Gestão
Projetos de TI na mesa de cirurgia
Iniciativas tecnológicas da saúde pública estão em descompasso com o setor privado, que investe na integração de sistemas, migração para o prontuário eletrônico e serviços baseados na Internet.
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O alastramento do mosquito da dengue, as eternas desavenças entre as administradoras de convênios médicos e os seus usuários e a baixa qualidade do atendimento em hospitais públicos colocaram a saúde brasileira no banco dos réus. Porém, nesta área há que se considerar a existência de dois universos: o público e o privado. E um exame criterioso sobre os investimentos feitos pelo setor privado afasta a suspeita de epidemia.
O bem estar se traduz no controle dos gastos e melhora na prestação dos serviços. Esse diagnóstico está atrelado à Tecnologia da Informação, que em 2002 depende da integração dos sistemas de gestão administrativa e hospitalar, consolidação do prontuário eletrônico na Internet e análise das informações médicas com o uso de ferramentas de BI (Business Intelligence). O incremento de soluções de CRM (Customer Relationship Management) para fidelizar a base de clientes também está no receituário.
Esse é o cenário das ações em TI da saúde privada do País. Não há dados estatísticos sobre os investimentos na modernização tecnológica do setor, mas grandes hospitais aumentam os seus faturamentos apoiados em processos informatizados.
Ficam congeladas, no entanto, as ações em telecomunicações e o investimento em novas tecnologias (Wireless, aumento da performance da rede, banda larga etc.). A abertura de mercado, esperam os CIOs (Chiefs Information Officer), deve provocar uma considerável redução dos custos dos serviços.
Aos poucos, os hospitais começam a utilizar a Web como ferramenta estratégica para o negócio, mas ainda não para otimizar processos como o de compras de materiais indiretos. Isso porque, segundo uma pesquisa realizada pelo Departamento de Biomédica da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação da Unicamp (Universidade de Campinas), com 1.200 hospitais, apenas 20% deles possuem conexão permanente com a Internet (linha dedicada).
O Hospital Sírio Libanês, usuário do Business Objects (BO) na área administrativa, pretende ampliar a utilização da ferramenta para desenvolver análises em seu núcleo de epidemiologia, que trata dos protocolos de atendimento ao paciente. A idéia é fazer uma estatística de tal maneira que seja possível saber se existe instrumental para realizar determinada cirurgia na data prevista, adianta Ênio Jorge Salu, gerente de TI.
Ao mesmo tempo em que os esforços concentram-se na integração dos sistemas, implementação de ferramentas de BI e soluções de CRM, também entram no orçamento dos executivos de TI do setor de saúde ajustes no prontuário eletrônico. Na avaliação de Elcio Gonçalves, presidente da Plaut Consultoria, somente o Hospital Israelita Albert Einstein possui uma solução completa, atualmente.
Alguns hospitais pretendem abrir as informações do prontuário eletrônico na Internet aos pacientes ou à sua família, mediante autorização prévia. Um passo adiante prevê o Samaritano (São Paulo). Em 2003, a idéia é fornecer cartões com tarja magnética aos seus pacientes para obter maiores detalhes sobre perfis e preferências.
Análises clínicas
Os laboratórios caminham no mesmo sentido, embora grande parte do orçamento de TI esteja concentrada em telecomunicações. Elkis e Furlaneto, Diagnósticos da América e Fleury prometem maior aproximação com os clientes a partir da consulta de exames via Internet, com a oferta de novos serviços através da adoção de soluções de CRM fornecidas por empresas especializadas no setor.
Como os três gigantes do segmento passam por um crescimento orgânico acelerado, com a inauguração de novas unidades, os ajustes na rede e nos links de comunicação fazem parte das ações em 2002.
Diferente é a realidade do SUS (Sistema Único de Saúde), para o qual os investimentos em TI se traduzem apenas nas iniciativas do Governo Eletrônico. Na visão de Joel Guilherme da Silva Filho, coordenador de desenvolvimento e tecnologia do projeto Cartão Nacional de Saúde, da secretaria de gestão de investimentos de saúde, mesmo que o ministério amplie a iniciativa para todos os Estados e Municípios, a ação ainda tem pouca expressão, uma vez que menos de 10% das unidades são informatizadas e os recursos do Fust (Fundo de Universalização das Telecomunicações) ainda não chegaram aos cofres do setor.
Rumo aos sistemas integrados
Padronização dos processos de retaguarda é o grande desafio
Implementar um ERP industrial, com as personalizações necessárias à rotina de atendimento e integrá-lo ao sistema de gestão hospitalar. A tese é atrativa, principalmente porque o retorno do investimento que demanda um novo desenho dos processos internos e compra de software e hardware é diagnosticado nas análises da fatídica aquisição de uma ferramenta de BI.
O Sírio Libanês já fez a lição de casa. Com um investimento de US$ 1 milhão, consumido em dois anos, o hospital implementou o ERP Logix, da Logocenter, sobre o banco de dados Informix, integrado aos sistemas principais Sinplex (responsável pelo controle da rotina de produção de refeições dos funcionários e pacientes, fornecido pela Brand Brasil); Xclinic (Medical Systems), para produção de laudos de exames de imagens; e Esmeralda (desenvolvido pela TCM), que realiza o controle da rotina interna do laboratório de análises clínicas.
O montante foi destinado, ainda, para a aquisição e implementação da ferramenta Business Objects (Decision Warehouse). Os frutos dessa empreitada permitiram o absoluto controle dos insumos necessários à grande variedade de tipos de atendimento viabilizada pelo ERP, como a oferta de serviços a la carte para os médicos, relata Salu.
Essa também é a estratégia do Hospital Samaritano de São Paulo, que desde o ano passado realiza a integração de quatro módulos do pacote Microsiga compras, contabilidade, estoque, contas a pagar e a receber com os sistemas transacionais desenvolvidos internamente em Visual Basic.
Os dois sistemas trocam informações entre si. Quando há uma baixa de materiais usados, a informação é transmitida para o módulo de faturamento, abastecimento do almoxarifado e outras áreas de competência, exemplifica Waldir Francisco Baltar, gerente de TI do hospital. Este ano, o projeto contemplará a Internet no âmbito de consulta. Segundo Baltar, as informações serão distribuídas para os médicos também por meio do prontuário eletrônico.
Também com os olhos na integração e análises estatísticas dos dados, a Real e Benemérita Sociedade Portuguesa de Beneficência acaba de deixar o legado e partiu rumo à implantação do Corpore RM Recursos Humanos, que inclui, além de toda a gestão de RH, a gestão do conhecimento (avaliações e pesquisas), folha de pagamentos e automação de ponto, inclusive com as versões pontocom desses dois últimos aplicativos, para consulta via Internet.
Milton Alves, gerente de informática do hospital, prevê para 2004 o início da integração, após o término da migração do mainframe para plataforma baixa.
Usuário SAP R/3 4.6c desde outubro de 2001, o Grupo Fernandes Vieira que abrange a Clínica Santa Helena e Santa Joana Diagnósticos, Santa Joana Medicina de Grupo, Memorial São José e Memorial Diagnósticos inicia este ano a integração dos módulos financeiro, contabilidade, carteira fiscal e ativo fixo, compras e materiais e manutenção com toda a parte de vendas e soluções hospitalares (agendamento de consulta, entrega de medicamentos, controle de cirurgia e posto de enfermagem), desenvolvidas pela Wpd (software house de Recife especializada no setor).
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