Gestão
Incor quer vender tecnologia
A partir de agora a tecnologia da informação pode salvar vidas nos corredores dos hospitais. Basta uma unidade móvel de telemedicina, projeto ainda em fase piloto desenvolvido pelo Instituto do Coração.
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Depois de transformar praticamente todas as informações hospitalares resultados de exames, laboratório, laudos, etc. em dados digitalizados, o Instituto do Coração do Hospital das Clínicas foi mais longe e mergulhou na tecnologia wireless. A solução, ainda em fase de teste, tem como objetivo reduzir a necessidade de leitos e agilizar o atendimento, salvando vidas nos corredores do hospital.
Segundo Umberto Tachinardi, diretor de serviços de informática do instituto, apesar de ainda ser um projeto piloto, a idéia é vender a solução para outros hospitais que contam com unidades de tratamento intensivo (UTIs) pequenas ou para aqueles que não as têm.
Trata-se de um mix de engenharia, equipamentos de telecomunicações, câmara de vídeo e monitor acoplados numa maca. Essa é a veia aorta do Incor, que desenvolveu um projeto para que paciente e médico estejam conectados em tempo real.
Tecnicamente chamado de unidade móvel de monitoração, o protótipo é capaz de acompanhar sinais vitais de pacientes de risco com transmissão simultânea dos batimentos cardíacos através de radiofreqüência de 2 GHz que repassa os dados para a rede central. Dessa maneira, o médico pode observar o que acontece com aquela pessoa de qualquer ponto do hospital, explica o executivo.
Os ingredientes adotados foram rede Infinity de monitores de sinais vitais, da Siemens, cuja capacidade foi ampliada pela utilização da tecnologia sem fio Air Connect, da 3Com. Já o aplicativo de videoconferência foi estabelecido por meio de equipamentos distribuídos pela Seal.
Diversificação
Embora esse seja um dos projetos mais ousados do maior centro tecnológico em cardiologia da América Latina, também nesse ano outras iniciativas estão por vir. Uma delas é a parceria com a Compaq no sentido de munir todos os médicos e enfermeiras dos andares do prédio com o hand held I-PAC, da IBM. O primeiro passo nessa empreitada será dado em agosto em um dos blocos do instituto. Se obtiver sucesso, Tachinardi afirma que contará com mais de mil equipamentos até o final de 2002. Essa combinação é possível graças ao apoio da iniciativa privada, já que é um hospital público.
Nos últimos seis anos mais de US$ 5 milhões foram aplicados no desenvolvimento de ferramentas de tecnologia da informação dentro do hospital, que resultaram em projetos agressivos de telemedicina. Para suportar o volume de documentos arquivados nos servidores de storage, além da operação online, mais dois Terabytes serão somados a uma DLT, da StorageTek, e um Shark de 300 Gigabytes, da IBM.
O executivo de tecnologia conta que esse aumento no volume de memória pode chegar a mais dois TB em 2004, mas adianta que isso é variável porque depende da expansão física do instituto e, consequentemente, do aumento de prontuários a serem incluídos.
O centro nervoso de TI do Incor com 600 estações de trabalho é, hoje, o prontuário eletrônico, e a ele estão integrados todos os módulos do software de gestão Oracle Application, inclusive recursos humanos e materiais. Porém, Tachinardi adianta que o ERP (Enterprise Resource Planning) não é o foco do negócio. Ele é apenas uma ferramenta para gerenciarmos a parte administrativa.
Por outro lado, ainda em estudo, o hospital pretende implementar uma intranet com o objetivo de se comunicar com as outras unidades como a Fundação Zerbini e a Faculdade de Medicina da USP. Hoje, trabalhamos através de radiofrequência, com rádios da Formec, para a maioria dos pontos.
Reestruturação
A rede atual é composta por 600 workstations. Para viabilizar o projeto de migração da transmissão de dados via rádio para um meio físico, o Instituto do Coração aplicou mais US$ 200 mil em dois switches modulares 4007, além dos 70 da série 3300 e 13 switches da família 3900, todos da 3Com. A instituição está testando também o modelo 4300 da mesma fabricante, que integrará 48 estações de trabalho do total do parque instalado.
Tachinardi lembra que, atualmente, o Incor participa de um grupo de hospitais que discutem a Internet II em São Paulo com o objetivo de trocar arquivos e informações entre eles. Mas isso ainda é um projeto em estudo porque depende de muito investimento e uma padronização de variáveis relacionadas à área de saúde.
A estrutura que move o Incor
|Computerworld - Edição 346 - 25/07/2001|
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