Publicidade

COMPUTERWORLD - O portal voz do mercado de TI e Comunicação

Computerblog

Notícias, bastidores e tudo o que puder interessar aos profissionais do setor sobre o mercado de tecnologia da informação e telecom, você encontra no Computerblog.

12 de Janeiro de 2009

Rachadura na armadura indiana

Quando, em agosto de 2007, o COMPUTERWORLD mapeou a chegada das empresas indianas de terceirização ao Brasil, as promessas das recém-chegadas eram preços agressivos e revolução no mercado.

Naquela época, pouco mais de um ano atrás, poucos poderiam duvidar da agressividade do discurso.

Era comum ver altas de 30% sobre um faturamento de alguns bilhões de dólares trimestre após trimestre. E, como tinham suas ações negociadas na bolsa de valores de Nova York, a pressuposição geral era de que a governança corporativa imperava. Ou seja, os números eram reais.

Mas isso até o caso Satyam. Mesmo com auditoria de uma das big four, o antigo chairman da empresa B. Ramalinga Raju confessou que inflacionou os lucros durante vários anos.

Os resultados foram quase imediatos: A Satyam foi eliminada da bolsa de valores de Nova York; o governo indiano dissolveu o conselho administrativo e apontou um novo; os funcionários temem pelos seus empregos e os 550 clientes como Nestlé e GE alertam que estão procurando alternativas.

Ainda que as ações da companhia tenham subido 44% hoje, na bolsa de valores da Índia, trata-se da esperança de um plano governamental de resgate. A realidade da Satyam tem números terríveis: seu valor de mercado caiu de 7 bilhões de dólares para 330 milhões de dólares em apenas seis meses. Vale lembrar que o faturamento alegado pela empresa é de mais de 2 bilhões de dólares ao ano.

Aparentemente, os olhos dos reguladores se voltaram para outras companhias do setor. Agora, é a Wipro que sofre. A terceira maior empresa de terceirização da Índia foi proibida pelo próprio Banco Mundial de ser um dos seus fornecedores. Em comunicado oficial, a instituição afirmou que decidiu tornar pública a lista de fornecedores em busca de “justiça e transparência”.

Além da Wipro, que viu suas ações caírem 9% com a notícia, a também indiana Megasoft Consultants, que teve 15% de queda nas suas ações, e a Satyam estão na lista. A Satyam e a Wipro são acusadas pelo banco de “oferecer benefícios impróprios para funcionários do Banco Mundial”.

Segundo John McCarthy, isto é só o início. O vice-presidente da Forrester acredita que as consequências vão atingir outras empresas indianas. “Os clientes vão ser mais criteriosos nas análises de risco. Especialmente companhias controladas por famílias e de tamanho médio, passarão por avaliações ainda mais rigorosas”, disse.

Publicado por Vinicius Cherobino às 11h52

Sobre o autor

Vinicius Cherobino atua como jornalista especializado em tecnologia há seis anos. Acompanha atentamente assuntos como o mercado de TI, seus números e fusões, segurança da informação, terceirização, infra-estrutura e tendências. Além da redação, também está terminando a graduação em Letras Inglês/Português na Universidade de São Paulo.

Posts anteriores

Outros Blogs

Publicidade
Adicionar esse feed ao seu leitor de RSS:
Newsletters
Assine a Computerworld