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15 de Janeiro de 2009

A saúde de Jobs e o jornalismo

Tudo começa com o Gizmodo. Citando fontes anônimas, o blog da Gawker afirma que o declínio rápido no estado de saúde de Steve Jobs é a verdadeira razão da saída da Apple da Macworld.

Jim Goldman, chefe da sucursal (?) da CNBC no Vale do Silício, é rápido. Citando fontes internas na Apple, ataca a reportagem que classifica como “fiasco baseado em rumores” e critica o efeito nas ações. Goldman ressalta a confiança que tem em suas fontes, garante que Jobs está bem de saúde e arremata: “a decisão [de deixar a Macworld] não tem nenhuma relação com a saúde de Jobs. Ponto”.

Após os problemas hormonais e a notícia do afastamento de 6 meses de Steve Jobs, a situação é outra. A CNBC quer discutir o assunto e faz um debate com especialistas na situação. Entre os convidados, Jim Goldman e Dan ‘Fake Steve’ Lyons. Gasolina em um incêndio.

A âncora pede para Lyons comentar o assunto logo após a seguinte pergunta para Goldman: “mas não é possível que a situação de Jobs tenha mudado desde que você conversou com as suas fontes uma semana atrás? Não é possível que os médicos tenham descoberto algo novo?”.

Lyons explode. “Existem dois tipos de jornalistas que cobrem a Apple. Um percebe que é pressionado o tempo todo pela máquina de spin deles; Outros aceitam tudo o que eles falam para ganhar benefícios”.

De acordo com o Sillicon Alley Insider, de Henry Blodget, Lyons está banido ‘for life’ pela CNBC. A emissora falou ao blog da Cnet e disse que não é bem assim. É esperar para ver.

De qualquer maneira, as frases de Lyon dizem muito sobre jornalismo. (Spin, só para esclarecer, é a arte de jogar informações e mais informações para evitar que o leitor saiba de fato o que realmente acontece).

Não temos um Fake Steve (ou Real Dan) diário, é verdade. Mas, ao contrário do que eu pensava, um dos melhores e mais agressivos jornalistas ainda não está de todo morto.

Publicado por Vinicius Cherobino às 15h57

Sobre o autor

Vinicius Cherobino atua como jornalista especializado em tecnologia há seis anos. Acompanha atentamente assuntos como o mercado de TI, seus números e fusões, segurança da informação, terceirização, infra-estrutura e tendências. Além da redação, também está terminando a graduação em Letras Inglês/Português na Universidade de São Paulo.

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