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Palavra de ordem é disciplina

Desde cedo, Ney Santos começou a formatar o perfil organizado e recheado de métodos que hoje rege sua atuação corporativa

Por Luiza Dalmazo, do COMPUTERWORLD

31 de agosto de 2007 - 00h00
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O treino se encerra, mas ele continua em quadra. O levantador do time de vôlei dos anos 80 de Caxias, cidade do interior do Rio de Janeiro, Ney Santos, não é o melhor do grupo, mas é disparado o que fica mais horas dedicado, repetindo os movimentos da modalidade em busca da perfeição.

Dessa forma, ainda jovem – foi atleta entre os dez e 25 anos – começou a estruturar sua disciplina, algo que atualmente faz parte de sua característica pessoal e o ajuda a conduzir a uma centena de projetos anuais de tecnologia e as dezenas de tarefas pelas quais é responsável. Hoje, Ney Santos é o CIO do Grupo Pão de Açúcar.

E como não poderia deixar de fazer alguém disciplinado, o executivo começou a estruturação de seus desafios – e os da área de TI – por um detalhado plano estratégico alinhado com as metas da companhia. “Desenhamos em 2006 as ações que devem ser desenvolvidas entre 2007 e 2010 para que a TI esteja apta a dar suporte aos negócios da empresa”, conta o executivo, acrescentando que tudo está planejado para acontecer conforme as regras de gestão de projetos do PMI (Project Management Institute) e acompanhados de indicadores de desempenho, custo e qualidade.

Para garantir os resultados traçados, o departamento de TI foi estruturado em três subdivisões: inovação, arquitetura e integração e processos. O primeiro tem a função de sair do dia-a-dia e pensar à frente.

A segunda equipe tem como meta definir padrões e garantir que a empresa siga os mesmos modelos de dados e tecnologia. “Eles também são o motor de implementação da arquitetura orientada a serviços (SOA), já que não estamos em processo de migração e sim de transformação – tudo o que é novo considera SOA e o que é antigo continua como está”, explica Santos. O time de processos, por sua vez, está sendo fortalecido para que revisem processos e funções que serão automatizadas e que podem estar em qualquer área. “Em 2006, por exemplo, essas pessoas estiveram bastante envolvidas com a certificação para a lei Sarbanes-Oxley”, ilustra.

Um dos projetos que foi destaque em 2006, na opinião do CIO, foi a estruturação do desenvolvimento da estrutura de comércio eletrônico da rede. “Tinha uma deficiência da produção tecnológica, porque o conjunto estava subdesenhado para o projeto”, explica. Por conta disso, a equipe de TI começou a implementar um plano de suporte e tecnologia. O maior desafio foi fazer o projeto em uma iniciativa em Commerce Server 2007, da Microsoft, ainda na versão beta do produto.

A companhia fez isso no Extra.com porque quis lançar o sistema totalmente atualizado e integrado à cadeia logística de transporte e de atendimento ao consumidor. Era preciso cautela para mudar totalmente a maneira de operar e fazer com que tudo estivesse pronto para, de um dia para o outro, ser transformado. “Foi um desafio de tecnologia, de pessoas, de inovação, de negociação e de parceiros”, enumera.

Nos próximos meses, o foco dos investimentos serão iniciativas que façam melhorar com o é feito o processamento da gigantesca massa de dados para que se possa tomar decisões de negócios mais acertadas. “No varejo, a quantidade de variáveis simultâneas é enorme e isso significa um somatório de itens muito grande – é preciso organizá-los para fazer com que representem uma inteligência para o negócio”, afirma. Diante disso, a empresa vai trabalhar em um projeto de adoção de um sistema de business intelligence (BI) que garanta melhor tomada de decisões e, conseqüentemente, de ações mais bem executadas.

Em nível operacional, o objetivo é tentar fazer com que as informações cheguem mais rapidamente para basear a tomada de decisão. A idéia, segundo Santos, é conseguir colocar os componentes em tempo real e gerar eficiência a esse processo. O CIO garante que tudo será oferecido de forma online e que apesar dos desafios tecnológicos, os trabalhos serão conduzidos para que não haja perda de negócios.

Em paralelo ao que foi descrito, é preciso balancear as tarefas de execução do plano estratégico com as questões que surgem no dia-a-dia. “É um conflito de prioridades que serão discutidas caso a caso com a direção da companhia, à medida que surgem”, conta.

Nesse processo de relações freqüentes entre a diretoria e as áreas de negócios da companhia, Santos acredita que seu papel é justamente o de fazer a ponte entre todos, definindo e executando prioridades ao mesmo tempo em que busca soluções que permitam a identificação de oportunidades que possam contribuir com a estratégia geral.

Diante dos 100 projetos anuais – 10 deles considerados de grande porte –, uma equipe de TI de 250 pessoas e a gestão de tempo para conseguir atender aos fornecedores, à diretoria, aos controladores estrangeiros e anseios de todas as áreas, quais seriam os momentos de felicidade corporativa? Santos explica.

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Há poucas semanas ele teve um desses dias em que mais se sente realizado: entregou a primeira parte de um projeto e viabilizou a inauguração da loja conceito do Pão de Açúcar do Shopping Iguatemi, localizado em São Paulo (SP), que é um modelo de inovação em supermercados e integra tecnologias na ponta do varejo, como WiFi, etiquetas de identificação por radiofreqüência (RFID), voz sobre protocolo IP, Bluetooth, etiquetas eletrônicas e outras. “Entregar um projeto, ainda mais nesse modelo, no qual a tecnologia vai interagir diretamente com o público é a parte da rotina de trabalho de que mais gosto”, revela.

Em longo prazo, no entanto, o que deve realizar o executivo que está há sete anos no grupo é ocasionalmente inverter a ordem natural do fluxo de negócios – hoje a idéia surge das áreas e a TI fica com a função de viabilizar. “O que eu pretendo fazer é com que as tecnologias sejam um meio de gerar negócios”, diz.

Ele já tem algumas idéias, mas prefere manter em sigilo. A prática, viabilizada pela tecnologia, é a venda de músicas pela internet, exemplifica o executivo utilizando uma tendência de mercado. “Hoje as pessoas dependem de serviços tecnológicos e existem muitos outros que podem ser oferecidos – é nisso que eu tenho pensado e que pretendo fazer em um prazo de cinco anos”, planeja.

Principais projetos
•    Viabilização de tecnologias inovadoras na loja-conceito do grupo
•    Adoção de SOA em novos projetos
•    Revisão de processos para certificação SOX
•    Investimento em BI para extrair melhores informações que baseiam decisões
•    Alimentar indicadores de forma online
•    Desenvolvimento e migração completa da estrutura de comércio eletrônico
•    Sugerir e impulsionar negócios a partir da tecnologia
•    Aprimorar relações, o que inclui componentes culturais já que os franceses (Grupo Casino, um dos acionistas do grupo) estão participando cada vez mais da operação local

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