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30 de Outubro de 2008

Os executivos e a literatura

A tarefa dos presidentes da Portual Telecom, ontem, durante a cerimônia de entrega do Prêmio Portugal Telecom de Literatura em língua portuguesa, não era nada fácil. Zeinal Bava, presidente do grupo, e Shakhaf Wine, presidente da operadora no Brasil, fizeram seus discursos logo depois da atriz Fernanda Montenegro emocionar a todos recitando poemas de Carlos Drummond de Andrade e Fernando Pessoa.

Eu, no lugar deles, nem subiria ao palco.

Mas, obrigação é obrigação e os dois concluíram o desafio até com um certo sucesso. Apesar de não conseguir prestar muita atenção no que diziam (ainda refletia sobre os poemas), algumas palavras de Bava me fizeram pensar em questões que não estão relacionadas diretamente com trabalho, mas que têm enorme importância para a carreira de qualquer profissional.

Bava relatou que, por conta do prêmio realizado por sua empresa, tem sido muito entrevistado por jornalistas da área cultural. Diante de um executivo como ele, meus colegas de imprensa inevitavelmente, segundo o presidente, repetem a pergunta: você lê?

Para muitos, esta seria uma pergunta constrangedora. Não tenho números, mas acredito que não seja difícil encontrar altos executivos de multinacionais apenas com leituras técnicas em seus currículos. Talvez os romances, ensaios, poemas e etc. não tragam nenhum resultado prático e rápido para o desempenho de um profissional de TI. Mas, com certeza, quem tem o hábito de ler ganha um diferencial enorme no mercado de trabalho, mesmo que de forma implícita. É o que diferencia os "by the book" dos "out of the box".

Em tempo, Bava, aparentemente, é da turma dos leitores e os vencedores do prêmio foram Cristovão Tezza, com seu romance "O Filho Eterno" (primeiro lugar); o escritor português António Lobo Antunes e a escritora brasileira Beatriz Bracher, com os livros "Eu Hei-de Amar uma Pedra" e "Antonio", respectivamente, (empatados em segundo lugar); e Bernardo Caravlho, com "O Sol se Põe em São Paulo" (em terceiro lugar).

Publicado por Rodrigo Caetano às 16h17

Sobre o autor

Rodrigo Caetano é repórter do Computerworld. Possui quatro anos de experiência na cobertura do mercado de TI e Telecom e acredita que a tecnologia é mais humana do que parece.

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