação de um business intelligence (BI) com base no business analytics (BA)
• Revisão dos gastos com telecomunicações
• Definição dos frameworks de governança
• Terceirização das áreas de segurança, arquitetura e inovação, desenvolvimento e manutenção de sistemas e infra-estrutura
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