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29 de Janeiro de 2007
Muita festa, mas nem um Office à vista
Luzes coloridas girando no céu do lado de fora. Seguranças e muita gente no lado de dentro. Quem não soubesse o que estava acontecendo, provavelmente acreditaria que todo o frenesi que rondava a loja do Extra Itaim, em São Paulo, na noite desta segunda-feira (29/01) era digno de algum popstar presente ou de uma promoção imperdível de algum artigo de primeiríssima necessidade. Dificilmente apostaria que o produto que atraía tanta festa tinha preço a partir de 499 reais.
Para quem achava que a estréia do Vista à 0h de terça-feira (30/01) seria um fiasco diante do horário inóspito em plena semana, a fila na entrada do supermercado veio provar o oposto – contrariando inclusive as minhas próprias expectativas! Não foi nada como a sanha consumidora que se abateu sobre os norte-americanos no lançamento do iPod ou sobre os japoneses com o PlayStation 3, mas pode-se dizer que a movimentação foi expressiva para um produto nada barato.
Cheguei à loja por volta de 21h30 para e me deparei com umas 20 pessoas acomodadas em cadeiras de plástico na área próxima aos caixas e munidas devidamente de suas senhas para garantir a compra do novo sistema operacional. Junto delas, promotores, executivos do supermercado, banners com propaganda do Vista e do Office, funcionários, balões, curiosos, etc. Mas os interessados em comprar o produto, garantiam os promotores, somavam número ainda maior e estavam esperando as doze badaladas do relógio testando os softwares ou mesmo passeando pelo supermercado.“Tem gente aí desde às quatro da tarde”, comentou um segurança perto de mim. Até mágico e fotógrafo estavam por lá, atraindo os visitantes para a novidade. Enfim, o espírito consumidor estava em êxtase.
Dentro do supermercado, a voz do locutor atentava para a venda a partir da 0h. Seguranças e faixas de isolamento protegiam as gôndolas com os novos softwares. Afinal, a estrela deveria ser protegida ao máximo. Passando por uma consumidora convencional, pedi uma senha para ficar na fila. “A senhora vai comprar o computador inteiro ou só o software?”, me perguntou a simpática promotora. “Só o sistema operacional”, respondi. Peguei a senha de número 60 e fui direto testar o Vista nos totens disponíveis com cerca de dez computadores. Ah! Também tive direito a uma foto minha à frente de uma paisagem do Vista e a um mouse pad.
Não conheço estratégias e táticas de marketing a fundo, mas acredito que no geral, o evento não deixou a desejar. Ao contrário da experiência do cliente, que seguramente ficou incompleta pelo menos até às 22h30, quando deixei a loja. Por incrível que pareça, o pacote Office 2007 - também anunciado com tanto vigor - não estava instalado em NENHUMA das máquinas disponíveis para uso dos consumidores. Usuário fiel das suítes de produtividade, meu marido estava ansioso por conhecer o Office 2007. Foi a um promotor, questionou sobre a possibilidade de testar o novo Excel, mas nada.“Não temos o Office instalado em nenhuma máquina senhor. Vamos ver se conseguimos providenciar”, foi a resposta obtida. A conexão à internet do Explorer também não estava ativada em três das máquinas que testei, falha grave para quem quer que o consumidor realmente teste as funcionalidades do sistema. Mas, em tempo, um "patch" parcial foi arrumado para o caso. Soube por meio de um colega, que por volta da 0h o pacote Office já estava instalado em algumas máquinas. A conexão à web, porém, não funcionou.
Bem, depois de passar pela experiência de um consumidor convencional e compartilhar da ansiedade de todos os que estavam por lá, deixei à loja e segui para minha casa, que fica a uns 800 metros do supermercado.Cheguei rápido, E pude ver pela janela que as luzes continuavam frenéticas conforme chegava mais perto da 0h do dia 30. É, o Vista chegou. E você, já tem alguma impressão sobre ele?
Publicado por Camila Fusco às 23h27
Sobre o autor
Vinicius Cherobino atua como jornalista especializado em tecnologia há seis anos. Acompanha atentamente assuntos como o mercado de TI, seus números e fusões, segurança da informação, terceirização, infra-estrutura e tendências. Além da redação, também está terminando a graduação em Letras Inglês/Português na Universidade de São Paulo.
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