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02 de Março de 2007
Administração e laptop sem memória
Em pouco tempo, o governo federal quer que todas as crianças brasileiras possuam computadores portáteis para levar à escola. Sim, inclusive aquelas que moram em regiões longínquas, que mal têm o que comer antes de percorrer quilômetros a pé até alcançar o destino, que muitas vezes está mal conservado e estruturado.
Mas a iniciativa que soa tão incoerente diante de outras necessidades mais urgentes da população, já que vivemos a realidade de terceiro mundista, encontrou tantos argumentos favoráveis que conseguiu ser aprovada consecutivas vezes e está bastante adiantada. No começo de dezembro de 2006, o País recebeu os primeiros 50 laptops que serão utilizados em alguns institutos de análise, além de 400 já foram entregues para escolas no RS e SP para projeto piloto em algumas escolas brasileiras – outros são esperados em março em colégios de Piraí (RJ) e Palmas (TO).
Sabemos, no entanto, que existe a possibilidade de investir quantias menores com aquisição de menor número de computadores para equipar as escolas – o que também atrairia mais crianças para o local, evitando que gastassem o tempo nas ruas e entrassem em contato com influências negativas durante a infância e adolescência. Diante disso, poderíamos pensar que o projeto se explica por um incentivo à economia nacional e aos fabricantes de notebooks, certo?
Mas não. Assim como o primeiro modelo entregue ao presidente Luis Inácio Lula da Silva, os outros equipamentos serão fabricados por taiwaneses, chineses e outras nações com taxas de crescimentos econômicos bastante superiores aos nossos. Os aparelhos fabricados nacionalmente, por enquanto, estão apenas no plano das intenções.
O mais absurdo, no entanto, é que a medida do País ainda não é realizada em nenhuma nação que lidera as listas de pesquisa de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e Lula foi a primeira autoridade de cinco países subdesenvolvidos a receber o presidente do projeto One Laptop Per Child (OLPC, do inglês, Um Computador por Criança).
Na avaliação do assessor especial da Presidência da República, Cezar Alvarez, a iniciativa tem contribuído de maneira importante para atender às necessidades dos países em desenvolvimento, apesar de não exemplificar em detalhes de que forma isso acontece. Alvarez ainda cita que em uma reunião recente de vice-ministros realizada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Washington (EUA), esse foi o tema de destaque, já que é entendido como referência para obtenção de bons resultados na área pedagógica.
Em vez de pensar em um projeto isolado, que não gera crescimento ao mercado no Brasil, é preciso ter uma política estruturada para o desenvolvimento de TI no Brasil. Desta forma, o Brasil vai continuar sendo o País que menos cresce entre os BRICs e o mais solidário ao crescimento de outros.
A proposta desse projeto é interessante, mas não para a realidade brasileira. É preciso, antes, estruturar um método político-econômico para TI e, talvez ainda mais importante, reestruturar o modelo da educação no Brasil.
Publicado por Luiza Dalmazo às 17h16
Não tem como ser diferente...por enquanto.
O laptop é produzido nos tigres asiáticos,e só lá poderia chegar ao preço proposto,fabricar no brasil não compensaria.Nessa situação produzir fora é a ÚNICA escolha.
[marcos 02-03-2007 17:47]
Sobre o autor
Vinicius Cherobino atua como jornalista especializado em tecnologia há seis anos. Acompanha atentamente assuntos como o mercado de TI, seus números e fusões, segurança da informação, terceirização, infra-estrutura e tendências. Além da redação, também está terminando a graduação em Letras Inglês/Português na Universidade de São Paulo.
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