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Controle da demanda na ponta dos dedos

Ernani Paulo Toso, CIO da Grendene, trabalha na companhia há 27 anos e indica web 2.0 como desafio futuro da companhia.

Por Fabiana Monte, do COMPUTERWORLD

18 de setembro de 2008 - 00h00
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Dos oito projetos apontados por Ernani Paulo Toso, CIO da Grendene, como os maiores destaques dos últimos 12 meses, chama a atenção o planejamento de demanda. Considerado pelo executivo como seu maior desafio no período, a iniciativa integrou faturamento, gerenciamento de estoque e suprimento – e de forma bem high-tech.

A gestão de suprimentos da empresa, que produz mensalmente 10 milhões de pares de calçados de marcas conhecidas como Melissa, Rider e Ipanema, é centralizada na cidade de Farroupilha (RS). No centro de controle, fica o que Toso classifica como um tipo de “cockpit”. O equipamento conta com uma tela LCD de 22 polegadas, com interface multitouch, interligadada aos sistemas de suprimento e faturamento da companhia.

A tela mostra ao funcionário responsável pelo planejamento da demanda o status de um mesmo material nas 14 fábricas da empresa, em três estados brasileiros. Basta tocar na tela e arrastar o material de um local para o outro para dar início a um processo de transferência de suprimentos entre almoxarifados ou de novos pedidos a fornecedores.

Uma vez realizada a operação, o almoxarifado de origem recebe uma comunicação para separar o material; o faturamento é orientado a emitir uma nota fiscal para a transferência entre fábricas e o destino final do material é avisado que o suprimento chegará em determinado prazo.

“É como o painel de uma usina, o planejador de demanda controla a chegada do material e pode ver o que falta e o que sobra. Estamos falando de um planejamento de oito semanas à frente”, explica o CIO da Grendene.

Toso afirma não ter métricas exatas sobre o número de transferências e novos pedidos feitos por dia, mas diz que “é bem significativo”. O portfólio da empresa, segundo ele, tem cerca de 400 produtos acabados. Em média, cada um deles utiliza dez materiais. Uma simples conta de multiplicação dá idéia do rol de suprimentos que o “cockpit” abrange.

No período da noite é feito o planejamento da demanda e as transferências de materiais, com a emissão de alertas para as diferentes áreas envolvidas, acontecem até as 12h do dia seguinte. O prazo para o deslocamento de materiais entre fábricas depende da distância entre os locais.

Grandioso, o projeto levou dez meses para ser desenvolvido pela Datasul, um dos fornecedores da companhia, que tem 1,8 mil computadores em sua rede, 105 funcionários de TI e 40 servidores. “Para o projeto, tivemos que implantar uma nova tecnologia na Grendene, com a linguagem de desenvolvimento Flex”, conta Tosi, justificando o título de “maior desafio” dado ao projeto.

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Criada em 1971, a Grendene investe em TI aproximadamente 1,1% de seu faturamento bruto anual, que gira em torno de 1,5 bilhão de reais. Segundo o relatório financeiro da companhia, no primeiro semestre deste ano, os investimentos apenas em equipamentos de informática e software totalizaram 2,22 milhões de reais.

Portal de vendas

Além do “cockpit”, outra iniciativa “pilotada” por Toso foi o portal de vendas na internet, que permite aos distribuidores da Grendene no exterior fazerem todos os pedidos por meio da ferramenta. “Nossos produtos são de moda e estão muito sujeitos às estações do ano. Imagine fazer a gestão dessa distribuição para todo o mundo”, comenta.

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