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11 de Abril de 2007
Porto Alegre está mesmo preparada para ser tudo o que pretende em TI?
Já diz o ditado popular que a primeira impressão é a que fica, certo? Pois bem, a impressão que tive nesta quarta-feira (11/04) ao chegar em Porto Alegre (RS) para cobrir o 8° Fórum Internacional de Software Livre é que a cidade está bem aquém daquilo que precisaria apresentar para ser o "Vale do Silício brasileiro", confome declararam aos quatro ventos alguns dos integrantes da nova gestão estadual, ou mesmo a sede da CEBIT latina, como pretende o setor de TI local. Pois bem, vou transformar em exemplos os meus argumentos. Ao chegar ao hotel na noite desta quarta - de padrão "luxo", conforme disse a agência que indicou - liguei o laptop para obviamente checar e-mails e navegar. Eis que a conexão Wi-fi divulgada e propagandeada no site, etc, não estava funcionando. Achei que era problema de conexão, reconfigurei o que foi possível, e nada. Reconectei a rede. Nada. Desliguei e liguei o laptop, neca. Então, ligo para a recepção e me informam que está tudo dentro da normalidade. Peço então um cabo para conexão convencional à banda larga, mas fico sabendo que apenas os quartos acima do 10° andar possuem a saída para conexão a cabo!!!! Mudança de quarto? Negativo, hotel lotado. Aliás, cidade lotada.
Nesse meu intervalo de tempo entre a indignação e a fúria, o indicador da bateria começa a piscar na tela. Calmamente pego minha fonte e... não consigo conectar na tomada, que não aceita plugue tripolar e, obviamente, o hotel, lotado, não tem adaptadores suficientes para todos os hóspedes... Comprar? Não, já passou das 20h e o comércio está todo fechado. Desolada, decidir protestar na recepção, mas pouco adiantou. Pelo menos uns 10 hóspedes tentavam, em vão, alguma explicação sobre a conexão ou mesmo utilizar o único desktop disponível na recepção. Resignada, acabei lendo os meus e-mails do próprio saguão mesmo, único local onde a rede wi-fi estava disponível.
Quem estiver lendo este post-desabafo, pode até achar que a situação relatada acima foi uma isolada e que talvez eu esteja exagerando em questionar a infra-estrutura da cidade. Para estes, digo que o meu hotel em questão não foi o único a ter problemas de conexão à internet em virtude da grande lotação trazida justamente por um evento - que ironia... - de tecnologia. Descontados esses contratempos tecnológicos, outros fatores ainda despertam questionamento sobre a estrutura do município, entre eles o sistema de transporte - é suficiente da forma que está? - ou mesmo a rede comercial. Pelo que pude perceber, o comércio no entorno de alguns hotéis executivos no centro simplesmente apagam as luzes ao primeiro raio de luar, independente se há demanda dos turistas.
Embora a região esteja se destacando no Brasil por seu grande número de atividades relacionadas a tecnologia - criação de pólos de TI, incentivos fiscais para empresas que desejam se estabelecer por aqui, banda larga via rede elétrica -, é inegável questionar a infra-estrutura em momentos como esse, em que, de fato, a cidade precisa mostrar que está preparada. Por esses fatores, é que acho que de fato o governo local e mesmo o setor de TI da capital gaúcha deveriam refletir um pouco mais sobre se a cidade está mesmo preparada para abrigar um evento do porte das Cebits regionais. Isso porque com pouco mais de 5 mil pessoas, Porto Alegre já dá sim alguns sinais de fadiga...
Publicado por Camila Fusco às 23h17
Sobre o autor
Vinicius Cherobino atua como jornalista especializado em tecnologia há seis anos. Acompanha atentamente assuntos como o mercado de TI, seus números e fusões, segurança da informação, terceirização, infra-estrutura e tendências. Além da redação, também está terminando a graduação em Letras Inglês/Português na Universidade de São Paulo.
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