Gestão
Empresas investem em políticas para uso da internet
Muito mais do que uma questão de educação, o bom uso da web evita muitos problemas técnicos e de negócios. Por isso, corporações investem em políticas simples de controle para utilização da internet, mas a aceitação ainda é difícil.
Por Fábio Barros
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Fábio Barros
Transformada de fato em ferramenta de trabalho, a internet começa a estimular iniciativas de normatização de seu uso. Atrelada à má utilização, tanto de e-mails quanto de web sites, há uma série de fatores nocivos que vão desde a redução da produtividade até a destruição de informações. Não é de se estranhar, portanto, que as corporações atentem para isso e, no vácuo dos problemas causados até aqui, decidam criar políticas de uso. Em geral, as normas impostas geralmente associadas ao emprego de ferramentas de controle e gerenciamento são simples e baseadas no bom senso.
O ponto crítico é sua disseminação, já que o sucesso depende fundamentalmente do processo de aculturamento. O mais importante é a questão da vulnerabilidade. Se não há controle do que sai e do que entra, os sistemas da empresa ficam sujeitos a invasão, diz José Lourençon, gerente de sistemas da Payot, fabricante nacional de cosméticos. Com uma rede formada por 60 computadores em sua sede em Cotia (SP) e outros 30 divididos por escritórios em São Paulo e no Rio de Janeiro, o executivo não esconde que sua maior preocupação está no fluxo de e-mails.
Mas as prioridades variam de acordo com a filosofia e o negócio de cada companhia. Para Pedro Luís Duccini Nunes, coordenador de informática da Organização Mogiana de Educação e Cultura, por exemplo, o foco principal está na prevenção contra vírus e no controle de acesso a sites não relacionados a atividade-fim da organização. Não há uma política rígida de utilização porque somos uma instituição de ensino e temos de dar liberdade para alunos e pesquisadores, diz o responsável pelo controle de 1.150 máquinas divididas entre Mogi das Cruzes (SP) e São Paulo , todas com acesso à web.
Para a GlaxoSmithKline (GSK), com 1,2 mil máquinas com acesso à internet, a principal função da política aqui sim, formalmente definida era o controle de acessos e a formatação da internet como ferramenta corporativa. O grande desafio é identificar o que o negócio precisa e atender isso. Temos de estar alinhados a esse objetivo o tempo todo, explica André Lemos, coordenador de telecomunicações e segurança da fabricante de medicamentos.
O atendimento às práticas de negócio da empresa parece ser o ponto inicial para a formulação de uma política de uso da internet. No caso da GSK, a definição começou com a estruturação de um comitê de segurança da informação, formado por representantes de várias áreas da companhia. Esse grupo define o que deve ser implementado e foi a partir daí que criamos nossa política de uso da web, afirma Lemos.
Critérios para e-mails
Na prática, o documento criado pelo comitê é simples uma página , no qual estão definidos critérios para a utilização de e-mails e listados os tipos de sites que não devem ser acessados pelos funcionários, como pornográficos, racistas etc. Sobre os e-mails, a principal preocupação está no download de aplicativos, este sim, terminantemente proibido.
A maior preocupação de Lemos é fazer com que as práticas sejam adotadas em massa pelos funcionários. Há dois cuidados que tomamos: não utilizar linguagem técnica e levar o problema para o dia-a-dia das pessoas, diz, citando a utilização de ferramentas de divulgação como jornal interno, pesquisas de conhecimentos e aplicativos de e-learning.
Na Payot não há uma política formal, mas os esforços da área de TI em reduzir os problemas gerados por e-mails acabaram disseminando cultura pela corporação. Havia grande incidência de vírus, e 90% deles chegavam por e-mail. Hoje conseguimos gerenciar isso e identificar de onde vêm a ameaça, antes que ela chegue às nossas máquinas, afirma Lourençon.
Apesar do controle, a empresa tem o cuidado de não ferir a privacidade de seus funcionários, adotando o que o executivo chama de liberdade controlada. Quando um site não relacionado ao trabalho é acessado com freqüência, ou mesmo um endereço de e-mail, lançamos um comunicado interno avisando que o uso tem sido excessivo. Geralmente isso é bem aceito pelos funcionários, diz, observando que o bloqueio é a última alternativa.
O gerenciamento de e-mails tem permitido à Payot definir prioridades de banda, liberando e-mails ou navegação para funcionários ou departamentos de acordo com suas necessidades. Por exemplo, nossa fábrica precisa acessar alguns sites, mas a banda destinada a eles é bem menor do que a usada pelo departamento financeiro, que realiza troca eletrônica de documentos com bancos, afirma.
Na Organização Mogiana de Educação e Cultura, apesar da liberdade, há dois grupos de acesso determinados pela área de TI. O primeiro, formado por pesquisadores, tem livre acesso a qualquer conteúdo. Já funcionários e alunos têm um controle maior. O proxy utilizado por eles tem algumas restrições de acesso, explica Nunes.
O foco da área de TI é o controle dos logs efetuados pelos usuários. Estamos sempre atentos a isso. Há muitos sites novos e, dependendo do conteúdo, temos de bloqueá-los, mas estamos sempre atrás nesse sentido.
Para manter suas práticas de uso da web em funcionamento, os responsáveis dependem, e muito, de ferramentas de TI. No caso da Organização Mogiana de Educação e Cultura, boa parte da estratégia traçada por Nunes tem lastro em um aplicativo de verificação de acesso, o freeware Sarg. Ele mapeia os sites mais acessados na instituição e nos dá uma estatística disso. É a partir daí que avaliamos os logs efetuados, diz.
Ferramentas de controle
O executivo se diz satisfeito com o desempenho do freeware, lembrando que a estrutura web da organização é baseada em plataforma Linux, o que permite a utilização de aplicativos gratuitos. Satisfeito com a estrutura construída até aqui, Nunes acredita que mudanças só devem ocorrer a partir de 2004, quando a inauguração de um campus da instituição em São Paulo deve exigir uma ampliação do link.
Na Payot, o principal suporte ao controle de e-mail está em um gerenciador e numa solução de antivírus, fornecida pela Kasperski. É graças a essas ferramentas que conseguimos filtrar mensagens indesejadas e, em alguns casos, até oferecer solução remota para problemas surgidos nas estações dos usuários, diz Lourençon, lembrando que o gerenciador é utilizado pela companhia há cerca de dois anos.
Mais que diminuir os problemas em si, o executivo ressalta a economia gerada em gastos com manutenção de rede e tempo de funcionários parados. Fazendo uma conta rápida, ele afirma que, em um ano meio, a fabricante de cosméticos conseguiu ganhos de 50% na produtividade dos funcionários.
Na GSK, a classificação dos sites visitados pelos funcionários é realizada por um software da Aker, instalado antes do firewall. Seguindo critérios preestabelecidos, o aplicativo se encarrega de bloquear qualquer tentativa de acesso a conteúdo não autorizado. A pesquisa realizada pelo software é feita por palavras-chave, o que também preserva a privacidade de quem faz a tentativa, ressalta Lemos.
Além dessa ferramenta, o arsenal da empresa inclui firewalls e customizações internas que barram as tentativas de downloads. Nosso consumo de banda caiu 20% desde a adoção do classificador, que era justamente o percentual dedicado a sites não relacionados ao negócio da empresa, justifica.
|Computerworld - Edição 393 - 03/09/2003|
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