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Gestão

e-learning supera obstáculos

Na estrada do ensino a distância, as resistências estão sendo deixadas para trás. E algumas corporações, como a Suzano Bahia Sul e o Grupo VR, são prova de que a tecnologia veio para ficar

21 de março de 2002 - 17h54
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No meio do caminho tinha uma pedra/ tinha uma pedra no meio do caminho/ tinha uma pedra/ no meio do caminho tinha uma pedra.” Na estrada da Tecnologia da Informação – pedindo licença a Carlos Drummond de Andrade – também há muitos obstáculos, que começam a ser traspassados por corporações interessadas em agilidade nos negócios e redução de custos.

No mundo do e-learning as pedras começam a ser deixadas para trás e, atualmente, corporações usam e abusam dos recursos disponíveis, num movimento que vem sendo comprovado por dados consistentes. Segundo a International Data Corp. Brasil, com base em entrevistas com mais de 60 empresas – entre fornecedores, integradores e clientes – o e-learning movimentou apenas R$ 10 milhões em 2000, sendo considerados somente os valores transacionados no País, de empresa para empresa.

No ano passado, o volume atingiu R$ 45 milhões. “A previsão para este exercício é de US$ 53 milhões, já que a fase de desenvolvimento de infra-estrutura já passou e agora estamos vivendo o aculturamento da tecnologia”, ensina Gerd Sousa, gerente de pesquisa da IDC.

As potenciais usuárias nacionais são empresas que mesmo antes do advento do ensino a distância já se utilizavam de tecnologia de ponta. Entre elas estão aquelas das áreas de finanças, telecom, educação e saúde. Apesar disso, “não se deve criar uma bola de neve com o e-learning porque treinar significa investir e as empresas ainda estão cautelosas com as despesas. É um passo importante no mercado, mas que envolve tecnologia, cultura e a real necessidade dos usuários. Se um deles não vai para frente, todos os outros param”, avalia o especialista. Mesmo assim, há no País corporações que saíram na frente e hoje já contam as vantagens – e desvantagens – da adoção do e-learning.

Prioridade

No Banco do Brasil, por exemplo, a adoção do e-learning é mandatória. “A educação corporativa é muito importante e uma aposta no banco, que só pode contratar novos funcionários por concurso, e esses profissionais têm que ser treinados”, esclarece Marcos Fadanelli, gerente executivo da diretoria de gestão de pessoas da instituição.

Presente nos corredores do banco há 40 anos, mesmo que na época ainda com o uso de apostilas e vídeos, a educação a distância faz parte da rotina dos funcionários. Mais atual, a intranet do Banco do Brasil, lançada no final do ano passado, oferece 1.800 páginas entre biblioteca digitalizada, notícias, pequenos cursos customizados e diretrizes de ensino, além de outros itens presentes no já conhecido portal de desenvolvimento profissional do Banco do Brasil.

“Nosso primeiro curso nesse modelo teve 37 adesões nas primeiras horas e não fizemos divulgação”, declara Fadanelli, lembrando que essa aula tratou dos controles internos da instituição. Os próximos bê-á-bás terão como motes a lavagem de dinheiro e aspectos de marketing.

Os entraves, segundo o executivo, ainda são a rede de telecom e a heterogeneidade dos equipamentos espalhados pelo banco – o trabalho para equiparar as ferramentas de tecnologia já começou, com o objetivo de oferecer melhores condições aos funcionários.

Ao todo, o Banco do Brasil possui 100 cursos, incluindo presenciais e a distância. São 19 profissionais de educação envolvidos diretamente nos programas profissionalizantes, além de outras empresas parceiras para desenvolvimento de conteúdo, implantação e tecnologia.

Ritmo acelerado

Conheça alguns dados do mercado de e-learning:
Brasil (2001) R$ 45 milhões
Brasil (2002) US$ 53 milhões
Mundo (2000) US$ 3,4 bilhões
Mundo (2001) US$ 6,3 bilhões
Fonte: IDC
Papel pra quê?

Mesmo nas corporações envolvidas com a fabricação de papel, como a Suzano Bahia Sul, o ensino sem caderno e lápis já é realidade. Impulsionada pelo processo de migração de seu software de gestão – do SAP 3.0 fd para a versão 4.6c –, a indústria vestiu a camisa do ensino a distância e 900 usuários já foram treinados.

“Já tínhamos o ERP integrado em 15 pontos do Brasil, mas o novo release tem muitas diferenças, por isso adotamos a ferramenta i-Tutor, também da SAP”, conta José Carlos Costa, gerente de TI da Suzano Bahia Sul, acrescentando que o maior volume de usuários da ferramenta, a partir da nova versão, foi outro fator de estímulo ao uso do e-learning.

Para iniciar a vivência com a tecnologia, a Suzano fez um teste de treinamento para uma outra ferramenta, a de chão de fábrica, com a diferença de que, nesta fase, havia a presença física de instrutores. “Essa foi a opção para que pudéssemos sanar eventuais problemas”, lembra o executivo.

Um dos obstáculos observados foi a leitura incompleta das páginas do curso. Os alunos, sem o hábito de observar toda a página na tela do desktop, não sabiam o que estavam fazendo e na visão de Costa, conhecer o significado do e-learning é essencial para o sucesso do aprendizado.

Em seguida a Suzano tinha que encontrar uma forma de colocar em ambiente Web os 99 cursos referentes ao processo de migração. Definiram a intranet como sala de aula e uma grade de matérias foi determinada para cada funcionário.

“Duas semanas antes da operação do ERP, colocamos os cursos no ar e os gerentes controlaram a adesão. Todos tinham que assistir as aulas, já que o sistema seria integrado ao dia-a-dia dos funcionários”, recorda José Carlos Costa, informando que o conteúdo foi desenvolvido pelas áreas de tecnologia, recursos humanos e pela consultoria Integração.

O executivo acrescenta que, para as áreas mais remotas do País e com velocidade de transmissão inadequada, os mesmos cursos foram ministrados – por emulação da intranet – via CD. “A idéia é expandir o uso da tecnologia de acordo com a necessidade”, prevê. E daqui a alguns anos, quando a tecnologia estiver consolidada, diria o poeta, “nunca esquecerei desse acontecimento/ na vida de minhas retinas tão fatigadas.”e-learning supera obstáculos

Grupo VR: modelo alternativo

Para atender suas necessidades internas, o Grupo Vale Refeição matou dois coelhos. Explica-se: em agosto de 2000, foi criado o Canal RH, portal que oferece aplicações de e-learning, avaliação e recrutamento, entre outras, para profissionais de recursos humanos.

À frente da iniciativa está Antônio Enéas Reis, também diretor de RH do Grupo VR. “Unimos as diretorias e o Grupo VR serve como vitrine do portal. Além disso nossos principais compradores são profissionais de RH, por isso a preocupação em unir as estratégias”, explica.

O Canal RH atende as necessidades da corporação, entre elas o ensino a distância, para o qual os funcionários podem se logar na página, adquirir uma chave de avaliação e fazer os cursos. Um dos treinamentos mais expressivos foi aquele voltado para a ferramenta de CRM (Customer Relationship Management) PeopleSoft/Vantive.

“A área de vendas teve 300 usuários treinados e o foco, em 2002, é atingir outros 500 funcionários para aulas de gestão de RH e produtos da VR”, revela Reis, que acredita estar economizando 40%, se comparar o e-learning com os cursos presenciais.

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